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Marketing e Lançamentos | 05/11/2011 | 14h35

Palio 2012 espelha evolução do consumidor

Fiat sofistica modelo para garantir liderança

Pedro Kutney, Automotive Business

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Pedro Kutney, AB
De Belo Horizonte


A Fiat tinha sérios problemas adiante para manter sua liderança no mercado brasileiro, que já dura dez anos. Depois do lançamento do novo Uno, em 2010, a novidade logo subiu ao posto de segundo carro mais vendido do Brasil, mas com isso cortou a própria carne: tirou de lá o Palio, que havia anos era o vice-campeão de vendas e caiu abaixo do sexto lugar. Contribuiu também para essa situação o estilo da quarta geração do Palio, lançada em 2007, cujo design agradou a quase ninguém, nem mesmo dentro da Fiat. O erro de rota começou a ser corrigido só agora, com o Palio 2012, que em sua quinta geração tem projeto completamente novo, inclusive a plataforma, tudo focado em um consumidor que subiu de nível, quer produtos melhores e pode pagar melhor por eles.

“O novo Palio é uma grande oportunidade de incrementar nossas vendas, porque o Palio anterior estava perdendo muito terreno”, reconheceu Lélio Ramos, diretor de vendas e marketing da Fiat, que tem a expectativa de vender cerca de 8 mil unidades por mês da nova geração do modelo – o que o presidente da Fiat América Latina, Cledorvino Belini, já disse que acha “pouco”.

Assim a família Palio chegará a 14 mil unidades mensais, somando mais 6 mil unidades do modelo Fire – o que fica em linha é o da terceira geração, lançada em 2002 e desenhada pelo festejado designer italiano Giorgetto Giugiaro, que segundo informa Ramos representava 60% das vendas; os outros 40% eram do Palio geração 4, que desaparece agora sem deixar muita saudade. “É preciso dizer a verdade; o Fire é mais bonito do que o Palio que o sucedeu”, admite o executivo.

Portanto, com o novo Palio, a perspectiva é inverter o mix de vendas da família, com 60% da quinta geração e os outros 40% do antigo Fire geração 3. Com o modelo 2012, a Fiat coloca produtos em todos os espaços possíveis dos segmentos A e B do mercado brasileiro, os mais importantes, que represam 55% das vendas de automóveis no País. “O Palio é um marco na história da Fiat, que já vendeu 2,5 milhões de unidades desde o seu lançamento, em 1996. É um produto fundamental em nossa corrida pela liderança no Brasil”, reforçou Ramos.

De olho na evolução do mercado



Ainda que seja um carro para explorar os segmentos mais populares do mercado, por dentro e por fora novo Palio leva em conta que as exigências do consumidor brasileiro evoluíram. Por isso é apresentado a ele agora um carro mais caprichado, melhor acabado, com maior nível de conforto e segurança e, mais importante, sem custar muito além do que seu antecessor. “A versão 1.0 tem o mesmo preço da anterior, mas com maior conteúdo, como a direção assistida de série, que como opcional custava R$ 1,3 mil”, destaca Ramos. A declaração não deixa de ser uma confissão de que há gordura para se queimar nos preços dos carros vendidos no Brasil.

O Palio passa a ser vendido em seis versões, com três opções de motorização (1.0 de até 75 cv, 1.4 de 88 cv e 1.6 de 117 cv) e duas de transmissão (manual ou automatizada Dualogic, disponível só para os modelos 1.6). Veja como ficaram os preços sem opcionais:

Palio Atractive 1.0 Evo Flex: R$ 30.990
Palio Atractive 1.4 Evo Flex: R$ 34.290
Palio Essence 1.6 E.torQ Flex: R$ 37.990 (já vem com ar-condicionado de série)
Palio Sporting 1.6 E.torQ Flex: R$ 39.990
Palio Essence 1.6 E.torQ Flex Dualogic: R$ 40.490
Palio Sporting 1.6 E.torQ Flex Dualogic: R$ 42.490

O preço máximo da versão Sporting, com todos os opcionais, chega a R$ 45 mil. Ramos projeta que o Palio 1.0 representará 50% das vendas, outros 30% serão do 1.4 e os 20% restantes seriam divididos por igual pelas duas versões 1.6 (Essence e Sporting). Segundo a Fiat, os preços foram calculados cuidadosamente para enfrentar a concorrência com vantagem que começa em 1% (diferença a menor em relação ao Renault Sandero 1.0) e atinge 10% na comparação com o Volkswagem Fox 1.0. No enfrentamento direto com seu maior rival, o novo Gol, o Palio tem preço sugerido 7% menor.

O problema é que nessa faixa de preços o carro também fará concorrência à própria Fiat, com o Punto, que nas versões mais baratas custa quase o mesmo que as mais caras do Palio. A montadora avalia, no entanto, que os modelos têm clientes diferentes, segundo apontam suas pesquisas. “Temos uma gama extensa para atingir todo tipo de consumidor”, alega Ramos. (Seja como for, a renovação do Punto, já a caminho, poderá resolver o problema.)

Qualidades



A estratégia da Fiat com o novo Palio foi a de agregar valor. A exemplo do que aconteceu na década passada com todos os modelos dessa categoria na Europa, o Palio cresceu por todos os lados: 31 mm na largura, 60 mm na altura, 28 mm no comprimento total e 47,3 mm na distância entre-eixos. Com isso, ele ganhou em habitabilidade interna, algo como 8%, segundo complexos cálculos da engenharia da Fiat, com seu interior completamente redesenhado, mais espaçoso e confortável.

O design foi executado pelo Centro Stile Fiat na Itália. Aliás, o design italiano também é algo que o fabricante quer agregar como valor ao Palio 2012. O resultado foi uma silhueta mais agradável, com ângulo menor entre o capô e o vidro, com clara inspiração no Punto. O desenho, aliado ao crescimento da carroceria, acabou criando um Palio mais assemelhado a um monovolume, mas com ganho de 5% no coeficiente de penetração aerodinâmica (cx de 0.33). Na dianteira, ele segue a mesma identidade visual do 500, com o “bigode” cromado e o logo da Fiat no meio, que deve se tornar uma constante no design da marca daqui por diante. Na traseira, as lanternas foram incorporadas à coluna C – outra tendência dos carros Fiat.

Uma qualidade do novo Palio está na evolução de sua engenharia, com uso de materiais mais leves e de maior resistência, que diminuíram o peso em 15% na comparação com a geração anterior do modelo. Esse aço mais fino e resistente corresponde a 35% da estrutura da carroceria e foram utilizados em 30% das partes móveis e 34% da estrutura das portas.

O Palio agora usa os chamados pneus verdes, com menor resistência à rodagem, que somados ao arrasto aerodinâmico e peso reduzidos, resultam em maior eficiência energética, com ganhos no consumo de combustível.

Ao todo, a engenharia da Fiat informa que o novo Palio tem 3.253 novos componentes. Para chegar ao produto final, foram construídos 526 protótipos, com execução de 125 mil provas físicas e virtuais, que consumiram 2 milhões de quilômetros em testes de rodagem.

O diretor de engenharia da Fiat, Claudio Demaria, resume o trabalho feito no novo Palio: “O consumidor evoluiu e o carro precisou evoluir também. Precisamos caprichar mais em tudo”, diz, informando ainda que, durante o processo de 26 meses de desenvolvimento, a equipe mista de profissionais no Brasil e na Itália foi “estimulada” pelo consumo de nada menos que 6.284 litros de café. “É por isso que custou tão caro”, brincou Cledorvino Belini, presidente da Fiat América Latina, para justificar o investimento de R$ 1 bilhão para criar o carro.



Tags: Palio 2012, Fiat, mercado, consumidor, Punto, Renault Sandero, Volkswagen Gol.

Comentários

  • Sandro Falcão

    É necessário esclarecer os motivos de tanta demora na produção e na entrega !!! E ainda, se a teoria de um carro melhor esta realmente sendo colocado em prática !!!

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