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05/11/2011 | 16h45

Marketing e Lançamentos

Novo Palio é menos global e custou R$ 1 bi

Modelo será fabricado só no Brasil e Argentina


Pedro Kutney, Automotive Business

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Pedro Kutney, AB
De Belo Horizonte


Custou R$ 1 bilhão o desenvolvimento do novo Palio, praticamente o mesmo valor que a Fiat investiu no novo Uno, lançado pouco mais de um ano antes. Para Cledorvino Belini, presidente da Fiat América Latina, a soma alta, suficiente para se fazer uma nova fábrica de veículos, comprova o quanto pode ser caro lançar modelos que têm a responsabilidade de manter a marca na liderança de mercado no Brasil. “Não é só a engenharia, também pagamos por toda a promoção e publicidade, que não são coisas baratas”, ressalta.

Como o desenvolvimento levou 26 meses para ser concluído, uma parte do investimento do Palio veio do programa anterior, de R$ 5 bilhões de 2008 a 2010, e o resto já faz parte do atual plano de R$ 10 bilhões até 2014.

No caso do Palio, uma parte considerável do investimento, de R$ 300 milhões, foi destinada para viabilizar a produção do modelo também na fábrica de Córdoba, na Argentina. “Foi necessário produzir todo o ferramental para fazer o Palio lá, pois ele tem uma plataforma completamente diferente dos outros dois modelos feitos”, diz Carlos Eugênio Dutra, diretor de produto e exportação da Fiat.

Segundo Dutra, a fábrica argentina começa a fazer o novo Palio a partir de março de 2012 e deverá ser responsável por cerca de 30% da produção total do modelo – a perspectiva é de 3 mil unidades/mês, ficando 7 mil para Betim (MG).A Fiat projeta vender 8 mil no Brasil e 2 mil em outros países latino-americanos. Cerca de 10% dos volumes feitos no Brasil serão exportados para toda a América Latina.

A versão 1.0 flex do novo Palio a ser produzida na Argentina será integralmente exportada ao Brasil e a 1.4 a gasolina deve ser destinada ao mercado argentino, perto de 1 mil veículos mensalmente, e o resto seguirá para outros países sul-americanos, principalmente Uruguai e Venezuela, explica Dutra: “A ideia é fazer da fábrica de Córdoba um pulmão para Betim. Por isso esses volumes são flexíveis, podemos alterar conforme a nossa necessidade.” A Fiat já produz em Córdoba o sedã Siena e o Palio Fire. A capacidade é de 250 mil/ano no total.

Desglobalização

Dessa forma, mesmo que concebido sob parâmetros globais, com boa parte do trabalho feito na Itália, o novo Palio só será produzido no Brasil e Argentina e vendido apenas em países da América Latina, ao contrário do projeto original, da década de 90, quando o modelo foi pensado para ser um carro para mercados emergentes com produção em vários desses locais.

“É fato que o novo Palio é menos mundial do que o primeiro”, reconhece Dutra, lembrando que em sua primeira geração o modelo já foi produzido na Turquia, Egito e Polônia, entre outros locais. “O carro atual foi focado para a América Latina, mas só por razões mercadológicas, não significa que ele não possa ser feito e vendido em outros lugares também. É uma estratégia da Itália, que prefere trabalhar na Europa com os veículos fabricados lá”, explica.

Com isso, ao chegar à sua quinta geração em 15 anos de idade, o Palio está menos global do que nunca – ainda que seus custos de desenvolvimento sejam iguais ao de países plenamente desenvolvidos.

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