Automotive Business
  
ABLive

Notícias

Ver todas as notícias

Transportes | 25/11/2011 | 18h22

NTC prevê mudanças a longo prazo nos modais

Setor ferroviário superará rodoviário em 2020

Sueli Reis, Automotive Business

NOTÍCIAS AUTOMOTIVAS EM QUALQUER LUGAR
Email RSS Twitter WebTV Revista Mobile Rede Social


Sueli Reis, AB

O futuro do transporte de cargas no Brasil ainda dependerá do modal rodoviário, mas o modal perderá sua hegemonia em 2020 para o ferroviário. Esta é a visão do vice-presidente da NTC e Logística, Alfredo Peres, que apresentou as perspectivas do setor de transporte de carga durante o terceiro e último dia do 21º Congresso Fenabrave, na sexta-feira, 25.

O executivo ponderou sobre as vantagens do transporte rodoviário de cargas nos aspectos que abrangem velocidade e facilidades de acesso na comparação com outros modais e citou casos do setor automotivo para confirmar os benefícios atuais. Utilizou a Fiat de exemplo, que para exportar seus veículos de Betim, MG, para Córdoba, Argentina, as cegonhas percorrem 3.200 quilômetros em dez dias. Segundo Peres, por navio, a viagem demoraria de 25 a 30 dias. Pelo mesmo motivo de falta de agilidade, a General Motors investiu R$ 30 milhões em um centro logístico localizado no Porto de Suape, em Pernambuco, para facilitar o escoamento de sua produção. Internamente, carretas de São Paulo com destino a Belém, PA, percorrem 3.000 quilômetros em nove dias e alcançam Manaus, AM, via barcaças. “De navio, esse percurso levaria de 25 a 30 dias.”

Os números apresentados por Peres revelam que hoje na matriz do transporte de carga brasileiro, o rodoviário lidera com 61,1%, seguido pelo ferroviário, com 20,7% de participação de tudo o que foi transportado no País este ano até setembro. “Percebemos em outros países, como Estados Unidos e Europa, incluindo Rússia, que a maior parte do transporte está centrada na malha ferroviária. Entretanto, diferente do Brasil, eles têm uma velocidade média que supera os 100 km/h, como é o caso dos Estados Unidos. Aqui, a velocidade média dos trens não passa dos 30 km/h.”

Apesar das vantagens, o cenário passará por alterações a longo prazo, prevê Peres. “O setor rodoviário sofrerá cada vez mais restrições incentivadas pelas ações de defesa do meio ambiente, por conta disso, o índice de participação do modal deve cair progressivamente na medida em que a dos outros aumenta.”

De acordo com dados do PNLT, Plano Nacional Logístico de Transporte, apresentado por Peres, o setor rodoviário passará de uma participação de 58% apurado em 2005 para 30% em 2025. No mesmo período, o setor ferroviário aumentará de 25% para 35% e o hidroviário passará de 13% para 29%. Entretanto, Peres mostra que dentre todos os modais, o rodoviário é o que receberá o maior aporte por parte do PAC 2. De 2011 a 2014, o setor receberá o equivalente a R$ 48,4 bilhões enquanto o ferroviário terá R$ 43,9 bilhões. Portos e transporte hidroviário receberão respectivamente R$ 4,8 bilhões e R$ 3 bilhões, sendo este último o mesmo valor dedicado aos aeroportos.

A médio prazo, Peres afirma que a carga rodoviária continuará crescendo, embora a política do governo e fatores como a estabilidade econômica, defesa do meio ambiente, roubos, furtos, terceirização de atividades logísticas, aumento do número de pedágios modernização dos portos e construção de novos dutos favoreçam os outros setores. A longo prazo, o executivo afirmou que a perda de participação do rodoviário no transporte de carga poderá ser maior se alguns problemas não forem tratados hoje, como a renovação da frota, que para ele, deverá receber cada vez mais incentivos a exemplo dos que já estão no mercado, como o Pró-caminhoneiro, a reciclagem dos veículos e a inspeção veicular. E apontou problemas considerados “sérios”, como o controle de peso de carga e a regulamentação do tempo de direção para os motoristas. “Outros setores como o aéreo e o ferroviário já têm regulamentação para o tempo de trabalho de seus condutores: um País que ainda depende do transporte rodoviário não pode mais adiar esta questão.”



Tags: NTC, PAC 2, rodoviário, ferroviário, Fenabrave, Congresso.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência