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Tecnologia e Engenharia | 02/12/2011 | 20h25

Autodesk aposta na leveza da nuvem com seu PLM

Software de gestão de produto pode ser 10 vezes mais barato

Pedro Kutney, Automotive Business

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Foto: Stephen Bodnar apresenta o pacote de PLM da Autodesk em Las Vegas

Pedro Kutney, AB
De Las Vegas, EUA


Sistemas de PLM (gestão de ciclo de vida de produto, na sigla em inglês) têm o poder de integrar todos os departamentos de uma companhia e assim aumentar a velocidade e a eficiência de desenvolvimento e manufatura de diversos produtos, por isso a indústria automotiva, com sua complexa e difícil de administrar cadeia de produção, vem adotando cada vez mais essa solução de tecnologia de informação. Contudo, o conjunto de softwares de PLM são caros e complexos, exige grandes investimentos, muito tempo de consultoria para implantação e requer profundas mudanças de processos internos. A Autodesk pretende quebrar esse paradigma com um conceito bastante simplificado de PLM, que começa a oferecer ao mercado global durante o primeiro trimestre de 2012.

Fornecedora já bastante conhecida na comunidade de engenharia por suas soluções de PDM (gestão de desenvolvimento de produtos), como o AutoCAD, no último dia 29 de novembro a Autodesk anunciou o lançamento do Nexus, uma solução de PLM que integra os programas da engenharia com o resto da empresa. A principal vantagem: pode custar apenas um décimo do preço dos concorrentes tradicionais nesse mercado– principalmente Siemens PLM e Dassault Systémes. Pode-se dizer que o segredo dessa leveza orçamentária está nos céus – ou, melhor dizendo, na chamada “computação na nuvem”, em que arquivos e servidores de grande potência não precisam mais estar dentro da empresa, pois podem estar nos provedores desses serviços, o que reduz consideravelmente os custos de infraestrutura de tecnologia da informação.

“O Autodesk Nexus é uma solução de PLM baseada na ‘nuvem’ e esse é o principal diferencial em relação à concorrência, pois não são necessários grandes investimento em infraestrutura, nem muito tempo de adaptação. É só assinar e usar, com necessidade de consultoria muito menor”, explica Stephen Bodnar, vice-presidente da recém-criada divisão de PLM da Autodesk. Em entrevista a Automotive Business durante a Autodesk University, evento que reuniu de 28 de novembro a 1º de dezembro cerca de 8 mil usuários e especialistas dos programas da empresa em Las Vegas, Estados Unidos, o executivo garantiu que a empresa pretende entrar para valer nesse mercado, que gira bilhões de dólares por ano.

“Vamos começar aos poucos e competir com quem já está nesse segmento, mas creio que vamos principalmente ampliar esse mercado, trazendo clientes novos, companhias que não poderiam investir no conceito tradicional de PLM”, avalia Bodnar. Ele revela que já existem negociações com mais de 30 clientes potenciais – incluindo alguns fornecedores do setor automotivo, mas nenhuma montadora por enquanto. “No primeiro ano vamos trocar muitas informações e aprender com esses primeiros usuários, para aperfeiçoar o sistema.”

Vantagens nas nuvens

“O Nexus não requer investimento em infraestrutura, nem modificações de processos internos, pois está tudo na nuvem”, destaca Bodnar. “Por consequência, também não é necessário pagar por suporte e manutenção de toda essa infraestrutura, o que costuma custar cerca de 20% do investimento total de uma solução de PLM tradicional”, completa o executivo.

Outro destaque do Nexus, segundo ele, é a atualização quase que diária do programa na nuvem: “O cliente não vai precisar passar pelo dilema de decidir se vai ou não investir fortunas a cada um ou dois anos para renovar a versão do seu sistema de PLM, como acontece com os programas tradicionais hoje.” Embora ainda não tenha preço público divulgado, Bodnar explica que o Nexus será adquirido por meio de assinaturas anuais, com pagamentos que poderão ser mensais.

O Nexus vai se integrar ao pacote de programas 360 da Autodesk, que já oferece, também “na nuvem”, o Vault e o Buzzsaw: o primeiro centraliza a gestão dos projetos em andamento, com todas as atualizações em um só lugar, e o segundo permite a colaboração de agentes externos, como fornecedores, por exemplo. A principal missão do Nexus será integrar essas informações da engenharia com o resto da empresa.

Bodnar reconhece que as soluções da Autodesk estão hoje mais restritas aos departamentos de engenharia e design. Justamente por isso, ele avalia que o lançamento do Nexus abre uma oportunidade “estratégica”, pois a empresa passará a lidar com todos os departamentos das companhias além da engenharia, como compras, auditoria e logística, com chances de oferecer outras soluções integradas. De fato, a estratégia permitirá à Autodesk participar de um mercado que deve crescer mais US$ 20,5 bilhões até 2015, segundo estimativa da empresa de pesquisa global IDC.

E por que essa oportunidade não foi aproveitada antes? “Acreditávamos que a tecnologia ainda não estava pronta, pois era muito complexa e cara. Muitas empresas que investiram milhões em PLM usam apenas uma pequena parte do que o sistema oferece. Nossa solução deve simplificar as coisas e popularizar o acesso”, afirma Bodnar, revelando que a Autodesk vem trabalhando há quatro anos – o mesmo tempo que ele está na empresa – no desenvolvimento do Nexus.

Brasil

Acir Mateleto, diretor geral da Autodesk no Brasil, conta que muitos clientes, inclusive do setor automotivo, já vinham cobrando uma solução de PLM para integrar os programas de engenharia com o resto da empresa. “Já estamos muito presentes na engenharia de produtos e processos, inclusive com uma ampla difusão de soluções de design em 3D. Faltava a complementação para a comunicação com os outros departamentos das empresas”, diz ele, que veio a Las Vegas acompanhado de alguns clientes potenciais.

Marteleto estima que rapidamente a solução será adotada por várias empresas, inclusive no Brasil. “É uma oportunidade de multiplicar os negócios, pois estamos chegando com uma solução acessível e mais simples justamente no momento em que as empresas já descobriram essa necessidade para aumentar sua competitividade”, avalia.

A Autodesk já atende diversos clientes do setor automotivo com alguns sofisticados programas de design 3D da família Alias, que no Brasil são usados atualmente por Fiat e PSA Peugeot Citroën. “Os projetos em 3D já são uma realidade no País, que hoje compete no fornecimento desses serviços para todo o mundo. Não é mais como antes, quando só se faziam adaptações de designs que vinham prontos da matriz. Agora projetos inteiros são executados no Brasil e isso requer mais investimento em tecnologia”, explica Marteleto.

Segurança

O executivo avalia que será uma questão de tempo para que todos esses projetos sejam conectados a programas de PLM e migrem, em conjunto, para a computação na nuvem, com preocupações de segurança cada vez menores. “O questionamento sobre migrar arquivos sensíveis para a nuvem é normal, mas é muito mais uma questão cultural do que real. Veja o exemplo dos bancos: ninguém tem o servidor do banco em casa ou na empresa; os dados estão todos fora, nem por isso são acessíveis a qualquer um”, compara Marteleto, destacando que os protocolos de codificação e segurança são até mais rígidos no “ambiente da nuvem” do que dentro das empresas, que não necessariamente têm a TI como negócio principal.

Para Marteleto, o sistema de PLM ambientado na nuvem é uma grande oportunidade de integrar os departamentos de engenharia com o resto da empresa de maneira mais simples do que a apresentada até agora. “Não será necessário comprar um ‘monstro’ para depois adaptá-lo à realidade de cada um, pois o sistema será oferecido sob demanda, em escalas”, finaliza. Dentro de mais um ano, quando usuários já terão experiência com esse tipo de solução, será possível dizer se as nuvens conseguiram condensar o PLM dentro de si.



Tags: Autodesk, PLM, Autodesk University 2011, Las Vegas, software, programa, computação, TI.

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