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27/01/2012 | 13h12

Autopeças

P7 traz novos negócios para a Voss

Especialista em mangueiras e conexões, alemã quer crescer 5% a 10% em 2012


Redação AB

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Paulo Ricardo Braga, AB

A decolagem do Proconve 7 abre boas perspectivas de negócios para a multinacional alemã Voss Automotive, que possui duas fábricas em Diadema, no ABC paulista. Especialista em mangueiras e conexões automotivas, a empresa informa que detém 92% do suprimento a sistemas que utilizam as tecnologias SCR, de pós-tratamento dos gases com a injeção da solução de ureia (Arla 32, conhecida como AdBlue no exterior) no escapamento. Nessas aplicações, as tubulações devem ser imunes ao efeito corrosivo do produto químico e utilizam poliamidas (nylon) nas paredes internas.

Em 2011 a Voss faturou cerca de R$ 100 milhões com as operações no País, atendendo a maioria das montadoras. Sergio Andreatini, presidente (foto), projeta uma evolução de 5% a 10% na receita em 2012 e aposta na comercialização de produtos com maior valor agregado para chegar a essa meta. Ele admite, no entanto, que no segmento de veículos comerciais pode haver até uma redução nos volumes, ante as hesitações nas compras de caminhões novos, que agora custarão mais caro e devem obedecer a legislação de emissões mais rígida, equivalente a Euro 5.

"Vamos crescer com a evolução do mercado doméstico, que pode até dobrar nos próximos anos. Esperamos atender os fabricantes recém-chegados ao País no segmento de pesados, como DAF e Sinotruck, e algumas marcas no segmento de leves", observa o executivo, que trabalhou na Siemens VDO e na Mercedes-Benz, na área de desenvolvimento, antes de se juntar à Voss.

Andreatini explica que depois de acelerar as linhas de montagem para atender a antecipação de compras de veículos comerciais, aquecida pelos preços mais atrativos dos caminhões e chassis P5 (Euro 3), os fabricantes estiveram empenhados durante janeiro em garantir estoques de componentes para a produção sob as regras do Proconve 7. Por consequência, fevereiro deve ser um mês de ressaca nas encomendas.

Em março a manufatura de veículos comerciais deve alcançar 80% dos volumes mensais médios projetados para o ano. A legislação autoriza as montadoras a faturar para a rede de concessionárias, até final de abril, os caminhões P5 produzidos em 2011. O estoque de veículos P5 nos pátios varia conforme a marca, afetando de forma diferente a retomada este ano. Veículos comerciais pesados montados a partir de 1º de janeiro para o mercado interno devem ter necessariamente powertrain P7, mas a programação inclui P5 para exportação a países como a Argentina, que postergou para 2013 a adoção de Euro 5.

EVOLUÇÃO DOS NEGÓCIOS

A Voss registra participação expressiva nas vendas de seu segmento de atuação, que chega a 30% entre os veículos de passeio e até 70% na área de pesados, abrangendo sistemas de freio pneumático, suspensões pneumáticas, combustível e de vácuo, lubrificação, embreagem hidráulica e tubos para limpadores de para-brisa.

As exportações, 28% da receita, alcançam países europeus, Japão, Estados Unidos, América do Sul e, parcialmente, a China. O aftermarket ainda é um negócio pequeno, assegurando faturamento de R$ 4 milhões por ano com a comercialização de tubos e conexões.

A segunda fábrica da companhia, em instalações alugadas, acaba de ser estruturada em Diadema, com investimento de R$ 5 milhões para atender o crescimento projetado para os próximos anos e permitir melhor gestão das operações de manufatura. A produção de tubulações flexíveis exige permanente aporte em pesquisa e desenvolvimento, que absorvem 5% a 8% da receita da empresa. O processo principal de manufatura é a extrusão, com máquinas sofisticadas e rígido controle de qualidade na produção dos tubos. Como regra geral, as mangueiras possuem três camadas e são flexíveis, absorvendo sobrepressões provocadas pelo bombeamento pulsátil dos líquidos. O material em contato com o fluido transportado é usualmente da família das poliamidas. O tubo interno recebe a aplicação externa de um adesivo para aplicação de poliuretano. Já as conexões podem ser de plástico ou aço inox.

A sofisticação dos produtos oferecidos no portfólio da Voss depende das aplicações e dos mercados. Em países sujeitos a temperaturas negativas é preciso prevenir o congelamento do Arla 32 (a menos 11 ºC) com o aquecimento da tubulação, por meio de resistência elétrica em forma de hélice, e isolamento térmico. Veículos destinados ao mercado brasileiro também utilizam esses recursos, já que operadores logísticos locais têm entre os destinos das cargas países como Argentina e Chile.

No segmento de mangueiras e tubulações para transporte de Arla 32 a Voss detém cerca de 92% de market share, cabendo os demais 8% a importações. No caso de conexões para sistemas de freios, a participação é de 60%; para motores diesel, 50%; e 20% nas vendas de tubos lineares sem as conexões.

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