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30/01/2012 | 21h00

Mercado e Negócios

Paccar/DAF foca em nacionalização no Brasil

Fábrica brasileira já tem 50 fornecedores


Pedro Kutney, Automotive Business

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Pedro Kutney, AB

Enquanto constrói sua fábrica de caminhões DAF em Ponta Grossa, Paraná (leia aqui), que começa a produzir a partir de junho de 2013, a Paccar já definiu uma rede de 50 fornecedores locais, com o objetivo de iniciar as operações com índice de nacionalização de 60% a 65%. “Temos a cadeia de suprimentos bem encaminhada para atender a legislação e garantir financiamentos com taxas competitivas”, afirma Marco Antonio Davila, presidente da empresa no País, referindo-se à linha BNDES/Finame para compra de veículos comerciais, que exige conteúdo nacional mínimo de 60%.

Em encontro com jornalistas na segunda-feira, 30, Davila revelou estratégia pouco diferente da divulgada em outubro passado, quando disse que os caminhões DAF seriam inicialmente importados para venda no mercado brasileiro a partir do fim deste ano ou começo de 2013, “a depender das condições econômicas” (leia aqui). Com a desvantagem do imposto maior e financiamento mais caro para veículos importados, a Paccar decidiu importar de 200 a 300 unidades do extrapesado XF apenas para o abastecimento inicial das concessionárias no País, que devem abrir as portas para pré-venda entre abril e maio, enquanto aguardam para junho o primeiro lote de caminhões DAF XF feitos no Paraná.

“Mas os modelos importados já serão produzidos na Holanda com muitos componentes exportados de fornecedores no Brasil”, disse. Segundo o executivo, a empresa negocia essa condição com o governo para poder trazer os produtos sem pagar impostos maiores – em princípio, termina em dezembro próximo a aplicação de 30 pontos porcentuais sobre o IPI de veículos importados de fora do Mercosul e México, porém muitos no setor trabalham com a possibilidade de continuação dessa sobretaxação.

COMÉRCIO EXTERIOR CRUZADO

Para ajudar no rápido aumento do índice de nacionalização no Brasil, além de comprar componentes no País, a Paccar também traçou uma interessante estratégia de comércio exterior cruzado, com a exportação de componentes fundidos do motor. “A Tupy (de Santa Catarina) vai mandar para nossa fábrica na Holanda blocos, cabeçotes e virabrequins para serem montados nos motores que nós vamos importar de lá para o XF”, explicou Davila, acrescentando que diversos agregados também serão comprados e instalados no País.

E não seria mais barato e simples comprar o motor inteiro aqui mesmo de fabricante independente, como a Cummins, que já fornece para alguns modelos da Paccar? “É mais barato, contudo seria complicado adaptar. Hoje usamos os motores de 4 e 6 litros da Cummins e no Brasil vamos fazer primeiro o XF (extrapesado que usa o motor Paccar MX, de 12,9 litros).” Além disso, Davila explica que a estratégia é começar as vendas no Brasil com um motor próprio, para diferenciar a DAF dos concorrentes como marca premium. Mas ele confirma que a Cummins será a fornecedora dos motores dos outros modelos a serem montados no Paraná: os médios da linha CF 85 e 75, a partir de janeiro de 2013, e os leves da linha LF que devem começar a ser produzidos em 2015.

Davila avalia que a linha logística de fornecimento estará bem azeitada no Paraná com as melhorias prometidas para o Porto de Paranaguá, a 200 km da fábrica de Ponta Grossa, que costuma formar filas quilométricas de caminhões na época das exportações da safra de soja. “Se tivermos problemas poderemos usar Santos (SP) também, mas Paranaguá já está separando o fluxo de embarque de grãos da movimentação de contêineres. Com isso pretendemos movimentar nossos suprimentos por lá, tanto importados como de fornecedores nacionais, além de fazer exportações”, conta.

INVESTIMENTO NOS FORNECEDORES

A Paccar negocia investimentos diretos em alguns fornecedores, como é o caso da Automotiva Usiminas, que vai receber em Pouso Alegre (MG) partes estampadas importadas da Holanda e executar a soldagem e pintura das cabines. “Provavelmente teremos de colocar recursos lá para montar uma linha exclusiva”, revelou Davila. No Brasil a Paccar também vai terceirizar a fabricação de alguns componentes, como é o caso dos eixos dianteiros, feitos pela própria empresa no exterior e que aqui serão fornecidos pela Meritor.

Com essa estratégia, será possível chegar a níveis elevados de nacionalização sem aumentar o investimento na fábrica, programado em US$ 200 milhões, com a contratação inicial de 200 empregados diretos para produzir cerca de 1 mil unidades em 2013 – o número deve chegar a 500 funcionários para fazer de 4 mil a 5 mil veículos em 2014. “Só não abrimos mão da montagem final, que é estratégica para manter altos os nossos padrões de qualidade”, diz Davila. Dos fornecedores é exigido índice máximo de 50 ppm (peças defeituosas por milhão). A linha de produção paranaense, a oitava planta de caminhões do grupo no mundo, “vai adotar as melhores práticas da Paccar”, segundo informa o executivo. Por isso a liderança do projeto é de engenheiros da fábrica de Leyland, na Inglaterra, onde atualmente a empresa apura os mais altos indicadores de eficiência e qualidade.

A Paccar divulgou a lista de seus 15 maiores fornecedores no Brasil. Veja abaixo:

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