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Tecnologia e Engenharia | 05/03/2012 | 21h30

Centro de desenvolvimento da Mercedes no Brasil completa 20 anos

Subsidiária brasileira é um dos polos globais para projetos de caminhões e ônibus

Pedro Kutney, Automotive Business

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Foto: Estúdio de design do Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da Mercedes-Benz no Brasil.

Pedro Kutney, AB

O Centro de Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da Mercedes-Benz no Brasil completou 20 anos de funcionamento com números recordes a comemorar, incluindo três anos e meio de trabalho para renovar 100% da linha de veículos comerciais da marca produzida no País, que estreia este ano no mercado brasileiro com os novos motores Euro 5 – atendendo aos limites de emissões do Proconve P7, em vigor desde janeiro passado. O CDT é um dos seis da companhia no mundo para projetos de caminhões e um dos três (e único fora da Alemanha) de ônibus, com responsabilidade global para o desenvolvimento de chassis.

Localizado dentro da planta industrial da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP), o CDT foi o primeiro da empresa fora da Alemanha e é atualmente o maior localizado em uma subsidiária estrangeira. As instalações ocupam 18 mil metros quadrados entre estúdios de design e engenharia, laboratórios e bancos de provas. Hoje 650 funcionários contam com instrumentação completa para desenvolver caminhões e chassis de ônibus desde o primeiro traço, passando pelo projeto de componentes até os testes e validações finais de peças e veículos inteiros.

“Somos hoje um dos polos da rede mundial de desenvolvimento da Daimler Trucks”, diz Walter Sladek, diretor de desenvolvimento caminhões e agregados da Mercedes-Benz do Brasil. “Estamos no mesmo nível das unidades similares da Daimler na Alemanha, Estados Unidos, Japão e Turquia, realizando trabalhos globais e desenvolvendo projetos que podem ser lançados em outros países. Isso confirma a capacidade brasileira de gerar soluções com alcance mundial”, afirma.

DESENVOLVIMENTO COMPLETO

Como exemplo lapidar dessa capacidade, Sladek contabilizou alguns dos grandes números que envolveram o desenvolvimento da nova linha de veículos Euro 5 da Mercedes-Benz no Brasil. Foram calculadas, simuladas, produzidas e testadas cerca de 2,5 mil novas peças, que tomaram 40 mil horas de testes de laboratório, com simulações de rotas no Brasil e no mundo. Os novos motores consumiram 55 mil horas em bancos de provas. Por fim, os testes de rodagem somaram 10,5 milhões de quilômetros com 100 veículos, que trafegaram em estradas e nas pistas de testes da Fazenda Pimenta, perto de Campinas (SP), que a fabricante aluga para avaliar seus caminhões e ônibus. Durante o processo, 7 mil amostras de óleo foram coletadas para análises.

Um dos destaques do CDT de São Bernardo é a sala de testes de componentes, denominada Hydropuls. A instalação reúne uma série de simuladores mecânicos de rotas (que incluem os diversos buracos no caminho) capazes de testar à exaustão desde pequenas peças até cabines inteiras. Um teste de durabilidade de 50 mil quilômetros, que levaria cerca de um ano para ser feito com um veículo, dura apenas de três a quatro semanas no Hydropuls. Os simuladores são usados não só para o desenvolvimento de novos caminhões ou ônibus, mas também para qualquer novo componente que possa ser oferecido por fornecedores.

CDT
Hydropuls: sala de testes simula todas as forças possíveis sobre os componentes do veículo.

A ala de desenvolvimento e validação de motores ocupa espaço considerável, é o metro quadrado mais caro do CDT em São Bernardo. São 11 salas de provas que simulam regimes de funcionamento em diferentes condições, não só no Brasil, mas de diversas partes do mundo. Sete desses bancos são equipados com medição de emissões, inclusive para validações oficiais. Tudo está interligado com os centros de engenharia da Daimler no mundo, permitindo a troca de informações on-line, em tempo real, de todas as 150 grandezas avaliadas.

O banco de provas de motores tem à disposição cinco tanques de 15 mil litros cada, para armazenar diferentes tipos de combustível, incluindo os alternativos como biodiesel e diesel de cana, que estão atualmente em testes na Mercedes-Benz. Em 2011 a ala consumiu 908 mil litros de combustível, o equivalente ao gasto de um caminhão pesado em cerca de 2,5 milhões de quilômetros rodados.

CDT
Banco de provas de motores: metro quadrado mais caro do CDT da Mercedes-Benz em São Bernardo.

Para projetar os veículos, o CDT brasileiro da Merdeces-Benz tem três estúdios de desenvolvimento de cabines, equipados com todos os recursos de informática necessários para a execução de projetos que começam virtuais e vão até a montagem de protótipos, passando pelo desenho e especificações técnicas de cada peça e da própria montagem do veículo.



Tags: Mercedes-Benz, Daimler, CDT, Centro de Desenvolvimento Tecnológico, Brasil, São Bernardo, caminhões, ônibus.

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