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Autopeças | 12/03/2012 | 20h03

Steven Kiefer: corrida na direção do powertrain

Vice-presidente da Delphi quer estar próximo dos clientes

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Paulo Ricardo Braga, AB

Em mais uma de suas frequentes visitas ao Brasil, Steven Kiefer (foto), vice-presidente sênior da Delphi para sistemas de powertrain, recebeu Automotive Business para uma entrevista sobre os novos cenários na área de motores e combustíveis. Familiarizado com o mercado local, ele falou com desembaraço sobre questões em pauta, como eficiência energética, downsizing, partida a frio e etanol.

Kiefer reconheceu que o País tem uma solução excepcional com o etanol para redução de emissões do efeito estufa (CO2), mas não escondeu a decepção pelo fato do programa de abastecimento do combustível verde andar de lado. "É surpreendente o Brasil ter que importar o álcool norte-americano depois de tanto esforço para ser exportador", observa. Ele lembra que etanol e gasolina demonstram emissões equivalentes no escapamento dos veículos, mas o primeiro leva vantagem no ciclo completo, já que a cultura da cana-de-açúcar absorve CO2 da atmosfera.

Com as mudanças no regime automotivo brasileiro, que deverá trazer metas de eficiência energética, Kiefer projetou uma forte movimentação no segmento de powertrain. A partir de projetos internacionais, os fabricantes de motores trabalham em downsizing, com a incorporação de tecnologias de injeção direta, turboalimentação, maior controle no acionamento de válvulas, redução de massa, menor nível de atrito entre componentes. Os avanços serão adotados progressivamente em novas famílias de propulsores (muitos terão 3 cilindros) que serão redesenhadas para substituir as atuais, baratas mas com limitações para alcançar metas de eficiência rígidas.

O executivo da Delphi previu um lento declínio na utilização dos derivados de petróleo em nível global, que terão posição privilegiada no abastecimento veicular. E os elétricos e híbridos, como ficarão? "Apesar de todo o barulho na mídia, representarão ainda algo como 3% das vendas globais no final da década, com avanço maior na Ásia, Europa e Estados Unidos". Um dos desafios será assegurar a disponibilidade de eletricidade de fonte limpa para atender eletropostos e a recarga doméstica. "Há ainda muita geração de energia a partir do carvão, que gera emissões e resíduos indesejáveis", enfatizou.

Os desafios em projetos de híbridos e elétricos não passam apenas pelas baterias caras e com limitações de carga, mas também pela arquitetura eletroeletrônica e controle térmico, que inclui arrefecimento e climatização. A Delphi não produz baterias, mas atua intensamente no campo de arquiteturas eletrônicas e na área térmica, com a criação de sistemas mais compactos e eficientes na troca de calor.

Ele disse enxergar os carros elétricos como tipicamente urbanos até que a questão da autonomia seja melhor resolvida, com troca rápida de baterias, desenvolvimento de projetos que permitam acumular maior densidade de carga e facilidade de recarga. Veículos comerciais elétricos nas rodovias? A alternativa está fora de questão, já que a autonomia em longas viagens dependeria de um pacote inviável de baterias. Híbridos seriam também uma solução intermediária em direção a elétricos.

CARREIRA NA GM E DELPHI

Kiefer desenvolveu a carreira a partir da General Motors, no North American Car Group, quando ainda era estudante. Atuou em diversas frentes na área de engenharia, foi engenheiro sênior de projetos, atuando no Milford Proving Grounds da GM e na divisão de Powertrain da Delphi, baseado em Luxemburgo, Toquio e na região Ásia Pacífico.

Retornando aos Estados Unidos, atuou na área de sistemas de gerenciamento avançados para motores. Em 2005 foi nomeado diretor geral da Delphi Thermal Systems, na operação europeia, e a seguir retornou para a matriz como diretor de engenharia e novos mercados. Em 2009 foi apontado como diretor geral de engenharia e diretor executivo da divisão HVAC.

Com escritório em Luxemburgo, comanda atualmente as atividades da Delphi Powertrain Systems. Aos 48 anos, enfrenta com dinamismo o desafio de estar próximo dos clientes para entender suas necessidades. "É preciso tomar o pulso também de cada mercado, para chegar a decisões estratégicas acertadas sobre o esforço a ser aplicado em cada segmento".

SOLUÇÕES REGIONAIS

Para ele, os avanços da globalização não eliminaram a exigência de atender determinadas regiões com soluções específicas. "É o caso do Brasil com o etanol. A partida a frio criada para o mercado local tem um papel importante no desempenho do veículo e redução de emissões, sem esquecer o conforto de eliminar o reservatório auxiliar", explicou, esclarecendo que o sistema de aquecimento integrado ao injetor de combustível permite a partida de motores flex com uso somente de etanol a temperaturas do motor abaixo de zero. A combustão tem resultado mais eficiente, com até 70% de redução de emissões no uso de etanol e até 20% quando no uso de gasolina.

Kiefer destacou também o desenvolvimento local da nova Mapec 3.0, central elétrica de comando para mercados emergentes, desenvolvida por engenheiros brasileiros, que possibilita aumento de funcionalidades e utiliza gerenciamento energético e telemetria para monitorar e ativar funções elétricas do veículo.

Referindo-se ao refrão criado pela Delphi para expressar a atuação baseada em sistemas verdes, amigáveis ao meio ambiente e seguros, juntamente com uma elevada dose de conectividade, ele justificou a agenda cheia de alternativas, com múltiplas viagens para as visitas aos clientes. "É preciso encontrar respostas para todos os cenários, em um segmento que passa por profundas transformações. E o powertrain está no centro das mudanças", finalizou.



Tags: Delphi, powertrain, emissões, eficiência energética, turboalimentação, injeção direta, elétricos, híbridos.

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