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22/03/2012 | 18h44

Caminhões e Ônibus

Crise de nervos no mercado de caminhões

Empacam vendas de P7 e fornecedores registram programação em queda


Redação AB

Paulo Ricardo Braga, AB

Com a comercialização de apenas 540 caminhões P7 no mercado interno até 13 de março, de um total de 30,3 mil unidades emplacadas, os fabricantes de veículos comerciais e seus fornecedores estão à beira de um crise de nervos. O que deu errado afinal na estratégia para a mudança na legislação?

A grande maioria dos veículos vendidos no ano corresponde a motores ainda da classe Euro 3 (P5). Embora os pátios das montadoras estejam praticamente limpos desses produtos (caminhão Euro 3 da fábrica deve ser necessariamente faturado para a rede até 30 de março), a rede ainda tem estoques elevados.

A preocupação maior na virada da legislação, em 1º de janeiro, era não haver combustível limpo (Diesel S50) ou Arla 32, agente redutor necessário para atender as tecnologias de pós-tratamento SCR. Os caminhões ficaram prontos a tempo, mas hoje a atenção volta-se para a pequena frota de caminhões P7 em circulação, que não garante o giro do Diesel S50 nos postos. Esse diesel limpo, com menor conteúdo de enxofre, tem vida curta, por causa do biodiesel, sujeito à ação de bactérias. O resultado é a deterioração do combustível.

Enquanto as vendas de caminhões derrapam, fabricantes e seus fornecedores buscam respostas para a hesitação dos frotistas em ir às compras. Para alguns analistas, o avanço nos preços dos veículos seria um obstáculo. Haveria um custo operacional elevado pelo custo extra do Diesel S50 e Arla 32. Ressabiados, os operadores logísticos estariam à espera de referências para fazer as encomendas.

A queda nas vendas e na produção já levou à programação de férias coletivas nas fábricas, como mostrou Automotive Business (leia aqui). O baixo volume de encomendas de componentes, no entanto, representará uma ameaça ao emprego e, em segunda etapa, na retomada do setor.

Dados da Anfavea apontaram recuo de 28,8% no número de caminhões produzidos em fevereiro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Segundo escreveu Daniela Amorim no Estadão, em janeiro o resultado da produção industrial já tinha sido prejudicado por férias coletivas em quase todo o setor. A paralisação teve o intuito de adequar o parque industrial à exigência prevista na legislação de mudança do motor para o modelo Euro 5, com tecnologia menos poluente. O segmento contribuiu para a queda de 2,1% na produção total do País de janeiro em relação a dezembro e de 3,4% na comparação com janeiro de 2011.

A Anfavea aponta que foram produzidos 11.974 caminhões em fevereiro de 2012, ante 16.806 em fevereiro de 2011. A fabricação de veículos responde por 10% a 11% da taxa da produção industrial; os caminhões têm fatia de 1,5%. Se as novas paralisações nas linhas de montagem ocorrerem de fato, podem contaminar a fabricação de peças, motores e chassis.

ALERTA IGNORADO

Pouca gente deu atenção ao CEO da MAN, Roberto Cortes, quando em outubro do ano passado sugeriu a adoção de um Finame Verde para incentivar a introdução da nova geração de caminhões com powertrain Proconve P7. Os empresários que antecipassem a compra dos veículos com tecnologia equivalente a Euro 5 teriam taxas menores, justificadas pela contribuição ao meio ambiente com menor nível de emissão.

É preciso admitir que não havia muito clima, na época, para o Finame Verde, apesar da sensatez que ele sugeria. O governo, a ANP, a Anfavea, os fornecedores e outros players estavam empenhados em um corrida para fechar o programa P7 e apresentá-lo na Fenatran, assegurando que não haveria um fiasco como o ocorrido na passagem frustrada para Euro 4.

Comentários: 10
 

ADILSON JOSE DE QUEIROZ
17/05/2012 | 22h37
Senhores, sou um colaborador da Mercedes Benz do Brasil Ltda, sou Montador, a realidade de hoje é bem diferente dos anos ou crises anteriores, e por mais que culpamos os governantes, os vendedores, os extrategistas de mercados, os diretores e os Presidentes ... mais acreditamos que tudo isso foi um Circo que no ano de 2011 foi montado e agora rasgaram a lona central, é impossivel de se acreditar que homens que percebem salarios 100 vezes mais que um montador, não estavam sabendo que esse quadro iria acontecer, é inconcebivel acreditar que um predio Central com tantos intelectos deixaram a casa cair, e observe que nos ultimos 8 anos as montadoras lucraram o suficiente para se manterem nos próximos 20 anos, só tem um detalhe ... em épocas de vacas gordas os valores são invertidos, tudo é sorriso, prova disso é a falta de investimento verdadeiros, não investimentos para tapar buracos, e hoje mais uma vez nos deparamos com essa maldade.

Adilson José de Queiroz
17/05/2012 | 22h57
Não acredito em crises, acredito situações criadas pelos homens que desconhecem a palavra Trabalho, sou um montador de primeira linha da Mercedes Benz do Brasil Ltda, e em 15 anos nunca presenciei uma crise interna ou externa, mas posso afirmar que se não fosse por nós, homens da produção, ela estaria presente com toda sua força, e o quadro hoje sem duvidas seria o mais próximo daquilo que estamos vivenciando. Com certeza nós sabemos que em algum lugar muitas são as pessoas que estão mais milionarias em gerar a tal crise. Gratos

Marcelo
23/05/2012 | 23h44
Diretoria incompetente, todo mundo sabia que as vendas seriam antecipadas em 2011, mas me diga como a volks ainda tem estoque de EURO 3 e na Mercedes acabou faz tempo. Planejamento mau feito a anos sabia que a norma mudaria, e preveram isso. A alemanha ja passou a legislação do EURO 5 a muito tempo e como que aqui existe tantos impecilios com esse motor???....a lembrei aqui é Brasil.

marcos senra
31/05/2012 | 09h34
O meio ambiente,pagou o preço alto durantes anos.a legislação que socorre o mesmo;tira de uma grande massa de trabalhadores seu sustento.

marcos senra
31/05/2012 | 09h47
O meio ambiente,pagou o preço alto durantes anos.a legislação que socorre o mesmo;tira de uma grande massa de trabalhadores seu sustento.sou um trabalhador metalúrgico,que tem como cliente as montadoras,que desde da virada com implantação da nova legislação;sem um planejamento correto;tem causado transtornos a todos colaboradores diretos e indiretos.De uma solução imediata é que precisamos;pois senão outros setores da economia,serão afetados.grato,Marcos-Rio de Janeiro-31/05/2012.

Daniel Rodrigues da Silva
31/05/2012 | 11h17
Sou funcionário da Mercedes-Benz, e ficarei em casa até novembro deste ano. Infelizmente apesar do nosso país estar já a um bom tempo em crescimento os nossos políticos ainda são os de antigamente que não fazem nada sem receber em troca e são muito lentos em tomar atitudes para melhorar o mercado digo isto em relação ao novo combustivel Diesel S-50. Continua......

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