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Política e Legislação | 26/03/2012 | 17h51

Regime automotivo: faltam medidas para estimular a indústria no longo prazo

Para Keese, da Roland Berger, falta consistência

Giovanna Riato, AB

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Giovanna Riato, AB

As medidas do novo regime automotivo anunciadas pelo governo até agora não são capazes de estimular a competitividade da indústria no longo prazo. A conclusão é de Stephan Keese, sócio-diretor da consultoria alemã Roland Berger. Durante apresentação no simpósio Novas Tecnologias na Indústria Automotiva, realizado pela SAE Brasil em São Paulo na segunda-feira, 26, o consultor afirmou que a política para o setor revelada até agora é capaz apenas de permitir que as montadoras instaladas no Brasil ampliem suas margens no curto prazo.

Os objetivos das ações são claros. O primeiro deles é limitar o avanço dos carros importados no mercado nacional e assim proteger o emprego no País, que vem crescendo a taxas menores, assim como as vendas de veículos. Outro foco é estimular o desenvolvimento tecnológico para que os modelos produzidos localmente possam disputar espaço no mercado externo.

Para Keese, no entanto, ainda não há consistência nas novas regras, anunciadas ou em gestação no governo. O consultor avalia que restam muitas dúvidas sobre os períodos de adaptação e acerca do controle e monitoramento das exigências. “Hoje o governo não tem capacidade ou competência para isso”, analisa. Segundo ele, esse é o motivo de todas as montadoras associadas à Anfavea terem recebido habilitação provisória para comercializar veículos sem o adicional de 30 pontos no IPI, a ser cobrado das empresas que não cumprirem o mínimo de 65% de conteúdo regional e no mínimo seis de 11 operações industriais no País.

“Outro fator negativo é a mudança de regras no meio do jogo, que afeta os investimentos”, aponta. Brilliance, Chery, Changan, Land Rover, JAC, Suzuki e Lifan tiveram projetos prejudicados após o anúncio das medidas. “O planejamento das fábricas está suspenso e depende da definição do regime”, explica. Keese estima que está em jogo no momento capacidade instalada adicional de 500 mil unidades anuais.

AUMENTO DA COMPETITIVIDADE

O consultor afirma que produtividade, tecnologia e inovação são os pontos essenciais para alavancar a competitivudade da indústria local. Para ele, o mercado nacional já conta com modelos com alto conteúdo agregado. Um exemplo é o Nissan March, que apesar de brigar no segmento de compactos populares, traz itens como direção elétrica e airbag duplo de série. “A questão é que estes dispositivos chegam em carros importados”, lembra. Keese afirma que é necessário aproveitar melhor a competência da engenharia nacional.

Já como medidas de incentivo à produtividade, o consultor avalia que é necessário reduzir custos de produção, encargos sociais e cortar burocracia. “Uma empresa brasileira precisa de mais de 2,5 mil horas de trabalho por ano para pagar seus impostos. Em alguns países da Europa são necessárias apenas 50 horas”, explica.

DESAFIO PARA OS FORNECEDORES

Os fornecedores locais podem enfrentar dificuldades para acompanhar o avanço tecnológico necessário para tornar o carro brasileiro competitivo. Estudo da Roland Berger aponta que o investimento em pesquisa e desenvolvimento das montadoras de automóveis no Brasil corresponde a cerca de 2,2% do faturamento. Apesar de o índice ser inferior ao das fabricantes de veículos instadas em outros países, que fica em torno de 5%, ele ainda é maior do que o registrado entre os fornecedores da cadeia automotiva nacional, de apenas 0,5%.

Rogélio Golfarb, diretor de assuntos governamentais da Ford, concorda que há certa insegurança acerca da capacidade de a cadeia de suprimentos acompanhar a evolução das montadoras. “Precisamos de componentes com custos competitivos, garantia do fornecimento e de qualidade”, observa.

Assista a entrevista exclusiva de Stephan Keese à ABwebTV:



Tags: regime, automotivo, indústria, incentivo, produção, fábrica, montadora, Roland Berger, Ford.

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