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Política e Legislação | 26/03/2012 | 19h19

Regime automotivo: poucas mudanças à vista

Legislação impactará de diferentes formas

Sueli Reis, Automotive Business

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Foto: Reinaldo Muratori (esquerda), da Mitsubishi, e Marcos Paiva, da GM, falam sobre o novo regime automotivo em simpósio promovido pela SAE Brasil. (Ruy Hiza)

Sueli Reis, AB


Ainda não foi divulgado, mas o regime automotivo já provoca discussões nas operações das engenharias brasileiras do setor. O tema foi debatido entre os diretores de engenharia da Mitsubishi, Reinaldo Muratori, e o de planejamento e programas de gestão da General Motors, Marcos Paiva, no painel "Tendências Globais e Cenários para o Brasil com as Mudanças no Regime Automotivo", no Simpósio da SAE Brasil sobre Novas Tecnologias Automotivas, realizado nesta segunda-feira, 26, em São Paulo.

Os executivos concordam que o novo regime automotivo não deve trazer grandes mudanças com relação ao que está em vigor hoje, segundo os decretos 7567 e 7604, baixados em setembro e outubro do ano passado, que determinaram, entre outras medidas, o aumento de 30 pontos porcentuais no Imposto sobre Produtos Importados (IPI) para veículos com conteúdo nacional abaixo de 65% ou importados de fora do Mercosul e México. Para Muratori, o novo regime deve trazer mais aperto no que diz respeito ao índice de nacionalização de 65%, com tendência de aumento.

“Esperamos que as medidas englobem incentivos para aquelas empresas com planos reais e consistentes de investimentos no País. Que tipo de incentivo? Não saberia responder, mas se ouve a questão dos créditos do IPI para os modelos que serão nacionalizados, cota de dedução do imposto ou incentivo para veículos mais econômicos e que têm maior eficiência energética.”

Muratori explica que as medidas já anunciadas causaram impactos de intensidade diferentes para cada montadora instalada no País. No caso da Mitsubishi provocou a aceleração do processo de nacionalização de seus modelos. O executivo revela que pelos cálculos da empresa, os veículos importados atingiriam 40% do volume de vendas da marca em 2014. “O plano era investir na produção dos dois modelos importados de maior volume a partir de 2015, mas as medidas anteciparam o investimento em um ano”, conta.

A intenção da montadora é que, em 2014, 90% do volume de vendas sejam de veículos montados no Brasil - em 2010 esse índice variava de 75% a 80%, disse Muratori. A Mitsubishi mantém planos de reforçar seu conteúdo nacional com a produção de motores em uma nova unidade em seu complexo industrial em Catalão (GO), mas não há planos de produzir transmissões no Brasil.

Para a GM, as medidas que desenham o novo regime automotivo não impactaram tão fortemente, segundo Paiva. “A GM importa poucos veículos para o Brasil, e a maior parte do que trazemos vêm da Argentina e México, para os quais não incide o aumento do IPI. A sobretaxação resultou em custo para a montadora e seus concessionários, mas por enquanto vamos observar como isso será aplicado no preço pelos concorrentes.”

Paiva também defende os incentivos para as montadoras que já têm atividades no País, mas pede melhorias também para outros setores: “É necessário que o governo pense na política industrial como um todo, não só automotiva. Há setores que carecem de atenção, como infraestrutura, logística, política fiscal e política tributária, que devem ser repensados para o País voltar a ser competitivo.”



Tags: Regime automotivo, Mitsubishi, General Motors, IPI.

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