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Mercado e Negócios | 30/03/2012 | 21h50

Para COO da Renault, nacionalizar reduz riscos

Tavares visita Brasil e diz que empresa está em vantagem aqui

Pedro Kutney, Automotive Business

Pedro Kutney, AB

O chefe de operações (COO) mundial da Renault, o português Carlos Tavares(foto), julga que a fábrica brasileira do grupo tem vantagens competitivas no cenário da política industrial do governo que induz à maior nacionalização de processos e componentes. “Essa política não nos preocupa em absoluto, porque a Renault já tem alto nível de nacionalização aqui e há oportunidades de aumentar ainda mais”, disse o executivo, destacando que o grupo poderá trazer mais fornecedores ao Brasil. Ele avalia que “nacionalizar reduz riscos cambiais e cria vantagens competitivas”.

Para Tavares, a tendência protecionista da política industrial brasileira não afeta a Renault. “As medidas fazem sentido para proteger a indústria local e nós estamos completamente à vontade com isso. Não temos o risco do México (a empresa não importa de lá) e 93% dos carros que vendemos nas Américas são feitos na própria região”, ressaltou, lembrando das fábricas no Brasil, na Argentina e Colômbia. Aliás, a planta colombiana ganhou maior relevância este ano, pois em maio começa a exportar para o México e outros mercados sul-americanos o Sandero e o Duster, que serão montados em CKD, com partes desmontadas recebidas do Brasil.

O executivo disse que a decisão de exportar a partir da Colômbia, e não diretamente do Brasil como vinha acontecendo, não tem qualquer relação com a renegociação do acordo de comércio com o México, para onde a Renault mandou do Paraná menos de 5 mil carros em 2011. “Isso está ligado a custos e necessidade de abrir espaço na fábrica brasileira para atender à demanda brasileira”, disse.

De fato, as vendas da marca crescem em ritmo muito superior ao do mercado, cujo desempenho no primeiro trimestre deve ficar estável ou 1% negativo. A fábrica paranaense não sentiu essa queda e continua a trabalhar em sua capacidade máxima de 250 mil unidades/ano, em três turnos, com exportação de 35% da produção para a Argentina. Por isso a unidade já recebe ampliações com o investimento de R$ 500 milhões, anunciado em outubro, que deverá elevar a capacidade para 380 mil veículos/ano (leia aqui).

Tavares, que até julho de 2011 comandava as operações da Nissan na América do Norte, afirma que atualmente o poder de compras da Aliança Renault Nissan mundo é uma arma para reduzir custos globalmente. As duas corporações já têm unidades integradas de suprimentos. “No ano passado o grupo vendeu 8 milhões de unidades e foi o terceiro maior fabricante de veículos do planeta. Por isso já ultrapassamos a problemática do tamanho para ganhar competitividade em compras”, avalia. Segundo ele, com a expansão da Renault em São José dos Pinhais e a construção da fábrica da Nissan em Resende (RJ), a Aliança poderá trazer novos fornecedores ao Brasil. O executivo não disse quais exatamente, mas citou a carência de eletrônicos.

Na opinião de Tavares, a principal vantagem do Brasil é o “nível elevado de talentos de que o País dispõe, pois não há apagão de gestores aqui”, mas ele reconhece que há problemas competitivos, especialmente na “inflação de custos de produção”. Segundo ele, o preço da mão de obra local hoje já é parecido com o dos Estados Unidos. Mesmo não precisando do mercado externo no momento, o executivo enfatiza que “é importante que o País tenha custos competitivos para exportar, para tornar sua indústria eficiente”.

AUTONOMIA REFORÇADA

Segundo na ordem de comando da empresa no mundo (responde diretamente ao CEO da Aliança, Carlos Ghosn), Tavares esteve no Brasil pela primeira vez desde que assumiu a chefia de operações do Grupo Renault. Em dois dias na Argentina e três aqui, fez mais de uma dezena de reuniões com executivos, engenheiros e concessionários da marca. Ele regressou à França na sexta-feira, 30, depois de um rápido almoço com jornalistas, demonstrando confiança na continuação do crescimento da empresa no mercado brasileiro. “Nossa cota vai continuar a aumentar no País”, disse.

Trabalhando na Renault desde 1981, Tavares avalia que a maior independência conquistada pela subsidiária brasileira está diretamente ligada ao sucesso da marca nos últimos dois anos, com dois crescimentos anuais seguidos acima de 20%, muito além da média de mercado. “Estamos reforçando a autonomia da operação no Brasil, que hoje já tem um estúdio próprio de design e centro de engenharia de desenvolvimento”, diz.

Com quase 200 mil veículos vendidos em 2011, o Brasil é hoje o segundo maior mercado da Renault no mundo – só perde para a França, onde a marca vende 700 mil/ano. Segundo Olivier Murguet, presidente da Renault no País, a estratégia para continuar a avançar acima da média do mercado será a mesma: produtos com boa relação custo-benefício. Ele prevê sete lançamentos da marca este ano, mas nenhum carro completamente novo: “Serão novas versões de modelos já conhecidos, como o Sandero Stepway Rip Curl, que acabamos de lançar”, diz. Ele não revela a meta de vendas este ano, confirma apenas que deverão crescer mais do que a média, e que “ficaria contente se for maior que 10%”.



Tags: Renault, Carlos Tavares, nacionalização, política industrial, compras.

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