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Mercado | 15/05/2012 | 21h51

Anfavea costura medidas para salvar ano

Reunião no Ministério da Fazenda se prolonga por dois dias

PEDRO KUTNEY, AB

A reunião entre representantes da associação dos fabricantes de veículos, a Anfavea, e do governo no Ministério da Fazenda, em Brasília, iniciada da segunda-feira, 14, foi prolongada para a terça-feira, 15. Motivo: a negociação de medidas emergenciais para salvar o ano, que a continuar no ritmo atual terminará com expressiva queda de vendas e produção, com consequentes demissões – a moeda de troca mais eficaz dos empresários na hora de negociar acordos de incentivo ao consumo.

Na segunda-feira, o encontro do presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, e outros representantes de montadoras com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, seria para discutir problemas estruturais, mas segundo algumas fontes a conversa descambou para a emergência do problema conjuntural: a queda das vendas. Por isso a reunião foi prolongada para continuar na terça-feira. Na mesa de discussões, além de fórmulas para destravar o crédito, esteve uma velha conhecida de ambas as partes: a redução de imposto por algum tempo, como já foi feito com o IPI em 2009 e parte de 2010. Mas o governo, desta vez, quer contrapartidas por parte das empresas, como congelamento de possíveis demissões e redução integral de preços.

Com a revoada para Brasília de representantes de quase todos os fabricantes de veículos instalados no País, chegou-se a especular que medidas poderiam ser anunciadas até no mesmo dia. No fim da terça-feira, no entanto, uma fonte informou a Automotive Business que nenhum acordo foi fechado e que deve demorar mais algumas semanas para o anúncio de qualquer incentivo ao consumo de veículos.

CRÉDITO

Após a reunião da segunda-feira, Belini declarou à imprensa que as discussões giraram em torno de medidas para destravar os financiamentos (leia aqui), pois com o aumento da inadimplência os bancos se tornaram mais restritivos na aprovação de fichas e esse é o principal fator a pressionar o mercado para baixo. O governo não pode, por decreto, cortar juros e exigências para contratação de crédito, mas pode injetar recursos para empréstimos se reduzir os depósitos compulsórios dos bancos – como também já fez em 2009 e 2010.

No caso do financiamento de caminhões, medidas de aumento de prazos e redução de taxas já foram tomadas com o PSI4, anunciado no começo de abril, que cortou o juro do BNDES/Finame – linha responsável pela venda de mais de 85% dos veículos comerciais no País – de 10% para 7,7% ao ano, elevou o prazo de 96 para até 120 meses e subiu o montante financiável de 70% para 90% do valor do bem. O que os fabricantes pedem agora é mais agilidade na aprovação dos contratos.

PROJEÇÕES PREOCUPAM

A Anfavea ainda mantém as projeções para 2012 de mercado interno de 3,8 milhões de veículos emplacados e produção de 3,47 milhões de unidades. Mas ninguém mais acredita que esses números possam ser alcançados.

Para atingir as projeções atuais da Anfavea, após contabilizar os resultados dos primeiros quatro meses do ano, com vendas de 1,07 milhão e produção de 999 mil, seria necessário daqui para frente vender, na média, 340,5 mil veículos por mês até o fim do ano, e produzir 309 mil unidades/mês. Com base na comparação com períodos recentes, é improvável que isso aconteça. Nos últimos dois anos, a produção só superou a média necessária em agosto de 2011 (325,3 mil); e as vendas só foram maiores nos meses de dezembro de 2010 (381,6 mil) e de 2011 (348,4 mil).



Tags: Anfavea, Fazenda, mercado, incentivos.

Comentários

  • Daniel

    Reduzir a margem de lucro eles não querem, espero que esse governo seja macho e peite as montadoras de uma vez. Chega de ser roubado, chega de LUCRO BRASIL

  • Nabuco Donosor

    Prezados, eu sinto um misto de vergonha, raiva e descrédito com nosso país. Ao invés desse setor industrial diminuir sua absurda margem de lucro eles vem com essa história de diminuir o IPI. Que este segmento industrial que produz os carros mais ultrapssados do mundo e com lucro abusivo comece fazendo sua parte e diminua seus abusivos lucros. Entendo que essa industria automotiva multinacional não merce crédito, pois faz anos que produz refugos a preço abusivo aqui nas terras tupiniquns.

  • Felipe

    Não é a lei do mercado? Quando havia muita demanda, os preços subiram. Agora que a demanda está baixa, diminuam os preços!! E há uma semana Cledorvino Belini dizia não estar preocupado com a queda das vendas em abril! Sei....ta aí o resultado. Correm atrás do governo para diminuir provisoriamente o IPI. Lá na Europa eles conseguiram a diminuição dos impostos? Lá as vendas estão em queda também!

  • Carlos

    Estamos próximos de fechar o primeiro semestre do ano com vendas muito abaixo das previsões mais realistas do mercado. Se nada for feito o mais rápido possível, o ano estará perdido para o setor. As ações de crédito e juros baixos ainda não tiveram grande impacto nas vendas devido a inadimplência do setor e a insegurança do consumidor em assumir novos financiamentos, principalmente por que o valor do bem continua muito caro. A ação em reduzir o IPI para os veículos, mesmo que de forma pontual até o final de 2012 ou meados de 2013, gradativamente como feito em 2009 e 2010, deve ajudar a indútria e o comércio, mas deve ser acompanhado com a redução real do preço do veículo também por parte das montadoras. Criar incentivos para renovação de frota atrelados aos investimentos em infra-estrutura para veículos comerciais, máquinas e equipamentos também irão ajudar a retomar o crescimento neste mercado, sem criar bolhas prejudiciais a economia como um todo.

  • Lindomar

    Quero comprar um carro novo, mas enquanto não baixar o IPI não vou comprar, mesmo que tenha que esperar até o ano que vem. Se reduzir o IPI compro, tenho mais amigos que estão comentando o mesmo.

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