Automotive Business
  
ABLive

Notícias

Ver todas as notícias

Indústria | 21/05/2012 | 20h50

Governo corta IPI dos carros e libera mais crédito

Montadoras se comprometem a diminuir preços além da redução do imposto

PEDRO KUTNEY, AB

Depois de amargar sensível encolhimento do mercado no primeiro quadrimestre deste ano, os fabricantes de veículos ganharam do governo um amplo pacote de medidas para reaquecer as vendas, conforme vinha sendo negociado por integrantes da Anfavea, a associação das montadoras, desde o início deste mês – e adiantado na semana passada por Automotive Business (leia aqui).

Em resumo, o Ministério da Fazenda anunciou no fim da tarde da segunda-feira, 21, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros e, ao mesmo tempo, corte do custo dos financiamentos, por meio da diminuição do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e rebaixamento dos depósitos compulsórios dos bancos – o que, na prática, injetará mais R$ 18 bilhões para crédito no setor, segundo divulgou o Banco Central. Em contrapartida, a indústria se comprometeu a promover descontos adicionais em suas tabelas.

O IPI dos carros foi reduzido por quase três meses, até 31 de agosto. Para modelos 1.0, o imposto cai de 7% para zero, no caso dos enquadrados no regime automotivo, que são os fabricados no Brasil ou importados do Mercosul e México. Para os demais estrangeiros, permanece o adicional de 30 pontos porcentuais e assim alíquota cairá de 37% para 30%.

Até o fim de agosto, os carros com motorização bicombustível etanol-gasolina acima de 1 litro e até 2 litros passam a pagar IPI de 5,5% (eram 11%), ou de 35,5% (eram 41%) para os importados. Nesta mesma faixa de cilindrada, os veículos com motor gasolina pagarão IPI de 6,5% (eram 13%) ou 36,5% (eram 43%). No caso de utilitários e comerciais leves, alíquota cai de 4% para 1%, ou de 34% para 31%.

A Fazenda calcula que a redução do IPI pelos próximos três meses implicará renúncia fiscal da ordem de R$ 1,2 bilhão.

FINANCIAMENTO MAIS FÁCIL E BARATO

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que os bancos (públicos e privados) já se comprometeram com o governo a elevar e facilitar o crédito para a venda de veículos. “Eles prometeram aumentar o volume de recursos para o financiamento de veículos, oferecer planos mais longos, com maior número de parcelas, e reduzir a entrada mínima exigida. Também será reduzido o custo dos empréstimos, com juros menores”, disse Mantega.

Em contrapartida, o governo vai reduzir as exigências de depósitos compulsórios dos bancos para esses financiamentos – essa reserva obrigatória foi elevada em dezembro de 2010 para planos longos e sem entrada, o que tornou mais caro e restritivo esse tipo de operação financeira, tornando inviável a compra de carros zero-quilômetro para alguns milhares de consumidores. “De 2009 a 2011 os consumidores da nova classe média compraram mais de 800 mil veículos financiados em 60 meses sem entrada. Esse é o tamanho aproximado do mercado perdido com as restrições ao crédito”, calcula o economista Ayrton Fontes, consultor independente especializado em varejo automotivo.

Outro fator que contribuirá para reaquecer os empréstimos para compra de automóveis é a expressiva redução do IOF para crédito ao consumo, que havia sido aumentado no início de 2011, foi agora cortado em 1 ponto porcentual, de 2,5% para 1,5%. “Isso vai refletir diretamente no custo do financiamento, que se custasse 20%, cairia amanhã para 19%. É um estímulo expressivo”, destacou Mantega. Só com essa medida o governo estima uma renúncia fiscal de R$ 900 milhões até o fim de agosto.

A combinação de queda dos juros (já anunciada por vários bancos), redução dos depósitos compulsórios e corte do IOF, na avaliação do governo, deverá provocar o barateamento imediato dos financiamentos e, por consequência, causar uma rápida retomada das concessões. É o que esperam também os concessionários, que vinham reclamando do quase desaparecimento dos planos de 60 meses, das altas exigências de entrada (nunca inferiores a 30%) e da grande restrição na aprovação das fichas – as financeiras só estão aprovando 30% a 40% dos pedidos, especialmente por causa do aumento da inadimplência, que quase dobrou no último ano, passando de 3% para 5,7%.

CARROS MAIS BARATOS

Para fechar o pacotão de ajuda, as montadoras prometeram ao governo imediata redução de suas tabelas de preços, com descontos adicionais aos do corte de IPI, também até 31 de agosto. Com isso, os fabricantes vão reduzir em 2,5% o preço sugerido de carros 1.0, em 1,5% no caso de modelos até 2.0 e em 1% para utilitários e comerciais leves. Esses abatimentos vão se somar ao corte no imposto. “No caso de um carro 1.0, a queda de preço chegará a quase 10%”, afirmou Mantega. Ele levou em conta a subtração de 7,3% do valor final do veículo causado pelo corte do IPI e o desconto de fábrica de 2,5%. Os modelos como motorização acima de 1 litro terão redução de 7% no preço total, enquanto os utilitários devem ficar 4% mais baratos.

Com carros e financiamentos mais baratos, além da redução da entrada e alongamento dos planos, a tendência é de significativa redução no valor das prestações, o que tem o poder de atrair algumas centenas de milhares de consumidores para o mercado de carros novos. O governo, no entanto, ainda não arrisca fazer projeções de quanto exatamente deve reaquecer as vendas de veículos no País, que no primeiro quadrimestre do ano caíram 3,4% em relação ao mesmo período de 2011.

“A partir de agora o mercado deve aquecer, pois além da propaganda gerada pela notícia oficial, as montadoras e seus concessionários devem iniciar de imediato campanhas publicitárias, potencializando as informações oficiais, aumentando as vendas e gerando o resultado esperado pelo governo”, avalia Ayrton Fontes. “Os bancos parecem ter cedido aos apelos do governo para flexibilizar os financiamentos, oferecendo prazos de até 60 meses com entrada de 10% a 20%. E quem tiver um carro usado para a entrada, em planos mais curtos certamente vai financiar o saldo com juro zero ou próximo disso”, calcula o economista.

“São medidas para garantir o crescimento econômico. Já demos incentivos a vários setores este ano, como móveis, eletrônicos e linha branca. Agora chegou a hora do setor automotivo, que é um dos mais importantes da economia, com mais de 20% do PIB industrial do País, e também um dos que mais fizeram investimentos nos últimos anos”, disse o ministro Mantega durante a divulgação das medidas, em Brasília. “Queremos ser um dos maiores players do mundo no setor, por isso precisamos fortalecer essa indústria”, finalizou.

Ao mesmo tempo em que anunciou medidas para estimular as vendas de veículos leves no País, o governo também tenta tirar do buraco o mercado de caminhões e ônibus, por meio da redução do custo do financiamento pelo BNDES/Finame (leia aqui).



Tags: Governo, indústria automotiva, Anfavea, medidas, crédito, IPI, IOF, PSI, BNDES, bancos.

Comentários

  • antenor pereira araujo

    ola boa noite,tenho uma pergunta a faser,eu tenho um financiamento de um caminhao,esse finaciamento e de uma financeira,nao e de nenhun banco, com tantas queda de juros gostaria de saber, se esses juros dessas financeiras,cairon tambem.obrigado

  • João Vitor

    Muito boa a medida proposta pelo governo, se as montadoras realmente contribuirem com suas parcelas de ajuda o mercado provavelmente será um dos melhores do mundo, falta melhorar em carros com tecnologias que incorporem um sistema sustentável, pois se esse setor crescer o esperado pelo governo provavelmente seremos tmbm campeões e emissão de CO2.... isso sim seria um problema!

  • Renato

    Comprei um carro a semana passada, e hoje anunciam a redução do IPI. Ainda não peguei o carro, deve demorar ainda uns 15 dias para recebe-lo, como faço para reaver um possível desconto referente a essa redução ??? Obrigado

  • Tiago

    Beleza, agora vamos pagar por um Ford Ka (carro mais barato do Brasil), de R$23.600 por 21.948 por um carro que não tem se quer desembaçador traseiro. A industria automobilística deveria criar vergonha na cara e diminuir a margem de lucro, e também investir em tecnologias, pois dirigimos verdadeiros lixos sobre rodas!!!

  • Ademir Alavarse Bilha

    Mais uma vez as montadoras recorrem ao governo para obter benefícios imediatistas ao invés de lutar por uma política de longo prazo que deveria ser baseada na inovação e redução de custos. Os lucros das montadoras continuam altos enquanto a sua eficiência na redução de custos é lenta e ineficaz. As montadoras mantêm estruturas inchadas e de produtividade duvidosa,com a chegada da Hyundai em Piracicaba e a nova fábrica da Toyota em Sorocaba talvez este quadro dê uma melhorada. Vamos esperar para ver.

  • Flavson Francisco da Silva

    A medida aparentar possibilitar o aquecimento do mercado automobilístico, isto é bom, pois a este produto existe uma série de serviços e produtos agregados que se beneficiaram de um resultado positivo. É importante pensar em algo para as redes de transporte ferroviário, já que o Brasil possui grande potencial para tal.

  • Eduardo Motta

    pro consumidor era melhor como estava antes da redução do IPI... o problema é que os concessionarios vão dar o desconto do IPI em cima da tabela cheia e o preço ficará igual ao praticado antes da redução do imposto, que já era praticado com desconto, ou seja, ficaremos na mesma...não haverá aumento significativo das vendas e nós consumidores não vamos ganhar nada...

  • ANTONIO WELLINGTON

    As empresas estão se beneficiando com, os incentivos do governo mas, estão demitindo.Não adianta o governo da incentivos as empresas ,elas estão usando os incentivos, depois elas demitem,indiretamente o governo está patrocinando as demissões, as intençoes do governo são boas mas alguns empresarios estão agindo de má fé.

  • Wellington

    Comprei um carro, pagamento à vista, no dia 15/05/2012, e em 21/05/2012 anunciam a redução do IPI. Como faço para reaver um possível desconto referente a essa redução? Obrigado.

  • roseli laurentino da silva

    na verdade os carros semi-novos a taxa está muito alto ,por isso reclamações não falta ,mas como vão vender se está caro ,reduziu o ipi dos carros mas as taxas dos bancos são muito cara

  • luzia maria da silva

    queria saber ate q. o ipi vai der reduzindo

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência