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Mercado | 22/05/2012 | 21h25

Fábricas cortam preços, bancos seguem retraídos

Montadoras começam a reduzir tabelas, Fenabrave aplaude e diz que medidas podem salvar o ano

PEDRO KUTNEY, AB

Após o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciar na segunda-feira, 21, medidas (leia aqui) para reduzir o preço dos carros e o custo dos financiamentos, com o objetivo de incentivar o consumo, a maioria das montadoras já comunicou o reajuste para baixo de suas tabelas, válido a partir desta quarta-feira, 23. Os descontos variam de 7% a 10% para o caso de automóveis e são de cerca de 4% para comerciais leves, exatamente como foi combinado com o governo que, em troca do rebaixamento de impostos (IPI e IOF) e flexibilização do crédito (liberação de R$ 18 bilhões em depósitos compulsórios dos bancos), exigiu redução extra de preços por parte dos fabricantes.

Não se sabe ainda se os bancos vão abrir seus cofres para o crédito como o governo disse que haviam prometido fazer, com redução de juros e dos valores da entrada nos financiamentos de veículos, além de dilatar os prazos. Mais uma vez um banco público tenta induzir o avanço dessas medidas. Nesta terça-feira, 22, o Banco do Brasil anunciou o terceiro corte seguido em suas linhas para compra de carros (leia aqui), além de ressuscitar um plano longo, de 58 meses e sem entrada. Contudo, essas linhas só são oferecidas para clientes do banco estatal e, mesmo assim, com bom histórico de pagamentos.

Alguns analistas, contudo, têm duvidas quanto ao poder de “contaminação” que essas ações podem ter no resto do mercado de crédito, afetado negativamente pelo aumento da inadimplência no segmento de veículos, que praticamente dobrou de 3% há um ano para 5,7% agora – o que é muito para esta carteira, pois equivale a quase R$ 11,5 bilhões em atrasos superiores a 90 dias do total de R$ 201,3 bilhões em contratos ativos até março passado. Não é o caso do BB, onde a inadimplência nesse tipo de financiamento recuou de 2,32% no fim de março para 2,22% em abril. Mas os bancos mais expostos ao setor terão de passar meses “limpando” seus balanços desses ativos podres antes de poder voltar a emprestar com maior vigor.

Esta é a maior questão sobre a real eficiência das medidas do governo. Alguns especialistas veem o aumento da inadimplência como sinal de saturação do poder de endividamento das famílias, que compraram muito a crédito nos últimos cinco anos e agora têm mais de 20% da renda comprometidos com dívidas.

CONCESSIONÁRIOS OTIMISTAS

A Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que representa cerca de 7 mil concessionários no Brasil, em comunicado “avaliou como muito positivas as medidas adotadas pelo governo”. A entidade foi uma das representantes do setor automotivo ouvidas pelo ministro Mantega antes do anúncio dos incentivos ao consumo de veículos e defendeu a necessidade de expansão da oferta de crédito em melhores condições, com menor porcentual de entrada e aumento dos prazos.

“Esta foi uma reunião inédita e histórica que reuniu, além do governo – onde também estava presente o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini –,os presidentes dos principais bancos privados, públicos e os setores produtivos (representado pela Anfavea, a associação dos fabricantes) e da distribuição automotiva (representado pela Fenabrave)”, avaliou na nota o presidente da Fenabrave, Flávio Meneghetti.

Meneghetti calcula que o rebaixamento de impostos e preços resultará “em redução que superará os 10% nas parcelas mensais dos financiamentos dos carros 1.0”. Para a Fenabrave, as medidas anunciadas e a intenção dos bancos em ampliar prazos e reduzir a entrada devem estimular vendas e podem salvar o semestre de quedas mais acentuadas. “Acreditamos que essas medidas darão impulso para que se inicie, novamente, um ciclo positivo para o segmento da distribuição de veículos”, disse o presidente da entidade no comunicado distribuído à imprensa no fim da tarde da terça-feira, 22.

Outro ponto destacado foi a redução, para 5,5% ao ano, da taxa do BNDES/Finame (leia aqui) para a compra de caminhões, ônibus e implementos rodoviários, o que na opinião de Meneghetti deverá favorecer as vendas de veículos comerciais pesados, afetadas pela adoção da nova legislação de emissões Proconve P7, que aumentou o preço de caminhões e ônibus de 8% a 15% e fez o mercado se retrair fortemente desde janeiro.

A entidade, no entanto, mantém as previsões anunciadas no início de maio, quando projetou crescimento de 3,5% para os emplacamentos de veículos em 2012, se o PIB do País alcançar a marca de 3%. “Esperamos que as medidas impactem, favoravelmente, as vendas do setor nestes próximos três meses e imaginamos um segundo semestre mais aquecido, com a queda na inadimplência”, destacou Meneghetti.



Tags: Governo, indústria automotiva, Anfavea, Fenabrave, medidas, crédito, IPI, IOF, Banco do Brasil, PSI, BNDES, bancos.

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