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Elétricos | 18/06/2012 | 22h30

BMW se adapta à mobilidade sustentável

Companhia quer ampliar a oferta de serviços

GIOVANNA RIATO, AB | Do Rio de Janeiro (RJ)

O novo cenário da mobilidade urbana no mundo motivou a BMW a reformular os seus negócios. Diante da exigência de redução nas emissões de gases do efeito estufa e soluções para o transporte em grandes cidades, a companhia decidiu apostar na oferta de serviços e desenvolver a gama i de carros elétricos.

A companhia falou das novas ambições durante apresentação na segunda-feira, 18, durante a Rio+20, Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. Até mesmo a presença da companhia no evento já é um indicador das novas apostas da marca. A BMW foi a fabricante de veículos que mais investiu na exposição do evento, com espaço de destaque.

Para o grupo alemão, o atual modelo de negócio das empresas do setor não terá sucesso no futuro. O trânsito carregado e uma boa estrutura de transporte público já faz com que o interesse dos consumidores por automóveis diminua em algumas cidade, como Tóquio, no Japão. Manuel Sattig, gerente de projeto da empresa para a linha i, comparou a situação com a que a indústria fotográfica enfrentou há alguns anos com a popularização da câmera digital. “Precisamos nos adaptar a essa nova realidade”, alerta.

Paralelamente, há ainda a crescente preocupação com o impacto ambiental dos veículos. Para o executivo, o aumento do número de carros vai na direção contrária das metas de redução das emissões de CO2. “Nesse ponto, a indústria é parte do problema e precisa também ser parte da solução.” Na visão de Sattig, o caminho para manter o negócio lucrativo e atender os clientes é ampliar o leque de produtos e serviços.

NOVAS SOLUÇÕES

A empresa pretende oferecer mais aos clientes e ampliar o foco dos carros de luxo para serviços voltados ao mesmo público. A estratégia também passa pela a oferta de carros mais ecológicos, mas que mantenham o apelo esportivo. Uma prévia disso já foi vista no protótipo Mini E (leia aqui). O resultado final chega ao mercado a partir do ano que vem com a linha i.

A empresa prepara lançamento global, inclusive no Brasil, e garante: “esses carros não são apenas para clientes da Europa e dos Estados Unidos”. Por enquanto são dois modelos. O hatchback i3 deve ser o primeiro a ser lançado. Com foco na mobilidade em grandes cidades, o carro elétrico terá autonomia para cerca de 150 quilômetros.

O i8, segundo lançamento da família, é um esportivo híbrido. O motor elétrico do carro é responsável pela propulsão até 35 km/h, o suficiente para o trânsito de uma grande cidade. Em velocidades superiores entra em ação o motor 1.5 a gasolina. Os dois automóveis terão visual futurista, com a carroceria construída em fibra de carbono para garantir leveza e, consequentemente, economia de energia.

A empresa espera que, quando as novidades chegarem ao mercado, o Brasil já tenha uma política fiscal adequada para carros com baixo nível de emissões. Apesar disso, ainda não estima o preço que eles terão no País. Jörg Henning, presidente da operação nacional, aponta que a empresa já trabalha para garantir a estrutura necessária para a chegada do modelo. Entre as medidas, estão negociações com os fornecedores de equipamentos de recarga. “Estamos investindo pesado nessa linha”, admite, sem precisar o tamanho do aporte.

Manuel Sattig lembra que, por maior que seja a aposta, ela foi planejada para ser viável economicamente. “Estamos convencidos de que este é o formato para a mobilidade sustentável”. Só a fábrica alemã de Leipzig recebeu investimento de € 400 milhões para produzir os modelos. O processo industrial também terá impacto ambiental reduzido, com diminuição de 50% no uso de energia, que será 100% renovável, e de 70% no de água. O projeto do carro prevê ainda alto índice de material reciclado.

Para quem duvida do interesse do consumidor em andar em um veículo mais sustentável, Sattig lembra que os modelos têm custos significativamente menores. “Na Alemanha, por exemplo, o motorista roda 100 quilômetros com investimento de apenas seis euros em energia. Esse certamente é um bom argumento”.

O executivo reconhece, no entanto, que a eletrificação não é a solução para todos os problemas de transporte e acrescenta: “também vamos oferecer serviços premium de mobilidade individual”. Os primeiros deles já estão disponíveis para alguns mercados, como o Drive Now. O foco do sistema de compartilhamento de carros da marca é alcançar o cliente que não quer investir em um veículo próprio mas gosta de dirigir um BMW. Outra vantagem é a possibilidade de pegar o automóvel em um ponto e devolvê-lo em outro.

Já o MyCityWay, também disponível em algumas regiões, leva a marca até pessoas que nem mesmo precisam ter carteira de habilitação. A tecnologia para celulares funciona como um sistema de navegação que traz informações de transporte e locomoção sobre diversas cidades, além de utilidades como indicação de bancos e estacionamentos. “Investimos em novos carros, materiais e processos para ter novos clientes”, resume Sattig.



Tags: BMW, mobilidade, carro, elétrico, híbrido, i3, i8, Rio+20.

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