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Internacional | 10/09/2012 | 10h47

Chineses esperam pouso suave das montadoras

Crescimento da indústria automotiva recua para 7%

PEDRO KUTNEY, AB | De Chengdu (China)

''Algo muito raro e extraordinário aconteceu na China. O país saiu de 100 mil carros (de passageiros) vendidos em 1990 para 1 milhão em 2000. Apenas 10 anos depois, avançou para mais de 13 milhões em 2010 e se tornou o maior mercado do mundo. E tudo começou quase do zero, sem engenharia especializada nem design. É um crescimento sem precedentes na história.'' Assim Franco Amadeo, chefe de relações externas e governamentais da Fiat Chrysler Ásia Pacífico, descreveu a jornada da indústria automotiva chinesa na última década, para justificar que será mais que normal, a partir de agora, esperar pela redução desse ritmo frenético.

"Mesmo que a expansão recue agora para 5% ao ano, em um mercado anual de quase 20 milhões de veículo já será algo extraordinário. Muitos países gostariam de ter avanço constante nesse nível", avaliou o italiano Amadeo, em mandarim tão perfeito que por si só já comprova o aumento da importância da China para as montadoras de todo o mundo. Para uma surpresa plateia majoritariamente chinesa que o ouvia no painel de abertura do segundo dia do III Global Automotive Forum (GAF 2012), em Chegdu, na China, o executivo ponderou: "A questão agora é saber se esse pouco será suave ou haverá queda brusca das vendas."

Durante o evento de dois dias que terminou na sexta-feira, 7, a maioria dos analistas presentes apostam que, a partir deste ano, o vistoso mercado automobilístico chinês vai desacelerar para a metade o ritmo visto até agora, adotando passo de um dígito porcentual ao ano, algo entre 6% e 7%, ou até um pouco menos, como já haviam alertado alguns dos principais palestrantes no primeiro dia do GAF 2012 (leia aqui).

Após uma década de crescimento alucinante, este ano as apostas são de avanço de 7% das vendas de automóveis de passageiros na China, para algo em torno de 14 milhões. Problema maior reside no mercado de comerciais leves e pesados (incluindo vans, picapes, caminhões e ônibus), que de 4,4 milhões em 2011 deve cair de 9% a 10% este ano, para cerca de 4 milhões. Com isso, o total da indústria permanece estacionado em 18 milhões de unidades – sem nenhuma expansão, portanto.

TEMOR

O temor é de pouso forçado em função das restrições à venda de veículos nas grandes cidades chinesas já apinhadas de carros, com o objetivo de tentar conter a poluição atmosférica e os congestionamentos cada vez maiores. Para comprar um carro, moradores de Pequim e Xangai podem passar mais de dois anos na fila e pagar caro para obter uma licença controlada a conta-gotas – uma autorização pode custar mais do que o próprio veículo. Na semana passada o governo adotou medida semelhante para Guangzhou. O problema é que 80% das vendas na China estão concentradas justamente nessas grandes manchas urbanas, com mais de 20 milhões de habitantes cada uma.

Analistas avaliam, contudo, que ainda há bastante espaço para crescer nas cidades médias, que para os padrões chineses podem ter mais de 10 milhões de moradores – como é o caso da próspera Chengdu, que sedia o GAF e a continuar no ritmo atual de crescimento da frota pode entrar em breve na lista das restrições.

A situação coloca pressão adicional sobre mais de 30 fabricantes domésticos, a maioria estatal e poucos privados, que disputam um apertado espaço de 27,6% do mercado de veículos leves de passageiros – o resto é dominado por 17 empresas nacionais do governo que mantêm associações (joint ventures) com as principais marcas multinacionais.

"O número de 20 milhões (de veículos leves e pesados por ano) parece vistoso, mas não prova que a China tem uma indústria forte. Precisamos focar mais em qualidade, alinhar a cadeia de suprimentos e buscar a internacionalização", afirmou Huang Yong, vice-presidente sênior e diretor do centro técnico da Great Wall, montadora controlada pelo governo sem ligação com fábricas estrangeiras que atualmente busca abrir mercados no exterior, incluindo o Brasil (leia aqui).

"Acho que o mercado chinês é grande o bastante, assim como são os países emergentes e o resto do mundo. Portanto, as oportunidades são grandes também", avaliou Yong. Ele destacou que, apesar de ser a maior fabricante de veículos do mundo, a China responde por cerca de 20% da produção mundial. "Existe espaço para crescer." Para o engenheiro, as marcas chinesas podem avançar primeiro nos países emergentes, mas também chegarão às nações desenvolvidas.

"Se focarmos só no preço não vamos sobreviver. Precisamos de mais pesquisa e desenvolvimento para agregar valor aos nossos produtos, com parcerias para baixar o custo", disse Zhu Huarong, vice-presidente da Changan, estatal que além de seus próprios modelos também fabrica no país carros da Suzuki, Mazda, Ford, Isuzu e mais recentemente firmou associação com a PSA Peugeot Citroën, provando que a salada chinesa de marcas e fabricantes de veículos ainda promete perdurar por muito tempo, mas em ritmo mais lento.



Tags: China, Global Automotive Forum, Chengdu, indústria, mercado, Franco Amadeo, Fiat.

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