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Mobilidade | 25/09/2012 | 00h12

Simea: falta de infraestrutura prejudica mobilidade

Evento reuniu diversos especialistas, mas nenhum apontou solução de engenharia para curto prazo

CAMILA FRANCO, AB

Na semana nacional do trânsito está sendo realizado na cidade de São Paulo, entre os dias 24 e 25 de setembro, o XX Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva – Simea 2012, que tem como tema este ano a contribuição da engenharia para o transporte e trânsito mais sustentáveis. Sem exceção, todos os profissionais do setor que passaram pelo primeiro dia do evento concordam que a engenharia automotiva, bem como a produtividade da indústria nacional, estão evoluindo a passos largos e bem largos. O problema, sem solução apontada por eles, é que a infraestrutura do Brasil, em especial a do Estado de São Paulo, não tem acompanhado tamanho desenvolvimento.

Antonio Megale, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), organizadora do evento, reconhece que falta – e muito – investimento em infraestrutura para alavancar a mobilidade no País, que hoje tem em média 6 habitantes para cada veículo em circulação. Ele afirma que “veículos com sistemas inteligentes de condução e uma renovação da frota poderiam contribuir para a mudança dessa realidade”. No entanto, o próprio simpósio, que poderia servir de palco para o apontar novas alternativas tecnológicas, principalmente no que diz respeito ao papel da engenharia, apenas se limitou a discutir como anda a mobilidade no Brasil, tratando de ações a longo prazo.

O vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif, acredita em reciclagem da frota veicular como medida para o trânsito e transporte mais sustentáveis. “Estamos muito atrasados no processo de reciclagem automotiva. Só no Estado de São Paulo seriam necessários 350 pátios de recolhimentos de veículos, que poderiam ser monitorados por empresas particulares”, afirma. Otimista, o governante prevê que daqui a 20 anos serão construídos 400 quilômetros de ferrovias somente na região metropolitana de São Paulo - foram necessários 40 anos para a construção de apenas 74 quilômetros de metrô na região.

Para o presidente da Man Latin America, Roberto Cortes, são dois os fatores ligados diretamente à sustentabilidade no transporte: veículos com tecnologia avançada e infraestrutura local. “É fácil seguir os padrões dos veículos europeus e americanos. Já fazemos isso, inclusive. O difícil é ter níveis de transporte parecidos, por causa do tamanho de nosso território, quatro vezes maior que o da Alemanha, e da questão econômica, já que o nosso PIB chega a ser quatro vezes menor comparado ao de países desenvolvidos. A realidade é que o Brasil, que transporta mais de 60% dos seus bens via caminhões, tem apenas 13% de suas estradas pavimentadas. Na Índia, 40% das estradas estão em boas condições”, lamenta.

E ele complementa, satisfeito com o que tem sido feito pelas fabricantes de veículos: “Nós, da indústria automobilística, estamos fazendo a nossa parte. A nossa capacidade de engenharia é admirada e invejada por outros países. Mas a nossa infraestrutura deixa muito a desejar.”

CONTEXTO SOCIOECONÔMICO

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), houve uma explosão do transporte individual em detrimento ao público. “O Brasil trocou o transporte feito por trilho, eletrificado e coletivo pelo individual, sob pneus e carbonizado. E isso se deve ao barateamento do transporte individual, que vem ocorrendo por causa do desenvolvimento da indústria automobilística, e, claro, pelo encarecimento do transporte público. Nos últimos seis anos, os preços da gasolina, dos veículos e das motos subiram abaixo da inflação, diferentemente da tarifa do ônibus, que aumentou mais de 63%, bem acima”, diz Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, técnico de planejamento e pesquisa da diretoria de estudos e políticas regionais do Ipea.

Segundo ele, a recente pesquisa de orçamento familiar, realizada pelo IBGE, mostra que cerca de 15% do gasto da população é destinado ao transporte público (ônibus e metrô). Enquanto que para o transporte privado a despesa é cinco vezes maior, o que inclui aquisição do veículo, manutenção, combustível, documentação, estacionamento, pedágio, entre outros. “A medida que aumenta a renda da população, crescem os gastos com transporte individual”, afirma Carvalho.

Mas como lidar com este contexto socioeconomico sem prejudicar a mobilidade? O técnico do Ipea responde que deveriam ser discutidas políticas de uso do transporte. “É imprescindível valorizar, qualificar e baratear os recurosos públicos. Isso não significa extinguir os carros das ruas, barrando suas vendas, mas evitar o encarecimento do transporte público, que deve ser usado pela maioria dos habitantes.”

Enquanto investimentos não são aplicados em infraestrutura – nos anos 50, uma viagem do trabalho para casa durava em média 10 minutos. Hoje, leva mais de 70 minutos – o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Ailton Brasiliense, acha que moradia, comércio e serviços deveriam estar próximos de corredores de trilhos e de ônibus, a fim de diminuir custos com transporte e melhorar a qualidade de vida da população. No caso de cargas, ele defende soluções previstas há décadas e que deveriam finalmente ser implantadas, como o rodoanel, o ferroanel e o hidroanel.



Tags: Simea, AEA, engenharia automotiva, mobilidade, transporte, trânsito, sustentabilidade.

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