Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Legislação | 26/09/2012 | 16h36

Simea 2012: renovação da frota é solução para redução de emissões

Programa considerado urgente ainda espera por marco regulatório

SUELI REIS, AB

A renovação da frota de veículos é a solução para reduzir significativamente a emissão de gases poluentes e evitar consideravelmente a ocorrência de acidentes no Brasil, entretanto, o País precisa definir urgentemente um marco regulatório para o programa. Esta foi a conclusão da mesa redonda que debateu o tema durante o segundo dia do Simea 2012, Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva (leia aqui), realizado pela Associação Brasileira da Engenharia Automotiva (AEA) na terça-feira, 25, em São Paulo.

Mediado pelo jornalista e editor da Automotive Business, Pedro Kutney, a mesa contou com a presença de Gabriel Murgel Branco, diretor da EnvironMentality, Márcio de Almeida D’Agosto, representante da Coppe-UFRJ, Alfred Szwarc, consultor da Unica, e Marcelo Pereira Bales, do setor de avaliação de programas de transporte da Cetesb.

Os participantes elencaram as diversas vertentes necessárias para pôr em prática o programa de renovação da frota. Murgel Branco, que ajudou a criar o Proconve, lei de emissões de veículos vigente no Brasil, disse que apesar de urgente, a discussão ainda está em processo embrionário.

“Como a renovação passa por várias áreas distintas, mas que se tocam, é necessário criar uma estratégia para equacionar o problema. É preciso ainda encontrar o pai da criança, ou melhor, montar uma família inteira para resolver a questão”.

O programa de renovação de frota inclui uma série de medidas que passam por questões desde o descarte dos veículos antigos e suas peças até a manutenção de um ciclo rigoroso de desvalorização do carro antigo. Parte do elenco do programa já é bem conhecido no meio industrial e comercial, como inspeção veicular, melhoria da qualidade de combustíveis, programa de eficiência energética, redução de emissões e de CO2 e a adequação de veículos de meia idade para redução de emissões (instalação de filtros). Outras também são conhecidas, mas bem mais no âmbito da teoria, como a reciclagem e sucateamento, desmontadoras de veículos e remanufatura.

Segundo D’Agosto, para sustentar a lógica da renovação, é necessário introduzir a logística reversa com caráter de negócio. “Precisamos criar a atração do desmonte, gerar interesse econômico e determinar para onde e para quem serão destinadas as peças e partes passíveis de reciclagem e remanufatura.” E citou como exemplo os pneus inutilizáveis: apenas 40% deles têm destino, a queima na indústria do cimento.

Ele acrescenta que se faz necessária a revisão da matriz do transporte, hoje focada no modal rodoviário, com fatia de 91%, dos quais 81% utiliza energia de origem fóssil.

“Um dos passos é gerar equilíbrio nos modais, desafogando um para aumentar o outro, criar sinergias de integração entre eles para reduzir o consumo e as emissões.”

O consultor da Unica, Swarc, defendeu os incentivos diferenciados para os veículos flex e para aqueles com maior eficiência energética. “Um veículo com 30 anos de fabricação emite 90 vezes mais monóxido de carbono e 70 vezes mais hidrocarbonetos quando comparados com modelos atuais. Se tirarmos das ruas 10 mil veículos antigos, isso significaria 900 mil toneladas a menos de monóxido de carbono na atmosfera”, relata.

Questionado se a indústria sucroalcooleira suportaria atender toda a demanda nacional por etanol, no caso de uma renovação de frota eficaz, Swarc enfatiza que o setor está em fase de revisão dos investimentos. “É fato que a política em prol da gasolina e os custos altos na produção do etanol dificultam o investimento, mas o País tem terra, tecnologia e condições de avançar. É preciso criar as políticas para isso, além de fazer a pergunta ‘que matriz energética nós queremos?’”.

UM COMEÇO?

Bales apresentou como exemplo o programa piloto de renovação de frota que está sendo aplicado em São Paulo, para motoristas autônomos que trabalham no Porto de Santos, no litoral paulista. Por meio do Decreto nº 58.093, de 30 de maio de 2012 (veja aqui), o Estado determinou a equalização das taxas de juros para a compra de caminhões, o que significa que, para este programa, o juro é zero para pessoa física ou jurídica enquadradas como microempreendedor individual que adquirir um novo veículo de fabricação nacional, para substituição de um caminhão cuja data de fabricação excede os 30 anos.

“O motorista entrega o caminhão em ‘troca’ do juro zero, isso significa economia de R$ 50 mil”, resume Bales. Ele conta que a expectativa é de que 1 mil caminhões sejam adquiridos pelos motoristas que realizam o transporte entre os navios e os armazéns do porto. Como parte do processo de desvalorização do caminhão antigo, duas empresas estão em processo de licenciamento junto à Cetesb que serão responsáveis pela reciclagem dos caminhões e peças. Ele acrescenta que será dado baixa do caminhão entregue e que essas empresas serão proibidas de revender as peças, como forma de incentivar a renovação.

“Acredito que em 2013 alcancemos o volume de 1 mil veículos vendidos por meio deste programa, e só então será possível avaliá-lo. Contudo, é um começo para incentivar a renovação: o Porto de São Sebastião já manifestou interesse, mas este é um modelo pontual, para caminhões. Os segmentos de ônibus e veículos leves devem definir um modelo, lembrando-se de criar mecanismos de desvalorização do carro antigo, como a proibição de vendas de suas peças desmontadas”, conclui.



Tags: Simea, renovação da frota, emissão, regulamentação.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência