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Marketing | 05/11/2012 | 23h44

Montadoras promovem híbridos e elétricos no Brasil

Empresas apostam em nicho, mas defendem incentivos para alavancar mercado

SUELI REIS, AB

Pouquíssimos deles estão nas ruas, mas as montadoras instaladas no Brasil já dedicam parte de sua atenção, entre milhares de outros assuntos, à importância dos veículos híbridos e elétricos no mercado brasileiro. Embora esta relação seja ainda muito nova, algumas das montadoras presentes no País e que já oferecem este tipo de produto em outros mercados, têm claro interesse em mostrar os veículos que têm na manga nesse nicho que, aos poucos, começa a dar as caras por aqui.

Parte da estratégia de marketing das empresas para apresentar estes veículos ao mercado brasileiro foi tema de um dos painéis do Simpósio SAE Brasil de Veículos Elétricos e Híbridos, realizado na segunda-feira, 5, em São Paulo.

A Ford é a pioneira na importação de carro híbrido no Brasil, e trouxe o primeiro modelo em 2010. O gerente geral de marketing, Oswaldo Ramos, conta que desde então, registrou a presença de 250 unidades do Fusion Híbrido em solo brasileiro. Deste primeiro lote, 200 unidades serviram frotas corporativas e varejo, sendo cem unidades para cada uma. Segundo Ramos, os veículos serviram como cartão de visita da nova tecnologia, que combinava um motor a combustão a outro elétrico, movido a bateria de níquel, que faz até 75 km/h no modo elétrico. As demais 50 unidades compõem a frota interna da montadora, dedicada à diretoria, marketing e frota para imprensa, além de 5 deles que vieram apenas para testes.

“No meio corporativo, é difícil criar situações para apresentar as novidades do setor, porque é uma parcela de clientes que já conhece bem o mercado. No caso do Fusion Hibrido, foi uma oportunidade de estar mais perto desses consumidores em potencial”, ressaltou Ramos.

A Ford investiu ainda em outras ações, como a entrega de um modelo híbrido ao governo brasileiro em comodato, para uso da presidência. O veículo foi entregue ao ex-presidente Lula durante o Salão do Automóvel de 2010, em São Paulo. A aposta da Ford em carros híbridos no mercado brasileiro continua, tanto que a empresa anunciou há algumas semanas o início das vendas globais da nova geração do Fusion Híbrido, estratégia que inclui o Brasil. O novo modelo mantém os 8 anos de garantia da geração anterior, mas traz algumas novidades além do design, como as novas baterias de íons de lítio, mais leves, e autonomia para fazer até 100km/h no modo elétrico.

No caso da BMW, a empresa já anunciou que trará ao País sua nova divisão BMW i, só de híbridos e elétricos, em 2014. Mas por enquanto só virá o híbrido. Segundo o diretor de pós-vendas da BMW no Brasil, José Sétimo Spini, apesar do interesse em introduzir seu modelo híbrido aqui, a empresa não tem intenção de produzi-lo localmente, em sua nova fábrica que será construída nas redondezas de Joinville (SC). “Nada está descartado, mas não está planejado produzir nosso híbrido no Brasil por questão de escala.”

Enquanto não há interesse da BMW em produzir aqui, esta é exatamente a bandeira da Fiat. A montadora, que mantém desde 2006 uma parceria com a usina de Itaipu, que resultou na versão elétrica da Palio Weekend, está em processo de desenvolvimento de fornecedores de componentes para veículos elétricos. A informação é do supervisor de veículos especiais da Fiat, Leonardo Cavalieri. “A Palio Weekend é movida a bateria de cloreto de sódio, matéria-prima que sobra na natureza, diferente do lítio e que ainda tem complicações por motivos políticos. Itaipu está custeando o desenvolvimento da produção dessas baterias aqui. O governo tem incentivado de alguma forma, a produção local.”

Para o diretor comercial da Toyota, Frank Peter Gundlach, apesar das tentativas iniciais para avaliar a produção brasileira de híbridos e elétricos, ainda há muito a se fazer para desenvolver o mercado, que por enquanto, conta 100% com a importação. “É extremamente coerente que a Anfavea trabalhe coesamente a questão junto ao governo para pleitear incentivos, que são mecanismos fundamentais para testar a aceitação do consumidor”, defende.

A marca anunciou na semana passada, durante o Salão do Automóvel de São Paulo, que seu modelo híbrido Prius chega ao Brasil em janeiro de 2013, por R$ 120 mil. O modelo é o híbrido mais vendido do mundo, com 3,2 milhões de unidades. Gundlach destaca que na maior parte dos mercados onde é vendido, o governo local oferece incentivos, como a redução de impostos, para aqueles que optam pela compra de veículos mais eficientes, como um híbrido ou elétrico.

“Esperamos contar com o governo brasileiro com a redução da carga tributária, como IPI, ICMS ou IPVA, que seria repassada ao consumidor.”

Outra ação da Toyota é a introdução do mesmo modelo híbrido Prius na frota de táxi de São Paulo, a exemplo do que fez a Nissan com o elétrico Leaf.

O diretor de marketing da GM do Brasil, Gustavo Colossi, aponta que o caminho do híbrido e do elétrico no Brasil é irreversível, e que o processo de produção local dependerá da escala. A empresa, que já trabalha no desenvolvimento da segunda geração do Volt, ainda não tem data prevista para o lançamento de seu veículo híbrido no Brasil. Ele diz que o País começa a desenhar algum interesse, com o novo regime automotivo.

“O Inovar-Auto provavelmente não é a solução dos problemas que veículos híbridos e elétricos encontram no País, mas é um incentivo para trazer e vender modelos com melhor eficiência.”

Além disso, ele diz que ainda há muito a se fazer com relação à infraestrutura para atender essa nova realidade, como investir na difusão e educação sobre as novas tecnologias, que abrange desde a criação de uma cultura do carro mais eficiente com campanhas de conscientização até treinamento das redes de concessionárias para garantir manutenção segura.



Tags: Elétricos, híbridos, SAE Brasil, Ford, BMW, Toyota, GM, Fiat.

Comentários

  • Emerson

    Estranhamente, no país onde o carro flex é peça tão importante no mercado - aliás, o único onde o flex atingiu esse patamar e presença no mercado... nenhuma montadora fala em introduzir veículos híbridos com motor flex, algo que tiraria o maior proveito possível de todas essas tecnologias ao mesmo tempo. Seguramente, o melhor carro híbrido é aquele equipado com motor flex, e todas essas montadoras que agora falam em híbridos detem a tecnologia flex... O que estão esperando?

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