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Motores | 21/11/2012 | 14h45

Inovar-Auto definirá engenharia de motores

Desenvolvimento dependerá das novas regras da legislação automotiva

IGOR THOMAZ, PARA AB

Um programa que trará inovação, investimentos em engenharia e veículos com tecnologia equiparada à que existe nos países desenvolvidos. Todas as fontes ouvidas por Automotive Business foram unânimes ao expressar essas opiniões sobre o Inovar-Auto, regime automotivo que vigorará de 2013 a 2017. Mas os entrevistados também concordam que não veremos mudanças consistentes tão cedo.

A essência do Inovar-Auto é bastante positiva, já que regula o lançamento de modelos que poluem muito menos e que rodam bem mais com cada litro de combustível, criando, inclusive, camadas diferenciadas de IPI para os veículos realmente eficientes nesses aspectos. O problema é que a redação do programa está longe da clareza absoluta.

“Quando estiver bem definido, o novo regime será um marco para a indústria brasileira, mas suas determinações ainda estão obscuras. Estamos procurando entender como será seu desdobramento para que o setor automotivo possa fazer o melhor possível. No geral, ninguém entende o que o governo quer, é preciso analisar todos os aspectos, técnicos e tributários”, comenta Nilton Monteiro, diretor executivo da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

O especialista diz que o entendimento esbarra nas “limitações técnicas de conhecimento” do governo. Monteiro aposta na rodada de reuniões com o poder público para que o regime seja aprimorado. “Creio que até agosto de 2013 saberemos que caminhos deverão ser tomados e de que maneira.”

FORNECEDORES

Marcos Clemente, gerente de desenvolvimento experimental e numérico da Mahle, concorda que o programa trará muitos benefícios até 2017. “Para nós, o Inovar-Auto é muito importante por incentivar as engenharias locais. Será grande oportunidade para fornecedores, sistemistas e para toda a cadeia produtiva.”

Atenta às possibilidades, a Mahle tem reuniões marcadas com clientes e clientes em potencial. O gerente diz que o programa ainda não gerou novas demandas, mas ele acredita que a empresa possa fornecer não apenas produtos, mas também seus serviços. “É possível que algumas marcas precisem de aconselhamento sobre condições específicas para investir no Brasil. Temos conhecimento para orientar nesse sentido.”

De qualquer forma, não há muito mais a fazer por enquanto, já que, segundo Clemente, ainda não está claro qual será o caminho que as montadoras escolherão em relação ao desenvolvimento de novos motores. “Creio que até o final do ano ninguém tomará nenhuma decisão, todos querem entender melhor as mudanças.”

MONTADORAS

Enquanto o setor e o governo tentam se entender, as montadoras aguardam. Muitas não se pronunciam, tanto que nem metade das marcas procuradas por Automotive Business se dispôs a falar sobre o futuro de seus motores.

A Fiat adianta uma importante informação. “O plano é que a nova tecnologia a ser utilizada nos motores seja desenvolvida no Brasil. Não há intenção de trazê-la de outros países”, diz Ricardo Dilser, assessor técnico da marca. A Nissan, por meio de sua assessoria de imprensa, comenta que está estudando o Inovar-Auto. A marca poderá lançar mão da plataforma V, do March, que será fabricada no País (é mais leve e moderna). Além disso, cita o motor de 3 cilindros do Micra e o 1.6 turbocharge do Juke como possibilidades para o Brasil.

A Ford lembra que utilizou o 2º Workshop Ford de Tecnologia para apresentar o motor EcoBoost 2.0 de 16 válvulas. Com 240 cv, ele equivale em potência a um propulsor V6 3.5, com a vantagem de ser até 20% mais econômico e 15% menos poluente, graças a recursos como injeção direta de gasolina, turbo de baixa inércia e duplo comando independente de válvulas variável. O propulsor está presente no novo Fusion Titanium automático, de seis marchas, que está à venda por R$ 112.990.

A Volkswagen informa que continua investindo em melhoria e eficiência energética para seguir obtendo “excelente classificação nas diversas categorias do Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro”, e a Honda reforça o investimento de R$ 100 milhões, nos próximos dois anos, em pesquisa e desenvolvimento no Brasil.

PONDERAÇÕES

De acordo com Francisco Nigro, assessor técnico da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, os motores 1.0 precisam de tecnologia barata para que os modelos de entrada continuem acessíveis. “Talvez utilizem menos cilindros, ou desligamento parcial de cilindros. O uso do turbo é muito caro.”

Modelos intermediários, segundo Nigro, poderiam passar de 1.4 ou 1.5 para 1.0 turbo, pois andariam como 1.0 na maior parte do tempo (trazendo economia) oferecendo potência quando preciso. “Mais barato seria desenvolver um motor 1.4 com desligamento de cilindros.” Em relação aos importados sofisticados, bastaria trazer versões que atendam aos novos parâmetros do regime.

O assessor lembra que, por conta de custos, é difícil ver montadoras produzindo novos motores tão cedo. Tendência inicial é trazer o que já existe no exterior. “Lá fora há motores de dois cilindros, ou mesmo motores pequenos com comando de válvulas variável. A tecnologia está pronta, vai depender do custo para as montadoras. Não é fácil equacionar essa questão.”



Tags: Inovar-Auto, motores, EcoBoost, Ford, AEA, Mahle, Fiat, Nissan, Volkswagen, Francisco Nigro.

Comentários

  • Marcelo

    A indústria automotiva brasileira e seus departamentos de engenharia e desenvolvimento precisavam de uma injeção de ânimo, de forma a enobrecer o trabalho aqui realizado. O Inovar-auto, em um determinado grau, traz esse alento aos nossos profissionais, abrindo um campo de inovação, onde será necessário fazer melhor e ainda diferente!!! Não devemos enchergar isso como um fardo e sim como um balsamo, pois lembremos que o nosso sustento, inclusive intelectual, vem desses desafios. Se traremos tecnologia de fora ou desenvolveremos do zero, isso fará pouca diferença, pois devemos lembrar que somos um mecado com suas particularidades (Ex.: Flex) e trazer qualquer o que quer que seja do exterior, precisará de uma "tropicalização" que não é tão obvia quanto parece. Daqui alguns anos, seremos diferentes, melhores e saberemos mais, que venham os desafios!! Um abraço a todos.

  • Ronaldo Gomes Ribas

    Olá Igor Thomaz, Será que a ANP, PETROBRAS ou secretarias e órgãos responsáveis pela padronização e qualidade dos combustíveis vão se pronunciar a respeito do "Inovar-Auto"? Vejo que os modelos importados com a tecnologia semelhante ao Ford EcoBoost terão que abastecer com gasolina "Podium" Para o período 2013-2017 creio que os fabricantes de motores locais estão definindo investimentos em produção de tecnologias de injeção indireta, sem adição de turbocompressores ou supercharger, sem sistemas de desligamento de cilindros, sistemas tipo "Start&Stop", regeneradores de fase, etc... Enquanto tivermos gasolina de baixa qualidade com 800-1000 PPM de enxofre, etanol com 7% de água e a má fiscalização de combustíveis batizados de todo o tipo, não vejo como fabricar motores de alta tecnologia e "Flex" por aqui, visto que, o custo destes motores e transmissões tipo DSG, são incompatíveis ao projeto de veículos populares e baratos!!!

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