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Conjuntura | 09/01/2013 | 18h20

Volkswagen e BMW ganharão mais mercado em cinco anos

Estudo da KPMG aponta tendências de mercado, investimentos e matriz energética

REDAÇÃO AB

A Volkswagen e a BMW são as montadoras que mais devem ganhar participação de mercado na indústria automotiva global nos próximos cinco anos, aponta a 14ª Pesquisa Global da Indústria Automotiva, realizada pela KPMG International e divulgada na quarta-feira, 9. Nesta edição, o estudo ouviu 200 executivos da indústria automotiva, incluindo montadoras, fornecedores, concessionárias, prestadores de serviços financeiros, empresas de aluguel e prestadores de serviços de mobilidade em 31 países.

De acordo com estudo, a Volkswagen lidera a lista pelo terceiro ano consecutivo e a porcentagem de executivos que acreditam que a montadora alemã aumentará sua presença no mercado global subiu 11 pontos, para 81%. A BMW ficou em segundo lugar, com 70%, 7 pontos a mais que a pesquisa do ano passado.

A Toyota, que sofreu forte impacto em sua imagem após recall de quase 19 milhões de veículos em todo o mundo desde 2009 até o início de 2011, terminou em terceiro com 68%, seguida por Hyundai e Kia, que ficaram com 61%. A Nissan foi a quinta, com 50%, depois Ford e General Motors, com 44% cada. Em 2010, apenas 13% dos pesquisados acreditavam que a GM aumentaria sua fatia de mercado.

A Fiat e sua unidade Chrysler ficaram em nono, com 37%, entre a Daimler, com 41%, e a Honda, com 34%. As marcas apontadas pela pesquisa com possibilidades de perder participação incluem Subaru, Mitsubishi, Mazda e Suzuki.

Quando se inclui novas marcas emergentes, a KPMG informou que as 10 principais incluem quatro montadoras chinesas: BAIC Group, SAIC Motor, FAW Group e Geely, além da indiana Tata Motors. Entretanto, como suas participações são muito menores, os ganhos não serão surpresa.

MATRIZ ENERGÉTICA AUTOMOTIVA

Além de tendência de mercado, a pesquisa da KPMG abordou outros aspectos da indústria automotiva global, como matriz energética. Do total de entrevistados, 92% disseram que o interesse do consumidor na economia de combustível para reduzir gastos é o principal fator a influenciar sua decisão de compra de um veículo. Preocupações ambientais, tais como a redução nas emissões de CO2, são importantes, mas caíram do segundo lugar em importância na pesquisa feita em 2012 para a quarta posição na versão 2013.

Segundo o estudo, a tendência é que os consumidores dos mercados maduros, como Europa e Estados Unidos, ampliem sua procura por veículos compactos e econômicos, enquanto os compradores dos mercados em desenvolvimento, como BRICs, prevaleça a procura por veículos maiores, tais como utilitários esportivos (SUV). Enquanto a estimativa de crescimento apontada pela pesquisa para o segmento de veículos básicos ficou em 58% para os mercados maduros e em 49% para os BRICs, na faixa dos SUV os porcentuais foram 39% e 66%, respectivamente.

Com este cenário, 29% dos executivos disseram que as empresas investirão na redução de tamanho e aperfeiçoamento da tecnologia de motores de combustão interna. Pouco mais da metade dos que responderam à pesquisa disse que o aperfeiçoamento do motor de combustão interna oferecerá o melhor potencial para garantir motores limpos e eficientes nos próximos dez anos.

“Há uma crescente percepção de que o motor de combustão interna apresenta ainda margem para melhorias. Isso é uma grande mudança de rota e um sinal de que algumas das mais novas tecnologias estão demorando mais do que o esperado para surgir”, explica Mathieu Meyer, líder global da prática de Indústria Automotiva da KPMG e sócio da empresa na Alemanha.

O investimento em tecnologias para veículos híbridos plug-in serão realizados por 24% dos entrevistados, ao passo que somente 8% disseram que investirão em tecnologias para veículos elétricos puros.

“A mudança na visão sobre veículos híbridos puros, plug-ins, veículos movidos a células de combustível e elétricos a bateria reflete a incerteza sobre qual será a tecnologia dominante. No curto prazo, é provável que o motorista individual prefira um híbrido, ao passo que as frotas poderão optar por carros elétricos. No entanto, parece que veículos elétricos puros não prevalecerão, ao menos na próxima década”, conclui Meyer.

DESAFIOS

A contínua incerteza a respeito da viabilidade das tecnologias de eletromobilidade, assim como as novas tendências da globalização aliada à rápida urbanização e modificação no comportamento dos consumidores são as principais forças que devem causar grandes mudanças no cenário automotivo nos próximos cinco anos, de acordo com o relatório Administrando um Modelo de Negócios Multidimensional, baseado na pesquisa da KPMG.

“Juntas, essas forças aumentam consideravelmente a complexidade do modelo de negócios das montadoras. Enquanto no passado as montadoras concentravam-se na produção de carros com motor de combustão interna, elas têm agora que lidar com uma gama de outras tecnologias de propulsão, novas tendências - como o compartilhamento de carros, ou conectividade à internet -, assim como a importância cada vez maior dos mercados emergentes. Realmente vivemos um tempo de grandes transformações para a indústria automotiva global” afirma Meyer.

Como resposta à redução das vendas e produção em regiões importantes, as montadoras estão observando para o futuro novas maneiras de gerenciar sua capacidade produtiva. Um quarto dos entrevistados considera a consolidação por joint ventures ou alianças na indústria como uma solução apropriada. No entanto, as abordagens variam muito entre os vários países e regiões, não havendo ainda até agora uma solução comum.

CRISE, EUROPA, ESTADOS UNIDOS, BRASIL

À medida que aumenta a disputa entre as montadoras para conquistar os mercados emergentes com alto crescimento, o declínio nas vendas e na produção permanece uma preocupação especialmente na Europa Ocidental, em que uma proporção considerável dos que responderam à pesquisa espera uma diminuição nas vendas e na produção na Espanha, Itália, França e Reino Unido. Os Estados Unidos parecem ter conseguido reverter o cenário negativo, já que mais de 40% dos entrevistados esperam que as vendas de veículos permaneçam estáveis ou aumentem.

A maioria dos que responderam à pesquisa nos BRICs, assim como na Indonésia, Malásia, México e África do Sul, previu uma tendência crescente de vendas.

“Apesar de todas as incertezas que têm mexido com o mercado automotivo mundial, o Brasil continua mostrando sua força. Tivemos em 2012 um novo recorde de vendas, claro que estimulado por uma política de incentivos fiscais que foi determinante para manter o segmento aquecido. O que importa, de fato, é que o Brasil tem um mercado com grande potencial de expansão de consumo e grandes montadoras de todo o mundo, além daquelas que já estavam por aqui, têm enxergado essa oportunidade e investido no País, inclusive em novas fábricas”, comenta Charles Krieck, sócio-líder da prática de Indústria Automotiva da KPMG no Brasil.

Para ver o estudo completo (em inglês), clique aqui.



Tags: indústria automotiva, mercado, matriz energética, KPMG.

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