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Ford apresenta novo Cargo extrapesado global
Novo Cargo extrapesado: motorização acima de 400 cv e capacidade até 56 toneladas.

Comerciais | 23/01/2013 | 19h30

Ford apresenta novo Cargo extrapesado global

Caminhão usa motor FPT e foi desenvolvido em conjunto no Brasil e Turquia

PEDRO KUTNEY, AB

A Ford apresentou o seu primeiro caminhão global e também o primeiro extrapesado da marca, um projeto que começou a ser desenhado em 2009 e havia sido oficialmente anunciado em outubro de 2011, durante a última Fenatran. O desenvolvimento do maior dos Cargo consumiu cerca de metade do atual ciclo de investimento da Ford Caminhões no Brasil, de R$ 670 milhões para o período 2011-2015 – que deve contemplar também o lançamento de novos modelos leves, provavelmente da linha Transit, para ocupar a lacuna deixada pelo Série F, que deixou de ser fabricada em 2012.

A mais nova versão do Cargo abre a porta de entrada da Ford no segmento de caminhões com motorização acima de 400 cavalos e capacidade até 56 toneladas. O veículo é foi desenvolvido em conjunto pelos centros de engenharia do grupo localizados em Camaçari (BA), no Brasil, e Otosan, na Turquia, já projetado para atender a mercados na Europa, Ásia e América do Sul. “É o primeiro projeto global de caminhões da Ford que fazemos aqui”, informa João Marcos Ramos, chefe de design da Ford Camaçari, um dos oito estúdios da companhia no mundo, onde as linhas do Cargo extrapesado foram desenhadas seguindo os mesmos padrões da atual geração da família lançada em 2011. “Levamos em consideração que os frotistas também querem uma boa imagem para seus veículos”, resume Ramos.

No mercado brasileiro a oferta será de cavalos mecânicos com tração 6x2 e 6x4, as duas configurações que respondem por mais de 60% das vendas de extrapesados no País. “Existem algumas diferenças entre o modelo feito na Turquia e aqui, mas são adaptações de mercado. O conjunto de trem-de-força, chassis e desenho de cabine é o mesmo nos dois países”, disse Oswaldo Jardim, diretor de operações de caminhões da Ford América do Sul. Ele revelou ainda que o novo Cargo extrapesado vai usar motor FPT, diferente dos demais integrantes da linha Cargo, que usam os Cummins feitos em Guarulhos (SP). A FPT é uma divisão da Fiat Industrial de motores diesel que tem fábrica em Sete Lagoas (MG), no mesmo complexo industrial onde funciona a concorrente Iveco, o braço de caminhões do grupo italiano. Ainda não está confirmado, mas o Cursor 13, de 13 litros, usado pela Iveco no Brasil nos Stralis em versões de 400, 440 e 480 cavalos, é o propulsor da FPT mais indicado para o modelo que a Ford pretende introduzir.

Para o Brasil a Ford ainda não revelou o detalhamento técnico nem preços do Cargo extrapesado, pois ele só será vendido aqui no segundo semestre. A empresa fez apenas a apresentação de um protótipo a jornalistas brasileiros, para não ficar atrás da Turquia, onde o modelo foi lançado oficialmente e já começa a ser vendido na mesma quarta-feira, 23. “O caminhão foi desenvolvido em conjunto nos dois países, mas havia mais pressa em lançar na Turquia, para aproveitar o mercado de extrapesados que chega a 40% do total das vendas”, explicou Jardim.

SEGMENTO RENTÁVEL E CRESCENTE

É nesse rentável segmento, único que a Ford não tinha produtos a oferecer, que a fabricante espera estar em breve também no Brasil, onde as vendas de caminhões extrapesados movimentam quase R$ 11 bilhões por ano, ou 40% do faturamento total do mercado de veículos comerciais acima de 3,5 toneladas de peso bruto total (PBT), segundo cálculos apresentados por Jardim. “O segmento é muito importante, porque é garantia de receita e boas margens”, afirma o executivo.

Ele lembra ainda que as vendas de extrapesados vêm crescendo no País, de 20,5 mil unidades em 2009 (20,5% do mercado) para quase 40 mil em 2011 (23%) e 33,7 mil no ano passado (24,6%); mesmo com o tombo sofrido pelo setor com a mudança na legislação de emissões e arrefecimento da economia.

“Estamos entrando no segmento só agora porque o mercado cresceu e oferece escala para justificar os investimentos que teríamos de fazer para oferecer o produto”, diz Jardim. Ele acrescenta que o Cargo extrapesado tem índice de nacionalização acima de 60% e, portanto, poderá ser financiado pelas taxas atrativas do BNDES Finame/PSI, de 3% ao ano agora e 4% a partir do segundo semestre.

“Existem lugares no mundo em que as vendas de extrapesados representam quase 40% do mercado, como na Turquia, mas aqui também o segmento tende a crescer”, aposta Jardim. Ele avalia que o potencial aumenta nos próximos anos, com a esperada retomada da expansão da economia para 3% a 4% ao ano, safras agrícolas de grãos que avançam de 2% a 3% ao ano, além das obras de infraestrutura programadas no PAC, Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016. Com isso, as projeções da Ford apontam para crescimento do mercado de caminhões na casa dos 7% a 10% nos próximos anos – a estimativa para 2013 é de 150 mil unidades, número 8% maior que o de 2012.

COMPETIÇÃO ACIRRADA

As boas notícias, contudo, não foram ouvidas só pela Ford. Por isso novos competidores estão chegando ao segmento de caminhões extrapesados no Brasil, como a holandesa DAF, as chinesas Sinotruk e Shacman e a alemã MAN. Além disso, existem os fabricantes já tradicionais, como Mercerdes-Benz, Scania e Volvo, quase todas com planos de expansão.

Para entrar nesse mercado com chances de ganhar participação relevante, Jardim aposta em dois fatores: a oferta de um produto com bom custo-benefício – os preços do segmento giram de R$ 350 mil a 400 mil – e o tamanho de sua rede, atualmente de 140 pontos de venda em todo o País. O executivo destaca que a Scania tem 97 concessionárias e a Volvo 88. “Se competidores tão importantes desse segmento têm menos de 100 lojas, nós com mais de 100 podemos manter relacionamento mais próximo dos clientes, o que é um dos fatores mais importantes para compradores de extrapesados”, afirma.

Jardim cita uma pesquisa da Ford com os potenciais clientes de extrapesados, em que dentre os fatores de escolha por uma marca ou outra, a maioria das respostas converge para resistência do veículo (20%), praticidade e potência (19%), relacionamento (14%), design e tecnologia (11%) e tradição e presença (10%). “As qualidades intangíveis são muito importantes nesse segmento, normalmente bastante mimado”, explica.

A Ford ainda não espera que o novo Cargo extrapesado tenha o mesmo bom desempenho de vendas do maior modelo da linha oferecido até agora, o cavalo mecânico C 1933, um caminhão pesado capaz de puxar até 47 toneladas, com participação de mercado em sua faixa de peso que cresceu de 8, 2% em 2010 para 11,5% em 2011 e 18,7% em 2012.



Tags: Ford, Cargo, extrapesado, caminhão, FPT, Fiat Industrial, Brasil, Turquia, investimento, lançamento, Fenatran.

Comentários

  • Anderson Dantas

    Não sei qual o motivo da escolha do motor FPT (logística ou financeira, ou as duas coisas), mas na minha opinião a Ford deixou escapar a chance de lançar no nosso mercado um caminhão com a a ótima motorização Cummins ISX de 12 litros, nos mercados onde esse engenho é disponível, os clientes estão muito satisfeitos com sua economia, confiabilidade, robustez e durabilidade.

  • Djalma de Almeida Vallongo

    Senhores. Meu desapontamento foi grande. Tinha esperança que o motor a ser utilizado no novo Cargo Ford seria um Cummins com maior potência. O que houve com a parceria com a Cummins????????

  • Jefferson Guatura

    Belo caminhão! A opção por motores FPT é um progresso, pois apresentam melhor relação custo/benefício que os Cummins, que tem manutenção muito cara. Parabéns à Ford e que estes novos caminhões, com motorização FPT, tenham muito sucesso.

  • Geziel

    Boa matéria sobre este novo produto da Ford, mas fico triste pelo motivo de a montadora não ter seus próprios motores a diesel, num passado não muito distante os caminhões usavam motores da montadora... deveria investir e mostrar de fato que pode ter um caminhão com o coração forte e FORD.

  • Nilson Fiuza Filho

    O melhor para a ford no Brasil vai ser sim lançar esse novo cargo com um motor cummins (ism ou isx) que são altamente duraveis e economicos e grandemente usados e aprovados nos estados unidos. Quanto ao motor da fpt cursor 13 (o mesmo do iveco stralis) é um motor robusto, porem gasta muito combustivel. Eu tenho dois caminhoes um volvo edc, e um iveco stralis, que fazem o mesmo trabalho, e o iveco gasta R$ 550,00 a mais de combustivel a cada 3000 km (total de km por viagem). Ford acorda, peça opinião de quem anda de caminhão antes de fazer esta besteira, em time que esta ganhando não se mexe: motor é cummins!!! ah! to vendendo meu iveco..

  • nilson gonçalves da silva

    o caminhâo vai sai muito lindo mais com persima motorizaçâo a ford deveria lança o mesmo com a motirazaçâo cusmi ai sim sai com um motozâo com esses motores fiat daqui a pouco começa a faltar peças ai o caminhâo vai ficar desvalorizado

  • jose claudio

    eu acho que a ford ja demorou de mas agora entra com tudo e ultrapassa os concorrentes vamos la ford!!!!!!!!!!!!!!

  • paulo

    Acho perigoso colocar o motor Iveco, o correto seria o Cummins ISM de 10,8l este motor é muito resistente...tem ótima imagem no mercado.

  • Adauto Machado

    Tive a opportunidade de trabalhar com 2 caminhões FORD. Um 2422 mecânico e um 2422e eletrônico. Ambos muito bons excelente dirigibilidade, autonomia, força enfim ótimos caminhões. Agora esse extra-pesado é incrivelmente LINDO, fala sério é expantoso os comentários de amigos sobre a exuberante espetacular aparência desse caminhão. Esperamos um desempenho a altura do nome FORD e com certeza fara jus não só pela aparência mas pela competência. Abraços a todos.

  • ademir

    gostaria muito de financiar um destes ford cargo 6x4 com 400 cv qual cera o preso deste caminhão a ford poderia informa o preso ao comsumidor

  • Jorge Valenzuela

    A Ford deveria lançar o caminhão com motor Cummins ISM, que é o mais lógico. Para quê mudar de fornecedor de motores, já que a Cummins fornece para o restante da linha Cargo?

  • Alexandre Zaleski

    Esse caminhão não é Global. Como é que a Ford foi capaz de fazer isso com os brasileiros ? A cabine desse caminhão parece um ovo, para ser bem sincero. Porque é que essas cabines não conseguem ser maiores ? Qual é o problema desses engenheiros, que não conseguem inventar nada em um material que suporte dimensões maiores, com menos peso, respeitando a legislação ? Porque é que se faz um caminhão tão baixinho desse jeito ? Se é para ficar na altura do LS 1934, precisa mesmo comprar caminhão novo ?

  • Alexandre Zaleski

    Eu , sinceramente, fico desapontado com a cabine desse "Novo cargo", que mais parece o OTOSAN de 2008.Mas Brasil é assim mesmo, a DAF está fazendo exatamente a mesma coisa, sem contar em Scania, Volvo e Mercedes, que vendem os modelos ULTRAPASSADOS, a preço de EUROPEU NOVO DE ULTIMA GERAÇÃO, cheios de impostos desnecessários e cheios de um lucro que, claro, só arranjam aqui, dos otários do Brasil.Que vergonha desse país.Que vergonha, Ford. Vocês poderiam ter feito MUITO MELHOR. Quem gosta da marca, não consegue esconder o desapontamento em um veículo tão esquisito e fuleiro desse jeito. A respeito da motorização, acho terrível a Ford do tamanho que é, não produzir os seus próprios motores. Uma baita perda de credibilidade, pois, se eu quero um caminhão, eu quero ele inteiro da mesma marca !Apesar de tudo, apesar de a Volvo curtir com a minha cara, eu não troco por nada nesse mundo.

  • marcio

    SEM COMENTÁRIO !!!!!!! EU ACREDITAVA QUE IA TER UM CAMINHAO DE 1; MAS COM ESSE MOTOR É DE 2; QUE PENA ...

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