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Indústria | 30/01/2013 | 18h51

Veículos comerciais derrubam desempenho do setor de fundição

Queda foi de 14,5% em 2012, aponta Abifa

SUELI REIS, AB

A queda de 37,7% na produção de veículos comerciais pesados em 2012, somando caminhões e ônibus, é o principal fator que influenciou diretamente no desempenho negativo do setor de fundição, que registrou retração de 14,5% na produção do ano passado na comparação com 2011, para 2,85 milhões de toneladas. A análise é da Abifa, Associação Brasileira de Fundição, que apresentou na quarta-feira, 30, o balanço do ano e as perspectivas para 2013.

A previsão para 2012 era positiva, segundo a Abifa, com estimativa de crescimento de até 6% sobre o ano anterior, mas a indústria de transformação reverteu o cenário, puxada pelo menor ritmo das linhas de produção de veículos comerciais. O setor automotivo, incluindo automóveis, caminhões e ônibus, é o principal cliente da indústria nacional de fundidos, consumindo 58% de tudo o que as empresas produzem. Segundo o presidente da entidade, Devanir Brichesi, as projeções de crescimento das vendas de veículos não representam avanço na indústria.

“O desempenho do setor automotivo foi aquém do esperado em 2012 em termos de indústria, com a entrada do Euro 5, a produção de caminhões caiu mais de 40% e a de ônibus, 25%. Fala-se em recuperação de 5% para o segmento de pesados. Em leves, espera-se crescer só 5%: não estamos emergindo, estamos parados”, avaliou.

De acordo com os dados da Abifa, a maior queda foi na produção do principal metal da fundição nacional, o ferro, com retração de 15,7% sobre a registrada em 2011, para 2,3 milhões de toneladas. A produção de alumínio caiu 10,5%, para 225,3 mil toneladas, e a de aço, com 252 mil toneladas, recuou 6,8%. Outros metais não ferrosos somaram 247,2 mil toneladas, 9,8% menos que a produção de 2011.

As exportações, que representam 15,6% da produção, caíram em ritmo menor, fechando 2012 com decréscimo de 7,7% sobre 2011, ao embarcar 446,6 mil toneladas.

Apesar do resultado, a Abifa está otimista e espera dar a volta por cima em 2013. As projeções apontam para crescimento de produção na ordem de 11,4%, com a produção de 3,2 milhões de toneladas.

Brichesi explica que para este ano a tendência é de que outros setores e sua cadeia de produção apresentem crescimento proporcional maior por material fundido do que a indústria automotiva.

“Mesmo para os próximos anos, a demanda interna prevista para 2020 é de venda de 6,3 milhões de veículos. Se nada for feito, estaremos produzindo apenas 3,5 milhões de toneladas, e a indústria importará 45% da demanda”, defende.

Sobre outros setores, há um horizonte mais positivo, que deve dar algum ânimo para o setor de fundição a partir deste ano, considerando os investimentos em infraestrutura para os eventos esportivos internacionais, bem como para o pré-sal, setor petroquímico e de transporte.

INOVAR-AUTO

Para o Brichesi, o Inovar-Auto é o começo de um avanço, mas ainda tímido. Ele exemplifica que a exigência de maior conteúdo local e inovação tecnológica, na visão das fabricantes de veículos, não passa pelo setor de fundição.

“A migração de metais no carro brasileiro ainda não aconteceu. É clara que a substituição de ferro por alumínio no bloco de motor, por exemplo, reduz em até 10 quilos o peso do bloco, e ajudaria muito no índice de consumo, mas o Inovar-Auto ainda não atingirá essa mudança”, avalia.

Ele aponta que a indústria nacional de fundidos está preparada para inovações tecnológicas e cita desenvolvimentos pioneiros, como a fundição bi-metálica, que utiliza dois metais diferentes em uma única peça e a fusão de moldagem a seco para peças de até 14 toneladas, que dispensa o uso de resina, contribuindo com a redução de custo, além do CGI, da Tupy, a maior fabricante de blocos e cabeçotes de ferro fundido do mundo (leia aqui).



Tags: Fundição, Abifa, ferro, aço, alumínio, veículos comerciais.

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