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Engenharia | 05/04/2013 | 21h00

Jtekt inaugura primeiro centro tecnológico no País

Empresa aposta que Inovar-Auto ajuda a nacionalizar sistemas de direção elétrica

CAMILA FRANCO, AB

A Jtekt, empresa japonesa especializada na produção de sistemas de direção assistida (hidráulica e elétrica), formada por fusão entre Koyo e Toyoda, inaugura na terça-feira, 9, em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba (PR), seu primeiro centro tecnológico brasileiro (o oitavo no mundo), onde serão validados 100% dos sistemas produzidos anualmente na planta, que fica na mesma área. Atualmente, a Jtekt do Brasil entrega 1 milhão de conjuntos por ano em três linhas e atende Toyota, Volkswagen, PSA Peugeot Citroën, Fiat, Renault, Nissan e General Motors.

Os R$ 15 milhões investidos para a construção do novo centro nos últimos dois anos são justificados pela nova política automotiva adotada no País, o Inovar-Auto, que busca incentivar o investimento na indústria automobilística brasileira. Um dos objetivos dos 25 engenheiros que trabalharão diariamente no centro será justamente encontrar propostas de localização de componentes dos sistemas de direção.

“O trabalho do centro estará dividido incialmente em duas frentes: desenvolver novos projetos de direção elétrica a serem lançados no mercado brasileiro e elaborar equipamentos para os laboratórios da própria Jtekt”, diz Lucio Pinto, diretor comercial e de engenharia da Jtekt do Brasil.

De acordo com o diretor, aproximadamente 75% dos carros vendidos atualmente no País têm direção assistida (hidráulica ou elétrica). Desses, apenas 12% (a maioria das marcas japonesas Toyota e Honda e do grupo PSA Peugeot Citroën) têm direção elétrica. “Com a globalização das linhas de veículos, as montadoras terão de trazer novos sistemas de direção elétrica para os automóveis fabricados aqui. É o caso da Volkswagen, cliente que já nos procurou sinalizando essa tendência”, comenta. Contudo, o compacto Up!, que deve começar a ser produzido no Brasil ainda este ano, inicialmente terá o equipamento importado.

O maior desafio, segundo ele, é concorrer com os sistemas de direção elétrica vindos de fora do País. “Mais de 90% deles são importados por serem mais baratos.” O próprio equipamento fabricado aqui pela Jtekt não é 100% nacional. “Fazemos aqui apenas a coluna de direção para a montagem do conjunto. Importamos o ECU (Eletronic Control Unit ou Central Eletrônica de Controle) e o motor elétrico por falta de fornecedor local. Esperamos localizar o máximo das nossas compras o mais rápido possível.”

É aí que o papel do Inovar-Auto tem importância redobrada para a Jtekt, pois o regime automotivo coloca adiante metas de eficiência energética para os veículos, ao mesmo tempo em que obriga as montadoras a comprar mais de fornecedores brasileiros. “A maior vantagem de se substituir a direção hidráulica pela elétrica está no ganho de eficiência do veículo. O sistema elétrico, por ter um motor próprio, não rouba potência do motor do carro para conseguir transferir o esforço feito no volante pelo motorista para as rodas. Além disso, é um sistema mais leve, diminuindo o peso do automóvel, que consequentemente vai precisar de menos combustível para se movimentar.”

A partir de março de 2014 a fabricante começa a oferecer o sistema de direção elétrica para os Toyota Corolla e Etios, que ainda são equipados com o sistema importado do Japão.

centroJtekt/
Fachada da fábrica da Jtekt em São José dos Pinhais, a área interna do centro com 3,2 mil metros quadrados e pista de testes com nove pavimentos (Fotos: Rafael Danielewicz).

O CENTRO

O centro tecnológico ocupa área de 3,2 mil metros quadrados da fábrica. Possui escritórios, estações de CAD, bancadas de testes para durabilidade em temperaturas adversas, equipamentos para testes de ruptura de mecanismos e de impacto, protótipos para avaliações de ruídos, garagens e uma pista de testes com nove pavimentos que simulam as condições das rodovias da América do Sul.

“Em parceria com a engenharia de nossos clientes, nossos engenheiros e técnicos projetaram as mais severas condições, de forma a garantir que o produto final esteja apto a rodar por nossas estradas com a segurança e qualidade desejadas pelo consumidor final”, assegura Lucio Pinto.

PLANOS

A Jtekt está presente no Brasil desde 1999, mas ficou conhecida por esse nome somente a partir de 2006, quando houve a fusão da Koyo, sua antiga denominação, com a Toyoda, empresa do Grupo Toyota. A fábrica opera em São José dos Pinhais desde 2010, ano em que foram transferidas as instalações de Piraquara, cidade também próxima de Curitiba, para a planta atual, que tem capacidade para produzir até 1,3 milhão de peças por ano, empregando 530 profissionais.

Atualmente, a Jtekt responde por 36% das vendas de sistemas de direção realizadas para as montadoras no Brasil, com 26% encabeçadas pela planta de São José dos Pinhais. Concorre diretamente com a TRW e a DHB.

O plano de negócios inclui a produção de um cubo de roda de terceira geração, cuja produção será iniciada em 2014 e inserirá a empresa japonesa no mercado de rolamentos.

Também integra seus projetos futuros o fornecimento para o setor de reposição. “Nos últimos anos priorizamos as montadoras, nossos clientes diretos. Agora, com essa estrutura consolidada, queremos atender o consumidor final, um mercado formado por direções Jtekt que equipam mais de seis milhões de veículos no Brasil”, conclui o diretor.



Tags: Jtekt, centro tecnológico, sistema de direção, Inovar-Auto, Lucio Pinto.

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