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Tecnologia | 07/06/2013 | 21h22

Continental costura eletrificação prêt à porter para carros

Sistema de 48 volts reduz consumo em 13%. Companhia também aprofunda soluções para híbridos e elétricos.

PEDRO KUTNEY, AB | De Hannover (Alemanha)

Existe um meio-caminho ainda a ser explorado entre os caros veículos elétricos/híbridos e os modelos movidos só pelo motor a combustão. Aumentar a voltagem do sistema elétrico de um carro comum seria o último passo antes da eletrificação da propulsão. A ideia é elevar o número de dispositivos elétricos a bordo, para desafogar o motor e reduzir o consumo. Essa é uma das apostas da Continental em sua estratégia de eletrificação veicular prêt à porter, em que oferece soluções prontas para todos os níveis de locomoção elétrica.

Em um primeiro nível dessa estratégia, a empresa adaptou um Volkswagen Golf para usar bateria e gerador de 48 volts, além de vários equipamentos que, na prática, diminuíram o gasto de gasolina para apenas 5,8 litros por 100 km (algo como 17 km/l), um ganho de 14,6% sobre o Golf BlueMotion vendido na Europa – que já é o mais econômico da gama.

O sistema 48V Eco Drive substitui a bateria de chumbo-ácido de 12 volts tradicionalmente usada nos carros por uma de 48 volts de íons de lítio, desenvolvida e fabricada pela SC, empresa que começou a operar em janeiro deste ano, em uma associação em partes iguais da coreana SK Innovation com a alemã Continental – a joint venture nasceu com a missão de desenvolver e fornecer baterias especiais para sistemas veiculares de média e alta voltagem, incluindo híbridos e totalmente elétricos.

Para recarregar a bateria, é usado um gerador também de 48 volts. A energia é direcionada a um transformador de 12 volts, que alimenta o sistema elétrico de baixa voltagem do carro. Dessa forma, não é necessário mudar a arquitetura eletroeletrônica, nem aumentar os custos de produção com isolamento de cabeamentos e dispositivos de alta voltagem (como acontece em modelos híbridos e elétricos que abrigam correntes de 120 a 300 volts).

Continental
O sistema 48V Eco Drive: bateria e gerador de 48 volts com transformador de 12 volts

O sistema de 40 volts também não causa nenhuma interferência na configuração do motor e câmbio tradicionais. A ideia, segundo a Continental, é aumentar um pouco a voltagem para suportar melhor o consumo de energia elétrica a bordo, com a instalação de outros componentes elétricos que aliviam o motor e ajudam a economizar combustível. Com o sistema mais robusto, pode-se usar com maior folga dispositivos elétricos como direção, freios e bombas.

O 48V Eco Drive conta ainda com start-stop, que desliga o motor automaticamente quando o carro para e religa assim que o motorista pisa de novo no acelerador. Além disso, protótipo da Continental é equipado com sailing/coasting, que aproveita a inércia do veículo e desliga o motor em situações de velocidade constante em retas ou descidas, sem necessidade de aceleração. Para elevar ainda mais a eficiência, o modelo também usa sistema de recuperação de energia cinética durante as frenagens, que devolve potência ao motor.

De acordo com os cálculos da Continental, tudo isso combinado reduz o consumo e as emissões de CO2 em 13%, em média. Quase metade desse resultado, 6%, vem da combinação do start-stop com sailing/coasting. Outros 7% vêm da frenagem regenerativa. Essas funções de economia de combustível são atualmente encontradas em veículos com sistemas de 120 volts, mais caros.

NA ROTA DA ELETRIFICAÇÃO

Continental
Continental fornece diversos componentes
e sistemas para o seu protótipo híbrido


A Continental investe na tendência de aumentar a eficiência dos carro com motor a combustão interna porque avalia que esses modelos vão continuar a dominar a cena por pelo menos mais 50 anos. Porém, também investe na oferta da propulsão elétrica parcial ou total. Até agora esse tipo de desenvolvimento tinha ficado a cargo dos próprios fabricantes, mas como os custos de desenvolvimento são muito elevados, a Continental tenta combinar o conhecimento de suas cinco divisões de sistemas automotivos para oferecer soluções prontas, em uma estratégia que batizou de “electrification tailored to fit” (em tradução livre, algo como “eletrificação sob medida”).

É uma espécie de eletrificação prêt à porter, em que cada fabricante pode escolher o sistema pronto para uso. Além da solução barata do carro de 48 volts, a Continental desenvolveu conceitos mais simplificados de um protótipo híbrido e outro totalmente elétrico, ambos equipados com as baterias de íon de lítio da recém-criada SC, uma nova aposta de negócio na qual a SK Innovation fornece sua experiência no desenvolvimento de baterias e a Continental se ocupa dos controles eletrônicos envolvidos.

Os dois modelos usam uma série de componentes e sistemas desenvolvidos pela Continental para suportar a eletrificação dos veículos, como bomba d’água elétrica, freios elétricos servoassistidos, gerenciamento eletrônico de energia e toda a instrumentação de bordo que passa a incluir, por exemplo, cálculo de autonomia para recarga e navegação econômica.

A divisão de pneus desenvolveu o Conti eContact, especialmente projetados para veículos híbridos e elétricos. Com raio de 20 polegadas, eles são bem maiores e mais estreitos, o que reduz a resistência ao rolamento em 15% em comparação com pneus comuns de 16 polegadas. Na prática, isso faz o carro rodar mais facilmente.

No caso do protótipo híbrido plug-in da Continental, projetado sobre a base de um Audi A3 com motor a gasolina 1.4 de pouco mais de 100 cavalos de potência, o motor elétrico (também de cerca de 100 cavalos) foi instalado para tracionar somente as rodas traseiras. Foram introduzidas embaixo dos bancos dianteiros duas finas baterias de íons de lítio, que quando totalmente carregadas (cerca de duas horas em sistema trifásico) garantem autonomia de 50 quilômetros – o suficiente para o uso urbano diário na maior parte dos casos.

Uma central eletrônica de gerenciamento controla a tração automática de tração entre os eixos, em modo elétrico na traseira ou com motor tradicional a gasolina na dianteira. Operando com os dois motores, o carro ganha tração integral com mais de 200 cavalos de potência. Dessa forma alia-se desempenho com grande economia de combustível e redução de emissões de CO2, de apenas 40 gramas por quilômetro, segundo calcula a Continental. Mas para rodar na cidade o híbrido privilegia a propulsão elétrica, isenta de emissões. Em trajetos planos e de baixa velocidade, é possível usar só o motor elétrico e recarregar as baterias em casa ou em um posto de recarga.

A eletrificação veicular tem uma peculiar forma de avanço: acontece em etapas, mas todas ao mesmo tempo.



Tags: Continental, tecnologia, eletrificação, carro elétrico, bateria, gerador, 48V.

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