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Tecnologia | 19/06/2013 | 20h55

Bosch produzirá Start-Stop em Campinas

Primeiro carro nacional com o sistema deve ser lançado até o meio de 2014

PEDRO KUTNEY, AB | De Boxberg (Alemanha)

A Bosch começa a fabricar em 2014 na fábrica de Campinas (SP) o sistema Start-Stop, que desliga o motor quando o veículo faz paradas no trânsito e religa automaticamente assim que o motorista aciona novamente o acelerador. “Já temos um cliente confirmado, que não podemos ainda revelar o nome ainda, que deve lançar o primeiro carro nacional com o Start-Stop até o meio do ano que vem”, confirmou Rafael Borelli, chefe de marketing de produto da divisão de motores de partida e geradores da Robert Bosch no Brasil. Borelli apresentou as funcionalidades, evoluções e vantagens do sistema a um grupo de jornalistas brasileiros em Boxberg, onde fica o campo de provas da empresa na Alemanha.

Segundo ele, após esse primeiro cliente a Bosch espera começar a fornecer o Start-Stop para várias outras montadoras no País, pois o sistema será de grande ajuda para atingir as metas de eficiência energética previstas pelo Inovar-Auto, a política industrial desenhada para o setor automotivo nacional com descontos de impostos para as montadoras que cumprirem as exigências do programa até 2017. A maioria dos componentes do Start-Stop nacional será montada integralmente no Brasil, garante Borelli. “O único elemento que precisaremos importar é o sensor de carga da bateria”, diz.

Borelli revela que já foram feitos testes reais no início deste ano nas ruas congestionadas de São Paulo, com dois modelos equipados com o Start-Stop da Bosch: um Fiat Idea 1.4 e um Volkswagen Polo 1.6. “Em ambos os casos atingimos uma redução de consumo da ordem de 20%”, conta. O percurso realizado com os carros foi de 8 quilômetros, à velocidade média de 16 km/h, no quadrilátero formado pela Avenida Paulista, Rua da Consolação, Radial Leste e Brigadeiro Luiz Antônio. É justamente no anda-e-para do ciclo urbano que o sistema mostra sua eficiência, pois reduz em 10% o tempo de motor ligado do veículo.

O Start-Stop testado em São Paulo é o mais básico, só ativado quando o carro para totalmente, que a Bosch vende na Europa há quase uma década e hoje equipa mais de 30 modelos de diversos tipos, desde um Fiat 500 até um Mercedes-Benz Classe S. Isso porque a legislação ajuda: nos mercados da União Europeia os carros novos vendidos com dispositivos que garantam redução de emissões de CO2 têm descontos na taxa de licenciamento que vão de € 200 a € 1 mil, dependendo do modelo e da redução.

EVOLUÇÃO

Na versão mais básica do Start-Stop e já amplamente utilizada na Europa, em veículos com câmbio manual, o motor é desligado quando o motorista freia, aciona a embreagem e desengata a marcha; e religa assim que o pedal de embreagem é pressionado novamente. No caso de câmbio automático a mesma operação acontece ao se pisar no freio, parar e retomar o acelerador. Tudo é controlado por uma central eletrônica. Mas para funcionar o sistema precisa de gerador/alternador e motor de arranque de alta eficiência, com ciclo de vida para 150 mil a 250 mil partidas. O motor volta a funcionar mesmo com o carro parado caso a carga da bateria caia abaixo do nível mínimo de 8 volts para garantir uma nova partida. Na média dos testes europeus feitos no trânsito das cidades, a redução real de consumo apurada varia de 10% a 15%.

A Bosch já fornece na Europa o Start-Stop Advanced. Funciona quase igual à sua primeira geração, mas desliga o carro antes mesmo da parada total, quando a velocidade cai abaixo de 20 km/h. Com isso, diminui em 12% o tempo de funcionamento do motor em ciclo urbano, aumentando a economia para 12% a 18% em uso urbano. Nesse caso o motor de arranque precisa ser ainda mais robusto, garantindo de 300 mil a 400 mil partidas.

O próximo passo evolutivo do sistema é o Start-Stop com função Coasting, já introduzido pela Volkswagen em 2010 no seu Passat BlueMotion, equipado com motor 1.4 turbinado e transmissão automatizada de dupla embreagem com sete velocidades. Além de desligar o motor na paradas, o sistema faz o mesmo quando o veículo atinge aceleração constante, a até 120 km/h, e o motorista tira o pé do acelerador. Isso amplia a eficiência do sistema, até então restrita ao anda-e-para do ciclo urbano, para o ambiente da estrada, com redução média de 30% no tempo de funcionamento do motor e economia de combustível de 20% a 25%, segundo cálculos da Bosch.

Na situação de velocidade constante sem aceleração, além de desligar o motor, o sistema também abre a embreagem e desengata a transmissão, em uma espécie de “banguela” tecnologicamente assistida, permitindo que o carro se desloque por até 1,75 km sem perder velocidade e sem gastar uma gota de combustível sequer.

O Start-Stop Coasting exige mais inteligência eletrônica embarcada, para fazer o motor voltar a funcionar quando o motorista pisa no freio ou no acelerador, ou mesmo quando é necessário fazer o ar-condicionado voltar a funcionar. Mais exigido, o motor de arranque precisa de durabilidade maior, com vida útil para mais de 400 mil partidas com tempo de 350 milissegundos cada uma. São utilizadas ainda duas baterias de 12 volts com ligação redundante para garantir o funcionamento de todos os dispositivos elétricos do veículo sem falhas, como o controle eletrônico de estabilidade, direção elétrica, assistência de frenagem, luzes, navegação e sistema de som.

A evolução do conceito liga-desliga-religa não para por aí. A Bosch já desenvolve um sistema paralelo, chamado BRS (de Boost Recuperation System), que deve equipar os primeiros carros na Europa a partir de 2017. Além das funções do Start-Stop Coasting, o carro é equipado com uma pequena máquina elétrica de recuperação de torque nas retomadas. É como um turbo elétrico que opera em baixas rotações para ajudar o motor a levar o veículo mais rapidamente à velocidade desejada, o que pode trazer economia adicional de consumo de 8% a 12%.

Bosch

O BRS é alimentado por bateria de 48 volts de íons de lítio e recupera energia de frenagem. Para alimentar todos os outros sistemas elétricos de baixa voltagem do carro, é utilizado um sistema redundante com transformador de 12 volts e uma bateria convencional chumbo-ácido de 12 V. Além da Bosch, a Continental também já trabalha em sistema parecido de 48 V (leia aqui).

Rodando com os protótipos BRS de 48V na Alemanha no campo de provas da Bosch em Boxberg, e uma semana antes nas pistas de desenvolvimento da Continental em Jerversen, é notório o aumento de eficiência trazido pelo sistema, que parece estar em fase final de desenvolvimento. É a tendência de eletrificar sistemas para economizar combustível de forma mais barata, antes de partir para as ainda caras soluções híbridas com motores a combustão e eletricidade trabalhando em conjunto ou os 100% elétricos.



Tags: Bosch, Start-Stop, Inovar-Auto, regime automotivo, inovação, tecnologia, consumo, eficiência energética.

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