Automotive Business
  
ABLive

Notícias

Ver todas as notícias
Emplacamentos sobem, mas faturamento cai

Mercado | 12/07/2013 | 18h20

Emplacamentos sobem, mas faturamento cai

Estudo aponta queda no valor semestral das vendas no varejo dos maiores fabricantes

PEDRO KUTNEY, AB

O volume recorde de veículos leves emplacados no primeiro semestre de 2013 não se refletiu em aumento do faturamento para a maioria dos fabricantes. Muito pelo contrário, nos primeiros seis meses do ano os valores totais de vendas no varejo caíram para a maioria das marcas, conforme demonstra estudo da consultoria autoAnálise divulgado na sexta-feira, 12.

O levantamento (veja o quadro abaixo) compara nos primeiros semestres de 2011, 2012 e 2013 o faturamento estimado das vendas no varejo dos dez maiores fabricantes instalados no Brasil, com valores corrigidos pela inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado), do IBGE.

Faturamento

“A tendência geral é de perda de valor real de faturamento”, aponta o estudo da autoAnálise, no qual oito dos dez maiores fabricantes tiveram queda nas cifras apuradas. As duas exceções são Toyota e Hyundai.

No primeiro caso, a Toyota figura na lista com o quinto maior de faturamento no primeiro semestre de 2013, com crescimento de R$ 4 bilhões em 2011 e 2012 para quase R$ 6 bilhões em 2013, devido ao lançamento da linha Etios, com maior volume de vendas. A Hyundai, na sétima posição, teve o resultado turbinado de cerca de R$ 3,8 bilhões em 2012 para perto de R$ 5 bilhões com o sucesso da linha HB, que começou a ser fabricada em Piracicaba (SP) em setembro do ano passado.

Honda e Mitsubishi apuraram pequenos recuos, mas mantiveram o faturamento praticamente estável nos últimos três anos. A Honda, com o sétimo maior valor, faturou cerca de R$ 4 bilhões nos primeiros seis meses de 2011 a 2013. No mesmo período de comparação, a Mitsubishi vendeu perto de R$ 2,5 bilhões em cada semestre.

A Renault Nissan, considerada como uma só fabricante pela consultoria, este ano devolveu grande parte do crescimento no faturamento de varejo obtido em 2012, por isso caiu da quarta posição em 2012 para a sexta no último semestre. O retrocesso ocorreu em função principalmente da paralisação por dois meses da fábrica da Renault no Paraná, para ampliação das linhas de produção, e no caso da Nissan houve limitação dos volumes de importação do México. Ainda assim, ambas apuraram ganho de quase R$ 1 bilhão sobre 2011, com faturamento de aproximadamente R$ 5,9 bilhões na primeira metade de 2013, contra R$ 7,5 bilhões um ano antes.

Em termos relativos, a PSA Peugeot Citroën, na nona posição, teve a maior queda de faturamento semestral na comparação com 2011, de 38%, para perto de R$ 3 bilhões nos primeiros seis meses do ano, o que pode ser explicado pelo processo de renovação do portfólio de produtos.

Já a maior perda absoluta foi apurada pela Volkswagen, que na terceira posição no valor das vendas de varejo faturou R$ 2,2 bilhões a menos em cada um dos dois últimos primeiros semestres, contra os cerca de R$ 14,5 bilhões na primeira metade de 2011.

Na primeira posição até agora em 2013, o faturamento semestral de varejo da Fiat vem caindo ano a ano, de R$ 14,5 bilhões em 2011 para R$ 13,8 bilhões em 2012 e R$ 13,5 bilhões no semestre passado (valores aproximados).

A General Motors também teve queda de faturamento, mas a renovação de portfólio no ano passado conseguiu reduzir o ritmo dessa tendência e a fabricante ficou com o segundo maior valor vendido no primeiro semestre de 2013, cerca de R$ 13 bilhões.

A Ford ficou na quarta posição com faturamento semestral praticamente idêntico ao de 2012, ao redor de R$ 6,5 bilhões, contra R$ 7,5 bilhões em 2011.

PERSPECTIVA NEGATIVA

Os analistas da autoAnálise observam que a pressão por aumento de preços deve crescer nos próximos meses, o que pode derrubar as vendas. “Os custos, tanto de produção quanto de distribuição, encontram-se pressionados, pois salários, energia, transportes e serviços tiveram evolução igual ou superior ao IPCA no período”, destaca o relatório.

Outro fator a empurrar os negócios para baixo é o cenário futuro de aumento de juros, fazendo o crédito se tornar ainda mais restritivo do que já está.



Tags: Vendas, mercado, faturamento, fabricantes, autoAnálise.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência