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Eventos | 05/08/2013 | 22h00

Produção no Brasil é uma das mais caras do mundo

Logística e infraestrutura de transportes são os maiores vilões, colocando o País atrás da China

CAMILA WADDINGTON, PARA AB

As condições lastimáveis da infraestrutura de transportes e as dificuldades logísticas enfrentadas pela indústria no Brasil foram o tema central da palestra de Ricardo Pazzianotto, sócio-diretor da PricewaterhouseCoopers, no Workshop Indústria Automobilística Planejamento 2014, organizado por Automotive Business em São Paulo na segunda-feira, 5. No painel "Lições sobre a infraestrutura", o executivo apresentou panorama de produção global de automóveis, esperada para 106 milhões em 2019, com contribuição de 86% vinda dos países emergentes em tal desempenho. A maior preocupação é sobre como, e se, o Brasil vai conseguir resolver os problemas causados por anos de descaso com a infraestrutura, principalmente no modal ferroviário, para garantir sua cota neste volume de produção.

“O Brasil tem perspectiva de produzir 4,7 milhões de unidades em 2019, equivalente a 6% da produção global para aquele ano. Mas sem resolvermos alguns entraves, não teremos competitividade para evoluirmos muito além desse número.”

Ademais, o Brasil faz parte de um grupo com forte concorrência, com capacidade produtiva semelhante, mas sem o mesmo ônus. A começar pela China, que em 2019 deve produzir 27,3 milhões de veículos, o que significa 42% de participação no crescimento global da indústria automobilística. Com, no entanto, um custo de produção por unidade 63% menor do que no Brasil. Parte dessa enorme diferença é ditada pelo peso da logística no custo de produção. “Enquanto no resto do mundo a média é de no máximo 10%, aqui está entre 15% e 17%.”

Esses números constam de pesquisa realizada a cada dois anos pelo Banco Mundial, Logistics Performance Index (LPI), que visa a parametrizar informações de 155 países para efeito de comparação de competitividade. São indicadores como eficiência alfandegária, condições de infraestrutura e meios de transporte, estrutura e preços de exportações, qualidade e eficiência logística, acompanhamento e rastreabilidade das cargas, e prazos – ou melhor, a capacidade de cumpri-los. No ranking, o Brasil aparece em 45º, atrás da China, e à frente de Índia, México, Argentina e Rússia – e, assim mesmo, não em todos os aspectos elencados.

Não por outro motivo, a região Ásia-Pacífico, na qual incluem-se China e Índia, dentre outros, lidera o crescimento na produção de veículos até 2019 com 60,8% de participação global, seguida por América do Norte com 11,3%, União Europeia com 10,9% e América do Sul, 9,1%.

Em pesquisa global paralela para comparar a logística especificamente na produção de automóveis entre alguns países e regiões, a PwC avaliou as operações sob perspectiva inbound (recebimento de insumos e componentes para produção) e outbound (distribuição dos veículos para a venda). Além de custo de frete, o levantamento considerou a localização das plantas, dos fornecedores, modelo logístico de inbound adotado e modal escolhido. Em ambos os casos o Brasil foi um dos piores colocados, onde os custos, em particular com infraestrutura ou mal dimensionada ou simplesmente sem condições operacionais, são altíssimos. “Temos questões que pesam muito nessa condição, como a superlotação dos portos e infraestrutura rodoviária deficitária, esta que responde pelo maior fluxo de mercadorias em nosso País.”

Mas Pazzianotto vislumbra um cenário melhor em um futuro não muito distante calcado, principalmente, nos planos do governo federal de privatizar as estruturas de transporte, cujo aporte está estimado em R$ 222 bilhões. O que ainda é pouco, ele reitera, diante de uma necessidade de R$ 190 bilhões somente para o modal rodoviário.

Para os próximos dez anos Pazzianotto acredita na recuperação lenta, mas plena, da indústria automobilística. No caso dos países desenvolvidos, onde as indústrias tendem a enfrentar maior ociosidade muito devido ao baixo consumo, a busca será por novos mercados. E, nisso, os países em desenvolvimento devem ter papel preponderante.



Tags: PricewaterhouseCoopers, Workshop, infraestrutura, logística, pesquisa.

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