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Eventos | 05/08/2013 | 16h50

Falta capacidade para gerir pesquisa e desenvolvimento

Inovar-Auto chega para organizar os investimentos

CAMILA FRANCO, AB

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo setor automotivo em relação ao Inovar-Auto é a falta de capacidade das empresas de gerir os investimentos em pesquisa e desenvolvimento. A opinião é de Alfonso Abrami, sócio-diretor da consultoria especializada em inovação Pieracciani Associados, que fez palestra sobre "Estratégias em P&D e Inovação em tempos de Inovar-Auto" durante o Workshop Indústria Automobilística Planejamento 2014, promovido por Automotive Business na segunda-feira, 5, em São Paulo.

Na visão do consultor, o Brasil tem a quantidade suficiente de engenheiros capacitados para criar novas tecnologias. Caminha no mesmo nível de países desenvolvidos. Mas enfrenta problemas para formatar os projetos, traduzir os gastos para a liderança e apresentar tudo o que está sendo realizado ao governo.

“E é aí que o Inovar-Auto chega como uma grande chacoalhada para cadeia automotiva. O nosso setor já estava acostumado a tirar proveitos de políticas de incentivos fiscais, como a Lei do Bem, que devolve para o caixa da empresa cerca de 27% das despesas em P&D&E através da redução de IR e CSLL. Mas agora, mais do que nunca, tende a se organizar para firmar parcerias com universidades e com fabricantes de autopeças e para ter transparência ao apresentar seus projetos ao governo federal. Tudo será imprescindível para o preço da inovação de fato valer a pena”, comentou Abrami.

O consultor aconselha as empresas a diagnosticar numa primeira fase quais são as suas práticas de gestão e reorganizá-las, caso necessário. Na sequência, avaliar seu portfólio de produtos e estabelecer um plano de execução de novas tecnologias. E, por fim, monitorar permanentemente os relatórios que serão trocados com o governo. “Não é difícil fazer tudo isso. Basta se estruturar. Pelo Inovar-Auto, a empresa que possuir projetos de P&D&E poderá ter uma redução de 50% de dispêndios através de créditos presumidos de IPI, o que representa uma economia muito grande.”

Nos cálculos do executivo, para acelerar o desenvolvimento de projetos automotivos mais robustos, o governo arcará com 77% das despesas em P&D&E através de reduções de impostos. “As empresas não terão rombos financeiros para atender os níveis mínimos de inovação exigidos pelo Inovar-Auto. É mais barato e fácil fazer o desenvolvimento local. Custa apenas 23% do valor em P&D que era previsto inicialmente. As metas estabelecidas são factíveis. Nos países desenvolvidos, a intensidade de P&D (5% ou mais do faturamento) é mantida mesmo durante a crise.”

No fim das contas, as montadoras não serão as únicas beneficiadas pelo novo regime, uma vez que os investimentos poderão ser feitos na própria empresa ou nas fornecedoras de autopeças. Abrami defende que o setor de autopeças tenha uma política própria para assegurar a rastreabilidade dos componentes. “Acho válido buscarmos outros benefícios fiscais apenas para a indústria de autopeças. Mas só com os mecanismos que já temos hoje com o Inovar-Auto toda a cadeia será beneficiada. Os fabricantes de componentes deverão receber encomendas tecnológicas das montadoras.”

Otimista, o diretor prevê ainda que o Inovar-Auto é um empurrão duradouro. “As empresas que pensam que os resultados desta política só vão até 2017 estão completamente enganadas. Ninguém faria investimentos em laboratórios, recursos humanos e na produção para usufruir tudo isso a curto prazo. Há empresas já construído estratégias para manter sua competitividade daqui a dez anos.”

Assista abaixo a entrevista exclusiva de Alfonso Abrami a ABTV:



Tags: Inovar-Auto, pesquisa, desenvolvimento, investimento, workshop, planejamento, Alfonso Abrami.

Comentários

  • Antonio Dias

    O que mais nos falta é a cultura de P&D, principalmente nos nossos gestores, pois resultados construtivos e consistentes demandam a formação de equipe sólida e alinhada com a cultura da empresa, cultura do mercado, histórico de desenvolvimentos no Brasil e no Mundo, e formação de alianças com centros de pesquisas independentes e universidades. Há profissionais, mas não existem as equipes, e a visão de longo prazo. Uma única pesquisa pode ser concluída em um ano, muito bem sucedida ou em cinco anos com conclusões desanimadoras. É como investimento na bolsa de valores. Para os mais persistentes podem seguir o exemplo da NSK que investiu 21 anos numa equipe para o desenvolvimento da transmissão CVT toroidal. Espero que o Inovar-Auto traga esta visão para as empresas. Antonio Dias

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