Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Transportes | 08/08/2013 | 14h00

Futuro de incertezas atinge setor brasileiro de logística

Complexos marcos regulatórios criam insegurança em investidores com planos no País

CAMILA WADDINGTON, PARA AB

Que a infraestrutura logística e de transportes do País está em frangalhos é de conhecimento geral. Mas não que marcos regulatórios lançados aos montes, sem nenhum tempo de maturação entre um e outro, atravancam ainda mais a já lenta evolução dos processos no Brasil. Assim postulou Paulo Fleury, diretor-geral do ILOS (Instituto de Logística e Supply Chain), em sua apresentação "O Futuro da Logística no Brasil" na quinta-feira, 7, segundo dia do 23º Congresso Fenabrave. “Cria-se assim um ambiente de muita incerteza entre empresas que pretendem fazer investimentos por aqui.”

Fleury avalia que, em razão disso, “vivemos em um momento de paralisia para ver o que vai acontecer, sem fazer grandes movimentações que possam comprometer resultados”. O cenário macroeconômico, no entanto, impulsiona o crescimento da demanda logística: o PIB tem crescido continuamente na última década, assim como o comércio exterior. Tem ganhado força também a interiorização das atividades econômicas que, uma vez descentralizadas, criam novos mercados consumidores e, portanto, necessidade por transporte. “Este é o principal driver de crescimento do consumo de veículos automotores neste e nos próximos anos.”

A evolução das vendas de caminhões, na análise de Fleury, foram em muito alavancadas por este advento, bem como para o suprimento da defasagem de oferta de ferrovias para atender à crescente demanda. “Basta observar o perfil dos modelos comercializados. Os segmentos que mais cresceram foram o de pesados e de semipesados adequados, justamente, a operações de longas distâncias, que deveriam ser feitas por trens.”

DILEMA

O custo logístico do Brasil com relação ao PIB é um dos mais altos do mundo, e isso é reflexo direto da crônica deficiência de investimento em infraestrutura no País. Ou, por pior, da má qualidade do que é feito. Em 2010, 10,6% de toda a riqueza produzida no País desaguou em operações logísticas. Nos Estados Unidos, por exemplo, este mesmo custo é de 7,7%. Outro ponto é a questão da idade média da frota circulante. “No mundo inteiro, conforme o veículo envelhece, mais impostos ele paga. No Brasil é o oposto. Isso gera uma redução enorme de produtividade, eficiência, fora os acidentes e impacto ambiental.”

Por falar em falta de lógica, em média as obras públicas levam até o dobro do tempo originalmente previsto para serem concluídas. Isso, naturalmente, implica em custos muito maiores. “Para citar apenas um exemplo, a construção da ferrovia Norte-Sul estava prevista para três anos, com R$ 7 bilhões em investimentos. Levou, afinal, quatro anos a mais. Qualquer empresa privada com um atraso desses quebraria. Mas, como o aporte veio dos cofres públicos, nada aconteceu.”

Esse tipo de distorção é uma constante na realidade logística brasileira. E Fleury parece colecioná-las. “Só aqui se anda mais para gastar menos.” Para ilustrar, ele comenta a via sacra de uma empresa instalada no Rio de Janeiro (RJ) para economizar. Com isenção de impostos em Anápolis (GO), passou a importar insumos de alto valor agregado via Brasília para, de lá, despachá-los para o Rio, a 1.400 quilômetros de distância, onde seriam embalados. E, depois, de volta para Anápolis para os produtos serem, finalmente, distribuídos. “Só assim a empresa conseguiu ter lucro, com esse passeio logístico. Se gasta mais dinheiro com transporte, combustível, mão-de-obra, tempo. É uma distorção absurda, um incentivo à improdutividade.”

Mas algumas iniciativas têm surtido efeito, como as restrições de circulação em alguns centros urbanos do País e, em termos de sustentabilidade, a gradual customização de veículos em frotas segregadas para adequá-los a suas atividades fim. É o caso da Martin Brower, transportadora oficial de uma grande rede de fast food que, com o óleo usado para fritura nas lanchonetes, o transforma em biodiesel que abastece 40% de sua frota. E, de quebra, reduz em 7% suas emissões. “Com um investimento girando em torno de apenas 0,5% do PIB – enquanto na China é de 10,6%, Índia 8% e Rússia 7% - ações como estas, ainda que localizadas, fazem a diferença para fazer a roda continuar girando.”



Tags: Congresso Fenabrave, Paulo Fleury, ILOS, Infraestrutura, logística, marcos regulatórios.

Comentários

  • DOUGLAS

    Eu não entendo é na distribuição ,no caso de uma carga de carreta a ser entregue, quantos vuc seria obrigado a levar essa mesma quantidade .E o transito com certeza aumentaria e a onde estacionar essa quantidade de caminhõezinhos . eu estou falando no centros urbanos ,onde existe grandes CDBs

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência