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Indústria | 05/09/2013 | 17h27

Anfavea rechaça proposta do Sindipeças para aumentar taxação de autopeças importadas

Fornecedores não têm capacidade de fazer todos os componentes necessários no País, afirma o presidente da associação dos fabricantes de veículos

PEDRO KUTNEY, AB

“Não vejo nenhuma necessidade de aumentar o imposto de importação de peças, porque vou ter de cobrar do consumidor esse custo maior por componentes que não são produzidos no País.” Assim Luiz Moan, presidente da associação dos fabricantes de veículos, a Anfavea, resumiu o sentimento do setor que representa sobre a proposta do Sindipeças, que reúne cerca de 500 fornecedores das montadoras, para aumentar a taxação sobre componentes importados. Paulo Butori, presidente do Sindipeças, sugere esta medida ao governo em documento entregue ao ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) na terça-feira passada, dia 3. O dirigente defende que a indústria de autopeças precisa do mesmo tipo de proteção dado às fábricas de veículos com o Inovar-Auto, com sobretaxação de importados (leia mais aqui).

Na segunda-feira, 2, Butori declarou que o Inovar-Auto não ajuda a indústria nacional de autopeças e que o esperado programa Inovar-Autopeças não trazia novidades, nem contempla as reais necessidades do setor. “Com as medidas do Inovar-Auto as montadoras estão protegidas, deixamos de importar carros para importar peças”, disse o dirigente na ocasião. Na quinta-feira, 5, Moan aproveitou a reunião mensal da Anfavea com a imprensa para rebater a crítica: “Não concordo com a análise de que nada está sendo feito pelo setor de autopeças. Estamos trabalhando pelo fortalecimento dos fornecedores, porque sem eles não há razão para existir aqui uma indústria automotiva, bastaria importar o veículo inteiro”, afirmou.

Moan defende que o Sindipeças faz uma avaliação parcial do Inovar-Auto, pois o programa teria trazido proteção aos fornecedores também com a queda das importações de veículos, que chegaram ao pico de 27% das vendas internas em dezembro de 2011 e caíram para 18,9% em agosto passado. “Para cada carro que deixou de ser importado foi produzido um aqui com peças nacionais”, disse. Moan também destacou que o Inovar-Auto obriga o aumento das compras de componentes nacionais para abater a sobretaxação de IPI. “Por isso todas as empresas se lançaram na nacionalização de produtos.”

O presidente da Anfavea tenta devolver ao Sindipeças a responsabilidade pelo aumento das importações de componentes nos últimos anos – o déficit comercial do setor deve ultrapassar o recorde de US$ 10 bilhões em 2013. “Muitas coisas não são feitas aqui. Vou dar um exemplo: o Inovar-Auto tem metas de eficiência energética que vão exigir a adoção de itens como pneus verdes e direção elétrica. Mas quem pode fornecer isso hoje no Brasil?”

Representantes da Anfavea negociam com o governo algo bem diferente do que quer o Sindipeças: uma ampla lista de componentes sem fabricação nacional que teriam o imposto de importação reduzido a 2% – a alíquota normal chega a 18%. Butori disse que concorda, desde que “realmente não exista produção nacional e que o porcentual seja elevado assim que alguém começar a produzir aqui aquele item”.

Moan adverte que não há espaço para aumento de preços no mercado brasileiro e, portanto, os custos também devem ser contidos. Para atender as metas do Inovar-Auto, contudo, a indústria será obrigada a adotar mais tecnologias e equipamentos nos seus produtos, pressionando para cima os custos. “Teremos de compensar isso com ganhos de produtividade”, diz, apontando os altos desperdícios em transporte e impostos não-compensáveis.



Tags: Anfavea, Sindipeças, autopeças, indústria, MDIC, Inovar-Autopeças, Inovar-Auto, política industrial.

Comentários

  • Luiz Eduardo Mutzberg

    No meu ponto de vista, o que o Sindipeças tem de fazer é estimular com apoio do governo a criação de novas empresas do setor, e também apoiar projetos de inovação e de qualificação. O que se vê na prática é muita conversa, mais com o intuito de estar na mídia, do que ações concretas. Também é importante sensibilizar o empresariado deste segmento na importância de investir em qualificação, modernização do parque fabril, pesquisa, entre outros. Temos as universidades e escolas técnicas que podem participar de um programa para desenvolvimento deste setor. Esta é minha opinião.

  • Gilberto

    A Anfavea não perde a mania de sempre dizer que pneus verdes não são produzidos aqui. Nós sempre oferecemos produtos com baixa resistência ao rolamento mas nunca aceitos pela fraca argumentação de que o usuário não busca esse beneficio. A verdade reside na necessidade desenfreada de pressionar o fornecedor pelos menores custos e portanto, não aceitam aumento no preço nos pneus devido a maior tecnologia. Eles não vendem mais caro um veiculo por ter ar condicionado, travas elétricas?

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