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Insumos | 04/10/2013 | 19h15

Produção própria de aço é arma secreta da Hyundai

Siderúrgica do grupo fornece quase 60% do insumo usado na produção de veículos

PEDRO KUTNEY, AB | De Dangjin (Coreia do Sul)

Alguns consultores e executivos do setor que dizem com certeza inabalável que a tendência da indústria automotiva é de terceirização máxima possível das operações industriais, certamente se esqueceram de contar isso ao Grupo Hyundai , que verticaliza tudo que pode. Além de controlar nada menos que 12 fornecedores diretos de autopeças e serviços, o grupo coreano também tem o controle sobre o mais básico dos insumos para se fabricar veículos, o aço. A siderúrgica Hyundai Steel pertence à divisão automotiva da companhia e fornece perto de 60% das necessidades das fábricas de automóveis e caminhões da Hyundai e Kia. E a expectativa é elevar o porcentual para 70% até 2014.

“Só não entregamos mais porque não temos capacidade”, diz Won-Suk Cho, vice-presidente executivo sênior, responsável pelo centro de pesquisa e desenvolvimento da Hyundai Steel em Dangjin, que após a inauguração de seu terceiro alto forno este ano tem capacidade para processar 23 milhões de toneladas de aço laminado por ano, sendo 50% de minério de ferro e 50% de sucata. O complexo forneceu no ano passado 8,5 milhões de toneladas de bobinas de aço exclusivamente para as fábricas de veículos do grupo em todo o mundo, além de placas para a Hyundai Heavy Industries, que fabrica navios.

“Fabricamos nosso próprio aço não só por questão de preço, que negociamos como qualquer outro fornecedor, mas porque consideramos um insumo estratégico para controlar a qualidade dos veículos que produzimos”, afirma Cho, lembrando que o metal representa cerca de 60% do peso de um veículo. “É nossa arma secreta. Com a demanda por redução de peso nos carros para aumentar a eficiência de consumo, podemos sair na frente com um controle sobre um material estratégico que nenhuma outra montadora tem”, destaca Frank Ahrens, vice-presidente global de comunicação da Hyundai.

E por que as outras montadoras não fazem o mesmo? “Talvez porque nunca tiveram experiência nesse ramo de atividade”, diz Cho. A Hyundai Steel tem 60 anos, era uma companhia estatal e foi comprada pelo Grupo Hyundai nos anos 1980. Em 2000 foi incorporada à divisão automotiva. “A verticalização das operações sempre funcionou bem para a Hyundai”, lembra Ahrens.

Cho avalia que o aço continuará a ter presença preponderante na fabricação de veículos, mesmo com a tendência de adoção de materiais mais leves. “Em 1999 todas as montadoras queriam metais mais leves, mas alumínio e magnésio falharam em atender essa demanda, porque o aço é mais competitivo, tem preço menor, é mais simples de produzir e é mais sustentável em seu ciclo de vida”, afirma, apontando a grande quantidade de energia necessária para se produzir alumínio. Ele lembra também que, na última década, o aço ficou 25% mais resistente e 20% mais leve, com redução da espessura da lâmina de 0,8 para 0,7 milímetro. Para Cho, ainda é possível reduzir em cerca de 15% o peso do aço para produção de veículos.

MATÉRIA-PRIMA BRASILEIRA

Boa parte do minério de ferro usada na produção de aço da Hyundai Steel vem do Brasil, desembarcado no porto próprio da siderúrgica, de 1.580 metros de extensão. Este ano a Vale deverá fornecer 25% das necessidades, algo em torno de 5 milhões de toneladas de minério.

Todo o minério que chega a Dangjin é transportado por esteiras cobertas e armazenado sob grandes domos, com capacidade para 400 mil toneladas cada, equivalente a três a quatro semanas de produção da siderúrgica. Dessa forma, a poeira não contamina o meio ambiente e não há perda de material causado pelo vento e pela chuva.



Tags: Hyundai, Hyundai Steel, aço, siderúrgica, estratégia, indústria.

Comentários

  • Marcos Rolim

    A reportagem está muito boa! Acho que os "donos das siderúrgicas no Brasil" principalmente a Gerdal deveria receber uma cópia. Será que não há empresário brasileiro com vergonha que possa desenvolver uma indústria automotiva? Outro exemplo vem da Índia, com a Tata!

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