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Autopeças | 21/11/2013 | 17h35

CEO da Honeywell estuda novo investimento no Brasil

Fornecimento de turbos para motores otto pode superar 1 milhão/ano até 2020

PEDRO KUTNEY, AB

De olho na esperada expansão do fornecimento de turbocompressores no Brasil, a Honeywell estuda uma possível ampliação de capacidade no País até a virada para a próxima década, quando se espera que pelo menos 20% dos veículos leves que usam motor ciclo otto produzidos aqui, algo como 1 milhão de unidades, sejam equipados com turbinas, especialmente para atender às metas de melhoria de eficiência energética introduzidas pelo regime automotivo, o Inovar-Auto. “Por enquanto temos capacidade suficiente, mas claro que sempre avaliamos ampliações conforme a demanda aparece”, diz Terrence Hahn, presidente e CEO da Honeywell Transportation Systems, divisão da gigante americana que reúne os negócios de turbos da marca Garrett e componentes para freios (como pastilhas) Bendix e Jurid.

O executivo incluiu o Brasil em seu tour de visitas às principais operações da Honeywell Transportation Systems no mundo. Ele visitou as fábricas de componentes para freios em Sorocaba e de turbos em Guarulhos, além de realizar várias reuniões com a direção local da companhia e consultores de mercado. Embora não tenha divulgado isso claramente, tudo indica que Hahn veio tomar o pulso do mercado brasileiro para saber o quanto será necessário crescer e investir aqui. “No longo prazo as perspectivas são muito promissoras, principalmente por causa do Inovar-Auto e suas metas de eficiência energética. Isso para nós é uma grande oportunidade de fornecer turbos para motores otto”, disse em uma rápida reunião com jornalistas na terça-feira, 19, pouco antes de ouvir as projeções para a indústria automotiva brasileira do consultor Stephan Keese, da Roland Berger.

Se as projeções da própria Honeywell estiverem corretas, de um mercado adicional no País de 1 milhão de turbos por ano até 2020 e boas chances de fornecer pelo menos 500 mil deles, será preciso aumentar consideravelmente o tamanho da operação. Hoje a produção de turbocompressores Garrett está restrita à fábrica de Guarulhos, com capacidade instalada para 300 mil unidades/ano em dois turnos, mas só para motores diesel. Portanto, quando começar o fornecimento para veículos leves – já existem três montadoras em negociações avançadas que devem introduzir seus primeiros modelos locais turbinados em 2016 –, será preciso aumentar o ritmo substancialmente para adicionar 500 mil/ano à capacidade atual. Guarulhos tem limitações para crescer, mas ao que parece há espaço para uma nova planta em Sorocaba, no mesmo terreno onde já opera a Bendix.

MELHOR OPÇÃO DE EFICIÊNCIA

Hahn lembra que atualmente a turboalimentação oferece o melhor custo-benefício para melhorar a eficiência dos motores e reduzir consumo. Segundo um estudo elaborado este ano pelo Boston Consulting Group, um turbo para um motor a gasolina custa pouco mais de US$ 500 e reduz as emissões de CO2 em 35%, na média, enquanto o custo de um sistema híbrido pode chegar a US$ 9 mil para cortar em menos de 30% as emissões.

“O downsizing (adoção de motores menores) é uma tendência mundial e as montadoras querem fazer mais e mais produtos globais. Ao mesmo tempo, o consumidor quer economia de combustível sem perda de potência. Nesse cenário, a turboalimentação é a melhor opção”, avalia o executivo. Dependendo das tecnologias combinadas, a introdução do turbocompressor pode reduzir o consumo de 20% a 40%, pois permite a adoção de motores pequenos e econômicos. Com turbo, um propulsor 1.0 pode gerar potência de cerca de 120 cavalos, similar ou até maior ao de um 1.6. “Essa tendência atingirá todo o mundo, incluindo o Brasil”, diz.

A Honeywell equipa atualmente com seus turbos quase 40 tipos de motores pequenos, menores de 2 litros, de uma dúzia de fabricantes de automóveis. Para o Brasil, já têm prontos para fornecimento dois modelos de turbinas, a NGT 10 e NGT 12, que podem equipar motores flex (etanol-gasolina) de 0,9 a 1,4 litro (leia aqui e aqui). Segundo a empresa, os dois modelos foram desenvolvidos no País nos últimos dois anos para trabalhar com etanol.

Segundo projeções da Honeywell Transportation Systems, até o fim desta década 70% dos veículos produzidos no mundo deverão ser equipados com turbocompressores. Essa expansão varia bastante conforme a região. Na Europa, onde metade da frota já usa motores turbinados (principalmente por causa do alto porcentual de veículos diesel), a perspectiva é que 67% dos carros carreguem a tecnologia até 2018.

Na América do Norte os saltos são bem mais expressivos: de apenas 3% de veículos turbinados na frota em 2006, a participação já passou para 17% este ano e deve alcançar 31% em 2018, com 6,5 milhões de novas unidades vendidas naquele ano. A EPA, agência ambiental dos Estados Unidos, estima que em 2025 cerca de 90% dos veículos no país usarão motores turboalimentados.

Na China, onde a Honeywell já tem duas fábricas de turbocompressores, a expectativa é que a atual frota de 4 milhões de veículos turbinados cresça para 10 milhões em 2018. O país asiático conta com diversos fabricantes locais de turbos, mas Hahn garante que consegue competir de igual para igual. “Controlamos 100% do negócio e na Ásia podemos competir em igualdade com qualquer um”, afirma.



Tags: Honeywell, Garrett, Bendix, Jurid, turbocompressor, pastilhas, freios, Inovar-Auto, Terrence Hahn, investimento, indústria, autopeças.

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