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Combustíveis | 27/11/2013 | 20h21

Comgás aposta na retomada do GNV em São Paulo

A distribuidora quer virar o jogo e colocar o gás veicular em evidência

PAULO RICARDO BRAGA, AB

O gás natural veicular (GNV) promete vantagem econômica para o usuário, com um custo de apenas R$ 0,13 por quilômetro rodado, ante R$ 0,25 do etanol e R$ 0,27 da gasolina, segundo cálculos baseados em preços levantados pela ANP, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Dados da Comgás, a Companhia de Gás de São Paulo, que promove a distribuição do combustível gasoso a postos de abastecimento por meio de tubulações no Estado de São Paulo, indicam que enquanto o rendimento médio da gasolina é de 10 km/l e o do etanol de 7 km/l, um metro cúbico de GNV permite percorrer 12,5 quilômetros. Com base nesse desempenho e considerando que é necessário investir R$ 4 mil a R$ 5 mil na instalação do kit conversor de quinta geração, que permite consumir o gás natural como alternativa ao etanol ou gasolina, o proprietário que percorre 4 mil quilômetros por mês com o carro recuperará a aplicação em menos de um ano, com uso intensivo do GNV. Há outros benefícios, como a certificação do Inmetro para aparelhos de conversão e a modernidade na operação dos novos sistemas, que tornam praticamente imperceptível a troca do combustível.

Economia

No entanto, se abastecer o veículo com o GNV pode ser tão interessante como sugere a Comgás, por que ainda existe resistência do mercado à solução? Entre as respostas está o descrédito que o GNV enfrentou a partir dos vacilos do governo na condução da política energética, evidentes a partir de 2005, quando ocorreu a nacionalização do gás boliviano, provocando repercussão negativa no Brasil, forte importador na época. Logo depois veio outra decisão contundente, com a destinação do gás natural para alimentar usinas térmicas em período de forte estiagem e baixo nível dos reservatórios nas hidrelétricas.

Ao sinalizar que o gás deixava de ser uma prioridade para uso veicular, o governo provocou uma reviravolta no mercado que começava a se firmar. De lá para cá, o GNV perdeu o status conseguido no passado, com uma arrancada que levou ao recorde de 272 mil conversões em veículos para uso do produto em 2007. No ano seguinte esse volume caiu para 187 mil e em 2008 despencou para 76 mil. Em 2012 veio o fundo do poço, com apenas 33 mil. O número de postos de combustível dispostos a oferecer o produto manteve-se em alta no período considerado, caindo ligeiramente para 1.671 pontos em 2012 e 2013, dos quais 350 estão no Estado de São Paulo.

SUPRIMENTO

“Na verdade, nunca faltou gás. Mesmo quando o produto era necessário para alimentar as termelétricas, com preço majorado, teria sido possível preservar o programa do GNV. Houve crescimento significativo na oferta do gás natural”, afirma Sérgio Luiz da Silva, diretor de marketing, planejamento e suprimento de gás da Comgás. Ele revela que a distribuidora está iniciando um amplo programa, com apoio de empresas e entidades do setor de energia e distribuição de veículos, para reconquistar a credibilidade do GNV.

O diretor explica que a oferta de gás natural aumentou 86,7% entre 2007 e 2013, passando de 49,2 milhões para 91,9 milhões de m3/dia. A oferta do GNV para uso por veículos, que no período avançou 103,6%, para 44,6 milhões de m3/dia, deve crescer outros 92,8% até 2020, alcançando 86 milhões de m3/dia.

O mercado de GNV, 70% concentrado no Sudeste do País, corresponde a 11% do gás natural comercializado no Brasil, que registra seu uso principal na indústria, com 59%; outros 19% são consumidos na geração elétrica, 2% em residências e 1% no comércio. Na matriz de combustíveis para transporte o gás natural tem participação de 2%, cabendo 47% ao diesel, 27% à gasolina, 14% ao etanol e 5% ao querosene de aviação.

O gás oriundo da Bolívia, transportado em tubulações a pressão de 100 bar, corresponde a cerca de 30 milhões de m3 diários; a bacia de Santos contribui com 20 milhões de m3/dia e a bacia de Campos, no Rio de Janeiro, com 20 milhões a 30 milhões de m3/dia. A pressão nas linhas é rebaixada para 4 bar até chegar aos postos de abastecimento.

Quando as termelétricas não são acionadas para gerar energia elétrica, há perda diária de até 45 milhões de m3 de gás natural, que são queimados antes do processo de distribuição.

SIENA TETRAFUEL

Gran
Motor do Fiat Gran Siena Tetrafuel: único a sair de fábrica preparado para rodar com GNV

Apenas um veículo no Brasil sai de fábrica preparado para rodar com GNV, o Grand Siena Tetrafuel (a partir de R$ 47.310), com motor Fire EVO 1.4 Tetrafuel, capaz de utilizar, sem a necessidade de seleção por parte do motorista, gasolina pura (sem adição de álcool), gasolina brasileira (com 22% de etanol), etanol puro ou gás natural veicular. Em 2006, a Fiat foi a primeira fabricante do mundo a lançar de fábrica a tecnologia Tetrafuel, acomodando os dois cilindros de gás no porta-malas.

Em acelerações suaves e velocidades constantes, o sistema utiliza o gás para movimentar o veículo. Se a exigência aumentar, como em ultrapassagens, retomadas ou aclives acentuados, o motor automaticamente passa a consumir combustível líquido, oferecendo mais torque e potência. Segundo a Fiat, tudo ocorre de maneira suave e praticamente imperceptível para o motorista. Se faltar um combustível, o sistema busca automaticamente outro.

A Fiat calcula que o uso do GNV garante redução de cerca de 20% na emissão de gás carbônico, em média, se comparado à utilização de combustíveis líquidos. E mesmo com gás, o desempenho do Grand Siena Tetrafuel melhorou consideravelmente: o limite de velocidade com o combustível gasoso passou de 153 km/h para 168 km/h. Sua aceleração também teve melhoria. O motor oferece potência de 75 cv e torque de 10,7 kgfm com GNV, ante 88 cv e 12,5 kgfm com etanol e 85 cv e 12,4 kgfm com gasolina.

CONVERTEDORA

Uma visita ao website da Osasgas (www.osasgasgnv.com), empresa especializada em adequação do powertrain para uso de GNV, traz informações sobre o mercado de gás e equipamentos e procedimentos utilizados. A empresa recomenda o emprego do kit da italiana Land Renzo, de quinta geração. A conversão custa de R$ 4,2 mil a R$ 4,9 mil, dependendo do modelo do veículo. “Atendemos uma centena de clientes por mês. Mas esse número já chegou a 700”, afirma Maurício Brazioli, diretor financeiro e sócio da empresa, que está estruturando uma linha de montagem para atender o mercado juntamente com a White Martins e Land Renzo.

Ele garante que os novos kits, com central eletrônica e injeção do gás, representam uma expressiva evolução em relação aos sistemas anteriores – praticamente não há manutenção e o motorista nem mesmo percebe a troca no uso de gás para etanol ou gasolina: “Não há perda de potência perceptível na mudança de combustível”, garante. Maurício estima que existam até cinco centenas de convertedoras no País, mas adverte que é indispensável selecionar uma certificada pelo Inmetro (ver em www.inmetro.gov.br).

Sistema



Tags: GNV, Congás, gás natural veicular, combustíveis.

Comentários

  • André RC

    O Governo brasileiro, deu um tiro no pé. O GNV seria uma ótima solução para os nossos combustíveis caros e de péssima qualidade. Só que preferiu investir na tecnologia flex, cujo os motores consomem mais gasolina do que o que é apenas a gasolina, como os usineiros não tiveram o apoio e incentivo que precisavam desistiram do álcool e pularam para o açúcar, resultado o governo quebrou a Petrobrás, importando gasolina pro mercado (eu mesmo nunca usei álcool no carro), que agora precisa investir no Pré-sal. Aqui no Estado do Espírito Santo, NUNCA o álcool ficou mais vantajoso, ou seja, o Brasil continua a ser o pais do contrário, enquanto lá fora se investe em carros híbridos, elétricos e outros menos poluentes, nós estamos aqui queimando gasolina de péssima qualidade. E vamos que vamos, tem a copa, futebol, cerveja e ah sim!! O carnaval, mas não é que tá tudo bem!!!! Porque não se divertir um pouco!!! Meu Deus!!!

  • Thiago Gandolfe

    André RC, sobre a questão de "quebrar a Petrobrás", acho que você não esta muito bem informado. A Petrobrás atualmente, gera muito lucro. Esta endividada ? Sim, e muito. Mais este endividamento, é um investimento para a exploração do Pré-Sal. Agora, o retorno deste investimento, esta por vir nos próximos anos (entre 2018 e 2020). O fato da Petrobrás estar endividada, não significa que esta quebrada. Qual é o pais mais endividado ? EUA. Qual é a maior economia do Mundo ? EUA.

  • Carlos

    Muito cuidado nos cálculos prévio para conversão, não esqueça das taxas de vistoria anual e o reateste do cilindro e troca de válvulas etc. Um absurdo esses custo estão ficando de fora.

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