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Autopeças | 29/11/2013 | 20h00

BorgWarner investe R$ 50 milhões para fazer turbos de automóveis no País

Empresa já tem um cliente confirmado e prepara fábrica para 500 mil unidades/ano

PEDRO KUTNEY, AB

Com investimento de R$ 50 milhões para fabricar em Itatiba (SP) turbocompressores para carros bicombustível (etanol-gasolina), a BorgWarner entrará em 2014 de olho em 2015, quando começará a fornecer o componente que, logo de início, mais que duplicará a produção atual, hoje só focada só em turbinas para veículos diesel. O contrato já fechado com o primeiro cliente no Brasil prevê o fornecimento do turbo B01 (adaptável em propulsores de 0,8 a 1,4 litro) para motores flex de três cilindros – a empresa não confirma, mas a PSA Peugeot Citroën é forte candidata a ser este cliente, pois já usa a turboalimentação da BorgWarner em seu novo três-cilindros EB Turbo Puretech 1.2, que será feito também em Porto Real (RJ) (leia aqui).

“Claro que queremos mais clientes. Já temos um fechado, mas estamos negociando com outros que já usam nosso turbo em outros países. Com o investimento que fizemos na nova fábrica teremos capacidade para atender esses pedidos aqui”, afirma Arnaldo Iezzi Jr., diretor geral de operações da BorgWarner do Brasil. Segundo ele, na Europa Peugeot, Citroën, Renault e Volkswagen já usam o B01, e motores acima de 1,4 litro, como a Ford em seu 1.6, usam o modelo KP39, outro que também tem boas chances de ser produzido em Itatiba.

Segundo concordam os dois principais fabricantes de turbos no País (BorgWarner e Honeywell), as metas de eficiência energética do Inovar-Auto, o regime de incentivos para o setor automotivo criado pelo governo para o período 2013-2017, abre oportunidade para fornecimento de 1 milhão de turbinas para veículos leves de passageiros no País na virada desta década. Ambas esperam dividir esse novo mercado em cerca de 50% para cada uma.

Não por acaso, a nova fábrica da BorgWarner inaugurada este ano em Itatiba, após investimento de R$ 70 milhões, já reserva espaço de 1,5 mil metros quadrados para acomodar a produção de até 500 mil turbos leves por ano. “Temos a vantagem de ter espaço na fábrica e o produto está quase pronto, não depende mais de testes na matriz. Agora vamos iniciar o investimento de mais R$ 50 milhões para instalar as linhas de produção durante o próximo ano e em 2015 começamos a produzir”, conta Iezzi. Ele acrescenta que a empresa já vem se preparando há cerca de dois anos para isso: “Enviamos engenheiros de produto e manufatura à Alemanha para desenvolver o turbo para o mercado brasileiro.”

Para Iezzi, é improvável que as montadoras no País usem mais de um fornecedor de turbo para um mesmo motor. “Não existe volume para justificar isso, pois a validação de cada motor é um processo que custa caro”, diz. Por isso, o mais provável é que os fabricantes de veículos adotem aqui a mesma turbina já usada em outros países, do mesmo fornecedor.

O nível de nacionalização dos turbos para carros de passeio deverá ser de 60%, o mesmo porcentual das turbinas para diesel. “Gostaríamos que fosse mais, mas existem alguns componentes com materiais especiais que não são feitos aqui ou não têm custo competitivo”, explica o diretor. Ele afirma que será necessário desenvolver novos fornecedores para a linha de turbos leves, principalmente de fundidos, que são diferentes dos usados nos turboalimentadores de veículos pesados. De acordo com Iezzi, técnicos serão trazidos do exterior para ajudar a fazer essa qualificação, em troca de exclusividade no fornecimento. Hoje a BorgWarner tem no Brasil cerca de 150 fornecedores nacionais e 50 estrangeiros.

Os turbos para motores bicombustível têm custo maior, pois para trabalhar com etanol hidratado, que contamina e dilui o óleo, foi necessário aplicar revestimento especial ao mancal e usar peças de aço inoxidável para evitar corrosão.

RESULTADOS

Após o tombo do mercado de caminhões no Brasil em 2012, causado pela mudança na legislação de emissões que obrigou a adoção de motorização diesel Euro 5, mais cara, em 2013 as vendas da BorgWarner cresceram 12%, acima da média do setor. “Foi um ano de maturação do Euro 5, mudança de fábrica (de Campinas para Itatiba) e estabilização da produção. Mas ainda não conseguimos compensar toda a queda de 2012”, avalia Iezzi.

O crescimento acima do mercado foi sustentado não só pelo aumento da produção de caminhões e ônibus no País (segmento no qual a BorgWarner afirma deter 55% das vendas de turbo), mas também pelo avanço de 10% dos negócios no aftermarket, que respondeu por 20% das vendas, e pelas exportações, que representaram 24% da produção. Os 56% restantes foram fornecidos diretamente às montadoras.

Para 2014 Iezzi espera crescimento mais tímido, em torno de 5%, já baseado no recuo dos pedidos que começou a ser sentido no segundo semestre do ano. Segundo Iezzi, as encomendas das montadoras caíram 12% no terceiro trimestre em comparação com os primeiros três meses de 2013. “No próximo ano ainda existe a incerteza sobre o PSI”, lembra. O programa especial de financiamento do BNDES para caminhões e ônibus, que hoje tem juro abaixo da inflação, fixado em 4% ao ano, será estendido para 2014 mas a taxa ainda não foi divulgada pelo governo.



Tags: BorgWarner, turbo, turbocompressor, turboalimentação, Inovar-Auto, investimento, eficiência energética.

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