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BMW 320i Flex: com turbo e sem tanquinho nem pré-aquecimento
O BMW 320i ActiveFlex: bicombustível mais econômico com etanol

Lançamentos | 16/12/2013 | 23h00

BMW 320i Flex: com turbo e sem tanquinho nem pré-aquecimento

Primeiro modelo bicombustível turbinado do mundo traz avanços

PEDRO KUTNEY, AB | De Araquari (SC)

A BMW apresentou o seu primeiro carro bicombustível etanol-gasolina na mesma cerimônia que marcou o início das obras dos prédios de sua primeira fábrica no Brasil (leia aqui). O sedã 320i Active Flex levou dois anos para ser desenvolvido pela equipe de engenharia da fabricante alemã e será um dos cinco modelos produzido na planta de Araquari (SC), mas já começou a ser vendido no mercado brasileiro, ainda importado da Alemanha, por R$ 129.950. O carro, o primeiro flex turbinado do mundo, traz avanços à tecnologia de motores flexíveis, pois é mais econômico rodando com etanol e não precisa usar o tanquinho de gasolina nem o sistema de pré-aquecimento dos bicos injetores para a partida a frio.

O primeiro modelo flex da BMW teve a ajuda da engenharia brasileira da Bosch, que ganhou experiência com o fornecimento do sistema em larga escala no Brasil. Após o período de desenvolvimento, a Bosch passou a fabricar e fornecer à BMW na própria Alemanha os principais elementos do powertrain bicombustível, incluindo a central de controle eletrônico, bombas de alta e baixa pressão e a injeção direta que trabalha entre 200 e 250 bars.

“Pela primeira vez desenvolvemos um motor só para um país”, destacou Luiz Estrozi, gerente técnico do BMW Group Brasil. “Como nossos carros já entregam desempenho suficiente, privilegiamos a economia”, disse Estrozi, para explicar por que não houve aumento de potência quando o 320i ActiveFlex usa só etanol. Segundo ele, quando abastecido com o biocombustível, o carro gasta cerca de 38% mais do que com gasolina. Em comparação com a média dos modelos flex brasileiros, que na média consomem 43% mais com álcool, houve um ganho de cinco pontos porcentuais.

O principal fator a favor da economia, no caso da BMW, é o uso da injeção direta e um sensor instalado antes da câmara de combustão – ao contrário dos demais carros flex, que leem essa mistura após a queima. O sensor indica o combustível antes da detonação, fazendo com que a central eletrônica ajuste com maior eficiência a quantidade exata de etanol ou gasolina (ou ambos misturados) necessária para o desempenho requerido pelo pé no acelerador.

Também graças à injeção direta calibrada para o álcool e ao comando eletrônico de válvulas foi conquistado mais um avanço para a tecnologia flex: o motor da BMW é acionado a frio com 100% de etanol sem necessidade de injeção de gasolina, o que elimina o tanquinho, nem do sistema de pré-aquecimento dos bicos injetores.

O turbocompressor usado pela BMW em seu flex é um Honeywell Garrett de duplo estágio, o primeiro a operar em um carro flex à venda. Segundo a engenharia da marca, não foi necessária nenhuma modificação para a turbina funcionar com etanol. “Não houve nenhuma contaminação, pois o etanol evapora antes da admissão no turbo. Fizemos vários testes e não houve necessidade de nenhuma mudança”, afirmou Markus Brown, gerente técnico do projeto de motor flexível da BMW.

A BMW ainda não revela para quais outros motores pretende instalar o sistema flex para venda no Brasil, mas Estrozi admite que “é um caminho natural” adotar motores bicombustíveis para toda a linha fabricada no Brasil. O sistema desenvolvido pode equipar qualquer motor entre 1 e 2 litros, trazendo a vantagem de imposto (IPI) menor cobrado de veículos flex.



Tags: BMW, Série 3, 320i ActiveFlex, Araquari, Santa Catarina, fábrica, investimento, Inovar-Auto, Bosch.

Comentários

  • Renan Tiozzo

    Os caras resolveram fazer carro Flex e já estão bem à frente dos nossos carros, e isso pq a gente já faz carro flex há mais de 10 anos.

  • Leonardo Nascimento

    Motores flex são produzidos mundialmente desde 1991 nos EUA e na Suécia, onde tem maioria no mercado como no Brasil. Não rodam com 100% etanol, mas com E85. Levando em conta que mecanicamente e do ponto de vista do software as mudanças são exatamente as mesmas, o primeiro motor flex turbo do mundo foi apresentado pela Saab em 2005 (1.8t e 2.0t BioPower). Este motor da BM, apesar de avançado para os padrões do Brasil, não faz mais que colocar o pais no nivel tecnologico atual da Europa e EUA. By the way, a Ford também tem um motor 2.0 EcoBoost Flexi fuel na Europa que roda com alcool e é turbo e injeção direta...

  • Ronaldo Gomes Ribas

    Ao engenheiro Luiz Estrozi, É possível dar garantia de 3 anos ao modelo BMW 320i Active Flex com toda esta precisão da bomba de combustível para 250 bar, tubulações e válvulas injetoras, sabendo que o nosso "Etanol o Combustível Completão" é um AEHC com 7-8% de água além dos batismos encontrados por todo o país? Outro problema é a mistura terciária de gasolina (800 PPM de enxofre) com etanol anidro (25%) e etanol hidratado, que se ultrapassar o teor de 8% promoverá uma separação de fases e a impossibilidade de partida do motor!!! Não é arriscado colocar a prova a reputação da BMW com estes motores de alta tecnologia com combustíveis pouco confiáveis e com alta contaminação...???

  • Gian

    Ótimos comentários !!!! ... Acho muito interessante quando algumas coisas são esclarecidas por aqui.

  • Renan

    BMW é BMW, país de bananas e do PT aqui tá longe de contar com tecnologia de ponta.

  • Lucas

    O carro sem dúvida é um tesão, porém o sistema de revisão/troca de óleo do carro pelo "computador de bordo" é totalmente fora da realidade... tem 320i com 4.000km tendo que trocar óleo...

  • EDUARDO

    Carro barulhento, e me poupe prometeram gastar menos com Etanol, valha meu Deus, como gasta em? Estou de saco cheio de ter que ir a cada 40 dias trocar oleo.

  • andre

    As revisoes do 320i activeflex podem ocorrer em media de 8000 a 12000 km,sendo que as duas situacoes mais comprometedoras para abreviar o tempo sao o numero de partidas a frio e a qualidade do combustivel utilizado.

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