Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Mercado | 24/12/2013 | 13h25

IPI tem alta leve em janeiro; governo promete carga maior em julho

Imposto do 1.0 sobe para 3% e até 2.0 para 9%. Alíquota pode voltar ao normal no meio de 2014

PEDRO KUTNEY, AB

Atualizado às 17h30 com informações complementares

Conforme havia prometido, o governo aumentará gradativamente o IPI dos carros. Na véspera do Natal, terça-feira, 24, foi publicado no Diário Oficial da União o decreto que recompõe as alíquotas do imposto em duas fases. Na primeira, a partir de 1º de janeiro de 2014, será feita uma pequena elevação, de um ponto porcentual para modelos 1.0 e de dois pontos para motorizações até 2.0. Depois, em 1º de julho, a intenção é voltar a aplicar os porcentuais normais de IPI, que vigoravam antes do ciclo de reduções iniciado em maio de 2012.

Com isso, o IPI aplicado sobre carros com motor 1.0 subirá de 2% para 3% em janeiro e volta ao patamar regular de 7% em julho de 2014. Para os automóveis flex entre 1.0 e 2.0 a alíquota será elevada de 7% para 9% e retorna a 11% no meio do ano; e se a motorização for somente a gasolina, a elevação será de 8% para 10% e depois para 13%. Para modelos de passageiros com motor acima de 2 litros nada muda, o IPI segue sendo de 18%. Com relação aos veículos utilitários, a tributação passa de 2% para 3% agora e depois 8%. Utilitários para transporte de carga também passam a 3% no primeiro momento e alcançam 4%. Os caminhões continuam isentos de IPI.

Em nota distribuída à imprensa na tarde do dia 24, a associação dos fabricantes, Anfavea, demonstrou descontentamento com a medida. “Acreditamos que os aumentos estão acima de nossas expectativas iniciais e ainda não podemos fazer prognósticos detalhados dos impactos no mercado, mas é importante lembrar que o um ponto porcentual adicional de IPI, no caso dos populares, representa o acumulado de dois meses de inflação, certamente com impacto no volume de vendas”, avaliou Luiz Moan Yabiku Junior, presidente da Anfavea.

Segundo calcula a Anfavea, cada ponto porcentual adicional de IPI elevaria em 1,1% o valor final de um carro. Se for assim, um modelo 1.0 de R$ 30 mil passaria a custar apenas R$ 330 a mais, um acréscimo de R$ 13,75 na parcela mensal de um financiamento de 24 meses. No caso de um automóvel 1.6 de R$ 40 mil, o aumento seria de R$ 880, ou R$ 36,70 na prestação do plano de dois anos.

ESTRATÉGIA

Apesar da grita dos fabricantes, a estratégia do governo parece ser a de recompor receitas sem causar grande impacto nos preços na virada do ano, por isso faz a elevação do imposto em dose homeopática, para não colocar peso extra aos possíveis aumentos que já estão na agenda das montadoras com a inclusão obrigatória de airbags frontais e freios com ABS para todos os veículos a partir de 2014.

Não parece digna de credibilidade a ideia de recompor o IPI aplicado sobre os veículos ao patamar normal de antes de maio de 2012. As projeções para 2014 indicam mercado estagnado e elevar preços é receita certa para transformar a possível estagnação em queda. Alguns analistas ouvidos por Automotive Business apostam que o governo só faria uma pequena elevação do IPI agora para, logo a seguir, ter margem para voltar a reduzir o imposto quando as vendas começarem a andar para trás. Esse cenário de impostos, preços e desempenho dos negócios deverá ficar mais claro após o fim do primeiro trimestre do ano que se inicia.

A receita do IPI não parece fazer falta. Segundo calcula a Anfavea, desde maio do ano passado até 30 de novembro deste ano a indústria automobilística deixou de recolher pouco mais de R$ 4,9 bilhões com a redução de IPI. Em compensação gerou R$ 11,6 bilhões em PIS/Cofins, IPVA e ICMS. A entidade alega que a redução do imposto viabilizou a produção de 1,3 milhão de unidades adicionais, com geração de 10 mil de empregos.

“A arrecadação adicional de mais de R$ 6,7 bilhões comprova que a redução do IPI sobre os automóveis, os mais tributados do mundo, tem efeito extremamente positivo para a economia brasileira”, acrescentou Moan no comunicado.



Tags: Mercado, IPI, imposto, preços, governo, Fazenda.

Comentários

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência