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Trabalho | 02/01/2014 | 18h17

Após demissões na General Motors, Sindicato de São José terá reunião no governo

Segundo a organização, cortes são injustificáveis

REDAÇÃO AB

Representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região terão reunião com o ministro do Trabalho, Manoel Dias, na segunda-feira, 6, em Brasília (DF). O encontro pretende discutir as demissões na planta da General Motors em são José dos Campos (SP). Os trabalhadores apelarão ainda à Secretaria Geral da Presidência na tentativa de serem recebidos pela presidente Dilma Rousseff.

Em comunicado, a entidade enfatiza que os cortes na fábrica são injustificáveis, já que a montadora tem tido bons resultados de vendas e, portanto, pode sustentar o nível atual de produção. O sindicato especula que a companhia dispensou funcionários antigos, com salários mais altos, com o objetivo de substituí-los por trabalhadores que custem mais barato à empresa.

A organização lembra que as fabricantes de veículos foram beneficiadas com a redução do IPI. O incentivo às vendas foi concedido pelo governo federal em maio de 2012, com a exigência de que, como contrapartida, as empresas do setor mantivessem o nível de empregos. “Não podemos aceitar que o governo continue dando dinheiro público para as montadoras colocarem os trabalhadores na rua. Vamos exigir que o governo intervenha, suspenda as demissões e garanta a estabilidade dos trabalhadores”, informou o presidente do Sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, em comunicado.

CORTES

Em atitude que, de acordo com o sindicato, demonstra “total falta de transparência por parte da GM”, uma série de funcionários foi comunicada das demissões durante as férias coletivas, às vésperas do Ano Novo, por meio de carta que indicava o desligamento a partir de 31 de dezembro. A companhia não divulga o número de postos de trabalho cortados ou quais setores foram atingidos, mas a entidade dos trabalhadores garante já ter sido procurada por pelo menos 150 colaboradores dispensados de diversas áreas e acredita que esse número possa chegar a 450.

Cálculo do sindicato indica que, entre abril de 2012 e julho de 2013, a General Motors já havia reduzido 1,5 mil postos de trabalho na planta de São José. Há meses a companhia atua para desativar o setor MVA (Montagem de Veículos Automotores). Como conclusão desse processo, a partir de janeiro de 2014 a montagem do Classic, último carro que permanecia com a fabricação nesta área, foi transferida para a planta de Rosário, na Argentina.

A GM anunciou em agosto de 2013 um PDV (Programa de Demissão Voluntária), que oferecia condições especiais com o objetivo de alcançar 850 adesões. O sindicato aponta que o programa atraiu 304 trabalhadores.

FÁBRICA

A unidade da General Motors em São José dos Campos foi a que menos recebeu recursos do último ciclo de investimentos da companhia, destinado à renovação completa do portfólio. Com isso, modelos que era fabricados ali, como Chevrolet Corsa, Meriva e Zafira, tiveram a produção interrompida. Segundo a empresa, a planta é a de maior custo de produção da organização no Brasil. Além da MVA, que está sendo fechada, a planta conta com sete linhas que produzem a picape S10, o utilitário Trailblazer, além de motores, transmissões e outros componentes.

O complexo industrial é candidato a receber nos próximos anos a produção de um modelo popular, o que poderia gerar 2,5 mil empregos diretos. O projeto receberia investimento de R$ 2,5 bilhões, mas a General Motors afirma que a decisão pela realização dele em São José ainda não foi tomada. Segundo a empresa, o aporte é disputado por outros países e a definição será anunciada pela matriz.



Tags: General Motors, demissão, São José dos Campos, sindicato.

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