Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias

Indústria | 14/02/2014 | 23h00

OMC em nada afeta o Inovar-Auto, diz secretária do MDIC

Para elevar exportação, foco do governo será em acordos comerciais

PEDRO KUTNEY | De Porto Feliz (SP)

Mesmo que a União Europeia siga adiante com o processo na Organização Mundial do Comércio (OMC) no qual acusa de protecionismo as políticas adotadas pelo Brasil com o Inovar-Auto (leia aqui), a visão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) é que isso em nada afetará o programa. “Não vai acontecer nada, o Inovar-Auto vai continuar como está e será aplicado normalmente até 2017, conforme previsto”, afirma Heloisa Menezes, secretária de Desenvolvimento da Produção do MDIC, onde o atual regime automotivo foi gestado e aprovado em 2012.

“O processo na OMC demora e enquanto isso vamos prosseguir com o Inovar-Auto”, garantiu a secretária. Segundo ela, a queixa dos europeus também não atrapalha as negociações de livre comércio entre Brasil e a União Europeia. “São coisas diferentes e uma não interfere na outra. As negociações comerciais prosseguem normalmente”, disse Heloisa, que na sexta-feira, 14, representou o MDIC na cerimônia que deu início às obras da fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP) (leia aqui).

Durante seu discurso no evento, secretária defendeu o Inovar-Auto como uma das “medidas estruturantes” adotadas pelo governo brasileiro para fortalecer o setor produtivo. Ela destacou que 49 empresas se habilitaram no programa, 14 importadores e 21 fabricantes, sendo que destes 14 apresentaram projetos de investimentos em ampliação da produção, incluindo oito novas fábricas, cinco de veículos leves e três de caminhões. Os investimentos atraídos pelo Inovar-Auto, de acordo com as contas do governo, somam R$ 8,3 bilhões e devem acrescentar 675 mil unidades/ano à capacidade atual do País.

Conforme a secretária, os acordos comerciais serão o foco principal do governo para aumentar as exportações de veículos do País e assim evitar ociosidade diante do crescimento da capacidade. Nesse sentido, Heloisa Menezes afirmou: “Nem sei se teremos o Exportar-Auto como programa”, disse, em referência ao documento entregue ao MDIC no segundo semestre de 2013 pela associação dos fabricantes, a Anfavea, com pedidos de políticas para elevar o potencial exportador do setor. “Para isso vamos focar em negociações principalmente na América do Sul e do Norte com objetivo de fortalecer o Mercosul. Não deveremos negociar com a Aliança do Pacífico, mas diretamente com os países”, revelou.

INOVAR-PEÇAS E ELÉTRICOS

Da mesma forma, ao que parece o governo desistiu de fazer um pacote específico para o setor de autopeças, que vinha sendo chamado de Inovar-Peças, e optou por adotar um conjunto de políticas de menor vulto. Heloisa Menezes confirmou que os recentes convênios assinados pelo MDIC para melhorar a qualificação de mão de obra e a produtividade de pequenas e médias empresas do setor (leia aqui) já são parte dessa estratégia. Ela também confirmou que começou este mês o rastreamento de origem das autopeças, para fins de descontos tributários previstos no Inovar-Auto. O sistema está em operação experimental, conforme adiantou Automotive Business (leia aqui e aqui).

Sobre outro pleito dos fabricantes de veículos, para reduzir a tributação de veículos elétricos e híbridos hoje importados, o MDIC parece estar mais propenso a ajudar: “Estamos trabalhando nisso e em breve deveremos ter notícias, porque o apelo para híbridos e elétricos já é forte no Brasil, por causa da questão ambiental e de redução de consumo. Não haverá empecilho às importações desses veículos desde que isso seja uma indução à produção local”, disse Heolisa Menezes.

Os dois principais fabricantes que vendem híbridos e elétricos no Brasil, Nissan e Toyota, vêm tentando já há mais de três anos convencer o governo a isentar de impostos esses veículos, com o argumento de que para criar condições de produção no País, primeiro seria necessário criar mercado, o que é difícil com o atual nível de tributação. Enquanto isso, as duas marcas vendem o Nissan Leaf elétrico e o Toyota Prius híbrido por valores altos, em programas específicos destinados a taxistas e frotistas, com pouca penetração. Em 2013 as vendas nem chegaram a 500 unidades. Segundo a Toyota, o Prius é vendido atualmente a R$ 120 mil com prejuízo, pois após a desvalorização cambial deveria custar no mínimo R$ 130 mil para ficar no preço de custo.



Tags: MDIC, Secretaria da Produção, Inovar-Auto, Toyota, Porto Feliz, OMC, União Europeia, Exportar-Auto, Anfavea, Inovar-Peças.

Comentários

  • Fabio Colla

    “Nem sei se teremos o Exportar-Auto como programa”... Meu Deus, este governo está sem rumo mesmo... Continuaremos com carros caros e defasados.

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

ABTV

AB Inteligência