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Anef: 2014 estável para financiamentos
Taxas zero subsidiadas pelas montadoras atraíram mais consumidores às concessionárias em 2013, avalia presidente da Anef, Décio Carbonari

Balanço | 20/02/2014 | 17h35

Anef: 2014 estável para financiamentos

Saldo das carteiras deve fechar próximo aos R$ 228,6 bilhões de 2013

SUELI REIS, AB

Os bancos das montadoras reunidos pela Anef encerraram 2013 com saldo das carteiras em R$ 228,6 bilhões, uma queda de 5,6% com relação ao ano anterior. Apesar disso, 2013 foi o melhor ano em participação das associadas no mercado total de financiamento de veículos no País: dados preliminares apontam que sua fatia pode atingir os 60% dos negócios em 2013, enquanto no exercício anterior essa participação foi de 53%.

O presidente da entidade, Décio Carbonari, argumenta que o grande atrativo do ano foram as promoções com taxas reduzidas e as taxas zero, realizadas por diversas marcas ao longo do período. Ao mesmo tempo, ele defende que a baixa do saldo não significou a queda de propostas aprovadas, mas foi um reflexo das mesmas taxas subsidiadas, o que diminuiu o valor médio dos financiamentos: “Esta é uma política normal de mercado utilizada pelas montadoras que subsidiam taxas menores ou até mesmo a taxa zero, que torna o financiamento mais atraente”, disse durante a apresentação do balanço anual à imprensa, realizada na quinta-feira, 20, em São Paulo.

Para o executivo, a prática deve continuar neste ano, mas em menor volume: “Atualmente, o consumidor está bem mais informado e ele entra na concessionária perguntando pela taxa de juros. Conteúdo do veículo já não atrai tanto, porque grande parte dos modelos no mercado já oferecem itens básicos importantes. O que de fato favorece a venda é a taxa de juros atrativa. O impasse é que o dinheiro está mais caro, se considerarmos uma elevação de quase 50% da taxa básica de juros (Selic), hoje em 10,5%, por isso esse volume de taxa zero deve ser menor em 2014”, argumenta.

De acordo com os dados da Anef, atualmente o índice de aprovação oscila entre 50% e 70%, dependendo do segmento, nível que deve ser mantido para este ano.

Com esta visão, Carbonari prevê um 2014 comparativamente estável, no qual espera alcançar os mesmos R$ 228,6 bilhões de saldo e os R$ 117,5 bilhões em recursos liberados, como em 2013. O cenário projetado pela Anef é sustentado pela melhor expectativa para o segmento de pesados, que conta com fatores que podem alavancar as vendas deste ano, como a renovação natural da frota, principalmente a de grandes frotistas que preferem adquirir novos veículos a manter um modelo mais antigo, baixando assim o custo com a manutenção; a alta demanda prospectada pelo setor de infraestrutura, com as novas concessões do governo para rodovias, ferrovias e aeroportos, além do agronegócio, que prevê novo recorde de safra e precisa de mais caminhões para fazer seu escoamento.

No ano passado, o segmento de caminhões e ônibus teve 77% das vendas financiadas pelo Finame PSI, 1% por leasing e Finame Leasing, 2% em consórcio, 9% via CDC e 11% das vendas foram à vista.

Já para automóveis e comerciais leves, o executivo aguarda crescimento tímido, mas prefere não arriscar qualquer índice. Em 2013, do total de automóveis e comerciais leves novos vendidos no mercado doméstico (3,57 milhões), 55% foram financiados, dos quais 53% via CDC (crédito direto ao consumidor) e 2% por leasing, enquanto 8% foram adquiridos por consórcio. Os pagamentos à vista representaram 37%, redução de 2 pontos porcentuais na comparação com o ano anterior. Segundo a Anef, essa parcela migrou para o CDC em 2013.

No segmento de duas rodas, cujas vendas e consequentemente os financiamentos vêm caindo há dois anos, Carbonari diz que continua a cair em 2014. Sobre suas vendas no ano passado, de um total de 1,5 milhão de motocicletas, 36% foram financiadas (CDC), outros 36% foram adquiridas por meio de consórcio e 28% foram compradas à vista.

No geral dos contratos aprovados em 2013 pela Anef, a média de prazos de financiamentos fechou em 42 meses e os planos máximos oferecidos pelos bancos foram de 60 meses. O setor financeiro das montadoras já tornou padrão uma taxa mínima de entrada de 20%, mas a média oscila entre 35% a 40% do valor do veículo. Para planos com taxas subsidiadas, este índice sobe para 50% a 60%, mas a entrada zero ainda pode ser um opcional em alguns casos, aponta Carbonari. “Há uma quantidade muito pequena de vendas sem entrada, mas hoje se tornou um negócio exclusivo nosso, porque bancos comerciais não praticam mais”.

BOA NOVA: INADIMPLÊNCIA EM QUEDA

O fator mais positivo para o setor de financiamentos de veículos em 2013 foi a queda da inadimplência, que representa o total de atrasos nos pagamentos acima de 90 dias no CDC. Enquanto em 2012 a Anef registrou 6,4%, o ano passado encerrou com 5,2%. Os atrasos anteriores a 90 dias, que servem como base para prever a inadimplência, também recuaram, de 8,4% para 7,7% na mesma base de comparação.

“A inadimplência vem caindo há dois anos e segue essa tendência. Este resultado pode desenhar uma tendência para 2014, ao menos para o setor de crédito automotivo. A queda confirma o acerto na correção das políticas de crédito das instituições, o que conferiu qualidade ao portfólio de contratos e como resultado desta política, poderá permitir ofertas compatíveis a este novo cenário. Tudo isso atrelado a uma sustentação da economia”, concluiu.

Assista a entrevista exclusiva de Décio Carbonari a ABTV:



Tags: Anef, financiamentos, crédito, banco, montadoras, Décio Carbonari.

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