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Honda acelera nacionalização de componentes
Novo centro em Sumaré já tem equipe de 300 profissionais

Engenharia | 28/02/2014 | 02h15

Honda acelera nacionalização de componentes

Com novo centro de desenvolvimento, conteúdo local pode chegar a 90%

MÁRIO CURCIO, AB | De Sumaré (SP)

Para aumentar o conteúdo local de seus automóveis dos atuais 70% para 90% e também adaptá-los às necessidades locais mais rapidamente, a Honda inaugurou na quinta-feira, 27, seu centro de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil. O prédio fica em Sumaré (SP), onde ocupa parte do terreno da fábrica de automóveis inaugurada em 1998.

“A instalação é um dos principais centros de P&D fora do eixo Japão-Estados Unidos”, afirma o novo chefe de operações na Honda Motor na América do Sul, Issao Mizoguchi, que assumiu o posto por causa da estratégia da fabricante de aumentar a autoridade e responsabilidade dos líderes de seus seis blocos de negócios pelo mundo (veja aqui). Segundo a fabricante, está é a primeira vez que um executivo local assume todo o comando de um bloco regional.

O novo centro consumiu R$ 100 milhões em investimentos e as obras civis foram concluídas em outubro de 2013, quando começaram a chegar os equipamentos. A instalação tem cerca de 300 funcionários, dos quais 150 são engenheiros. Eles atuam nas áreas de desenvolvimento de carroceria, chassi, motor, interior, testes veiculares e compras.

“As instalações permitirão à Honda reagir mais rápido às mudanças necessárias. Isso é essencial para ganhar mercado. Hoje temos grande participação nos Estados Unidos, Japão e Índia, mas no Brasil ainda há muito espaço para crescer”, afirma o diretor-executivo de pesquisa e desenvolvimento Ichiro Sasaki. Ele tem razão. Afinal, em 2015 a montadora pretende inaugurar sua segunda fábrica de automóveis no Brasil, transformando sua atual capacidade de 120 mil para 240 mil automóveis por ano. Isso aumenta a necessidade de conteúdo local.

O novo centro reflete as recentes mudanças feitas pela fabricante em sua direção mundial: “O pensamento do board é que cada país tem de ter autossuficiência em mão de obra e o alto comando também faz parte dessa política”, afirma o diretor executivo Carlos Eigi Miyakuchi.

Os resultados colhidos em P&D também vão atender as exigências do programa Inovar-Auto, tanto em aumento de conteúdo local como em ganho deficiência energética. Um passeio pelo centro de P&D é quase uma aula sobre como responder às futuras exigências de produção local.

SETORES E LABORATÓRIOS

Centro
Em sentido horário, a partir do alto, à esquerda: sala de benchmarking, setor de análise de materiais equipado com microscópio eletrônico, sala de dinamômetros e análise de componentes dos motores.

Com a nova área e seus laboratórios, a Honda South America passa a ter muito mais autonomia. E ganhará tempo, por exemplo, no desenvolvimento para o Brasil do utilitário esportivo Vezel, que terá preço inferior ao do Honda CR-V.

Entre as seções do centro de pesquisa e desenvolvimento está a sala de benchmarking. Ali são analisados componentes fabricados no Brasil para outras montadoras, como forma de estudar a viabilidade de fornecimento para a Honda. Um dos responsáveis pela área diz que ela está aberta a fabricantes de componentes.

Em uma grande oficina são feitos testes como nível de ruído, vibração e aspereza. Um equipamento de medição tridimensional auxilia no desenvolvimento de componentes do exterior e interior do veículo.

Um laboratório para matérias-primas permite validações nessa área. No setor há um microscópio de varredura eletrônica capaz de ampliar em 300 mil vezes uma imagem. O centro de P&D também tem equipamentos de ensaio de corrosão e intemperismo.

Algumas salas são dedicadas aos motores. Em uma delas eles são totalmente desmontados e têm suas peças medidas. Depois são remontados e vão para os testes de dinamômetro, capazes de avaliar propulsores com até 325 cv de potência. Após ensaios de durabilidade, são novamente desmontados e as peças, aferidas. O setor também permite desenvolvimento e nacionalização de itens.

A câmara de teste de motores também fará avaliação de transmissões no futuro. Isso poderá se aplicar para a nacionalização ou validações dessas caixas para o Brasil ou mercados próximos. Hoje a Honda do Brasil importa os câmbios automáticos da Índia e Indonésia. A carcaça das caixas manuais é feita aqui.

Os testes de durabilidade de motor incluem a utilização de equipamentos de abastecimento automático e um robô capaz de movimentar os pedais de embreagem, freio e acelerador, mais a alavanca de câmbio para as trocas de marcha, tudo isso com as rodas sobre rolos. Em uma sala ao lado é possível coletar a emissão de poluentes. Perto dali há uma câmara de análise de emissões evaporativas.

Centro
Laboratório pode abastecer o carro automaticamente enquanto um robô acelera, freia e troca as marchas sem reclamar da vida. Testes servem para validação de componentes locais.

O setor tem também designers capazes de criar modificações nos automóveis. Já mostraram sua capacidade em versões do Fit (Twist) e City (Sport).

DE SANTO AMARO PARA SUMARÉ

A inauguração do centro de P&D faz parte do plano chamado pela Honda de One Floor, já utilizado na matriz japonesa e que prevê maior proximidade das áreas administrativas com a operação industrial. Isso resultará na migração, também para Sumaré, dos trabalhadores que hoje atuam no escritório da Honda South America (HSA), hoje montado próximo ao Shopping Morumbi, em Santo Amaro, zona sul da capital paulista.

Com o centro de P&D pronto, os setores de qualidade e atendimento ao cliente já saíram de São Paulo. Essa transição termina em janeiro de 2015, quando estiver pronto o novo prédio da HSA, bem em frente ao novo centro de P&D. Em São Paulo permanecerão apenas a Honda Serviços Financeiros (banco e consórcio) e a área comercial de motocicletas.



Tags: Honda, pesquisa e desenvolvimento, P&D, Issao Mizoguchi, Carlos Eigi Miyakuchi, laboratório, emissões, Honda Motor Co. Ltd., benchmarking, fornecedores.

Comentários

  • Fernando Fernandes

    É importante para a indústria automobilística nacional que os fabricantes instalados no país, mesmo sendo grandes montadores multinacionais, invistam no desenvolvimento e na produção local, incentivando assim, a própria indústria de auto peças no país e gerando empregos, pois já é comprovado ao longo dos anos, que os fornecedores locais são capazes de desenvolver e produzir peças e componentes automotivos com eficiência e qualidade a nível internacional..!!

  • Ronaldo Ribas

    Caro Sr. Issao Mizoguchi, Espero que a partir de agora a Honda Motor Co. Ltd. na América do Sul consiga definir melhor as relações de marchas de suas caixas de câmbio manuais, que apresentam a primeira muito longa e a quinta muito curta, característica típica de caixas de câmbio utilizadas na Ásia e América do Norte. Para o Brasil todos os fabricantes locais encurtam a primeira marcha para vencer ladeiras e rampas íngremes e alongam o diferencial ou a última marcha para reduzir a rotação do motor e melhorar o consumo! Outra deficiência a ser corrigida é a altura livre do solo e a utilização de pneus mais altos, principalmente no caso do Fit Twist com pneus 185/55 R16. Todos os veículos do mercado que foram projetados com fantasia off-road são mais altos e usam pneus 205/60 ou 205/65. Tenho um Honda Fit EX 1.5 e tive que levantar sua suspensão e aumentar o tamanho dos pneus do tipo "Verdes" para enfrentar as ruas esburacadas e onduladas da Grande São Paulo.

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