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Mercado | 03/04/2014 | 20h37

Fiat comemora trimestre, mas projeta ano difícil

Apesar da liderança das vendas, cenário esperado é de queda nas vendas

PEDRO KUTNEY, AB

A Fiat terminou o primeiro trimestre com motivos para comemorar: conseguiu manter e ampliar sua liderança no mercado brasileiro, com 22,6% de participação, cerca de cinco pontos porcentuais à frente do segundo e terceiro colocados (General Motors e Volkswagen, respectivamente), e ainda emplacou três modelos na lista dos cinco veículos mais vendidos do País – Strada (1º), Palio (2º) e Uno (5º). “Hoje (quinta-feira, 3 de abril) estamos 40 mil unidades adiante do segundo colocado e 41 mil do terceiro. É uma ótima notícia para quem perdeu (deixou de produzir) o Mille, que vendia 100 mil por ano”, avalia Lélio Ramos, diretor comercial da Fiat.

Contudo, Ramos admite que o ano deve ser “complicado” daqui para frente: “Tivemos um primeiro trimestre igual ao do ano passado. Mas adiante temos a Copa do Mundo, com muitos feriados, provável aumento do IPI (sobre os veículos, a previsto a partir de julho próximo) e eleições. Tudo isso pode provocar queda das vendas.” O executivo projeta cenário parecido para o desempenho da Fiat, que deve seguir a tendência geral, sofrendo ainda mais pressão da concorrência. “Essa pressão sempre aumenta, com mais marcas e modelos no mercado que só podem tomar participação das três grandes, que juntas ainda têm mais de 65% de market share”, destaca.

Com relação à inusitada liderança da Strada em março, quando pela primeira vez uma picape foi o veículo mais vendido do País, Ramos disse que não houve nenhuma ação especial para turbinar o desempenho do modelo. Pequenos frotistas são os maiores compradores da Strada. “Continuamos com muitas vendas diretas (aos frotistas), mas existia antes uma demanda reprimida pela picape, que agora conseguimos atender depois que aumentamos a produção em Betim (MG) de 450 para 600 unidades por dia”, explica.

Mas Ramos ressalta que o resultado positivo do trimestre foi puxado também pelas vendas do Palio, com a entrada da campanha da versão Fire como carro mais barato produzido no País, em substituição ao Mille, que parou de ser produzido em dezembro, após a entrada em vigor da legislação de segurança que obriga a utilização de freios com ABS e airbags frontais em 100% dos veículos.

Segundo Ramos, o Mille correspondia a 40% das vendas da família Uno, que agora só conta com o modelo novo, lançado em 2010, e por isso caiu para a quinta colocação no ranking dos mais vendidos de março. No caso do Palio, o Fire representa também 40% dos emplacamentos.

Uma curiosidade: a Fiat pensava em usar o nome Mille no Palio Fire, para manter a marca que se tornou forte no mercado, mas desistiu da ideia depois que fez uma pesquisa com consumidores. “Pensamos em mudar o nome, mas descobrimos que a marca Fire era muito mais lembrada e por isso mantivemos o Palio Fire”, conta. “Às vezes temos certeza que o consumidor pensa de uma forma e vemos que é o contrário.”



Tags: Fiat, mercado, liderança, projeção, cenário.

Comentários

  • alvaro

    A Fiat tem, entre outras, duas marcas muito legais no exterior que são a Alfa Romeu e a Abarth. Alguém saberia me dizer porque essas marcas (e seus produtos) são tão negligenciadas no mercado brasileiro? A tentativa de comercialização dos Alfas no Brasil no passado foi meio desastrada e quase queima uma marca respeitada. Abarth não lembro se já foi comercializada.

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