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Indústria | 25/04/2014 | 02h32

Volare mira exportação com nova fábrica no ES

Complexo industrial recebe R$ 35 milhões e começa a operar em setembro

SUELI REIS, AB | De São Mateus (ES)

A Volare, fabricante nacional do segmento de miniônibus, escolheu escrever um novo capítulo de sua história a 2.060 quilômetros de distância da sede de Caxias do Sul (RS), mais precisamente em São Mateus, cidade localizada no norte do Espírito Santo. A montadora realizou na sexta-feira, 25, uma cerimônia para marcar o início da construção de seu primeiro complexo industrial fora da Região Sul. Com investimento inicial de R$ 35 milhões, sendo 30% de capital próprio e o restante financiado pelo Banco do Nordeste, a marca pertencente à Marcopolo já avança nas obras civis da fábrica, iniciadas em novembro do ano passado e cujas operações têm início previsto para agosto ou setembro deste ano.

Em um terreno de 822 mil metros quadrados que beira a rodovia BR 101, inteiramente doado à Volare pela prefeitura de São Mateus, o complexo será constituído em três fases: a primeira, em andamento, ergue dois dos oito prédios previstos, incluindo o principal, de 10 mil metros quadrados, que abrigará a produção e montagem final dos veículos.

A unidade iniciará as operações com 50% de sua programação de produção, quatro unidades por dia (considerando um turno), e avançará gradativamente para dez veículos diários até 2016.

“A previsão é de que até setembro de 2015 tenhamos montado pelo menos mil unidades, mas nossa intenção é ter uma fábrica que suporte ultrapassar uma capacidade de produtiva de 35 veículos por dia, mais do que nossa unidade em Caxias, que produz 25 por dia”, revela o diretor da Volare, Gelson Zardo, que aproveitou o evento para comunicar o estabelecimento da nova fase da empresa, agora denominada Volare Veículos Limitada (VVL).

“Este é um projeto que nasceu há três anos, desde que assinamos a carta de intenções com o governo local, e agora podemos dizer que é uma realidade.”

Projetada para ser a mais moderna do grupo Marcopolo em todo o mundo, a unidade é concebida sob o conceito de fábrica inteligente e sustentável: ganhará alto nível de automação e um processo linear de produção, que permitirá a montagem de conjuntos e kits in loco para abastecer a linha de montagem em tempo real. O projeto inclui os processos comuns de fabricação dos ônibus como solda, isolamento, chapas e fibras, revestimento interno, pintura e customização, teste de água, revisão elétrica e mecânica, entre outros, além de revisão final. A princípio, será montado o modelo W9 (carro-chefe da companhia), W-L e Limousine, com chassi Agrale, e o DW9, com chassi Mercedes-Benz. Para essa primeira fases serão empregadas 200 pessoas, a maioria para a linha de montagem.

Para a segunda e terceira fases, o executivo conta que está previsto investimento de R$ 100 milhões nas obras civis, incluindo os maquinários, como na primeira. A segunda fase, cujas obras têm início no próximo mês, prevê a construção de mais quatro pavilhões, entre eles um centro logístico, um centro de pesquisa e desenvolvimento e uma área exclusiva para treinamento, que devem começar a funcionar na metade do próximo ano.

“Com relação à terceira fase, ainda não está muito bem definida; dependerá da Marcopolo, mas o plano é trazer para o complexo de São Mateus minifábricas de componentes e peças, poltronas, janelas e itens plásticos. A princípio, vamos trazer esses kits em CKD de Caxias do Sul e montá-los aqui. Nossa previsão é iniciar as obras dessas unidades na metade de 2015 e começar a operá-las em meados de 2016”, disse.

Até lá, a empresa prevê ter contratado de 1,5 mil a 1,7 mil profissionais, dos quais prevê 100% de mão de obra local a partir da parceria da empresa com o Senai da cidade. Além disso, o executivo informa que a Agrale, parceira de longa data, já mantém com o governo do Estado negociações e estudos de viabilidade para implantar um projeto industrial local: “Normalmente, onde a Marcopolo vai, acontece a migração de parte dos fornecedores. Existe sim toda uma preocupação de infraestrutura local, mas a vinda da fábrica da Volare, como uma empresa de renome e da Marcopolo, traz um peso para o Estado, que está investindo em melhorias para abrigar sua primeira montadora.”

Já na fábrica de Caxias do Sul permanecerá a produção do que são considerados pela empresa os produtos mais complexos de customização. Além disso, 100% da produção do modelo DW9, que representa 15% do faturamento da empresa, migrará para o Espírito Santo gradativamente.

DO BRASIL PARA O MUNDO

O complexo industrial da Volare em São Mateus teve como maior impulso o mercado externo: a fábrica foi planejada para exportar nada menos que 70% de sua produção, explica o diretor comercial, Mateus Ritzer:

“A Volare está presente hoje em 25 países e temos um trabalho intenso e extenso de continuidade do desenvolvimento dessa internacionalização. São 25 distribuidores pela América Latina e a partir de 2015 focaremos em outros mercados potenciais, na África, pelo menos em oito países”, disse.

Ele argumenta que a escolha pelo Espírito Santo é baseada na proximidade de seus principais clientes no mercado interno, como Sudeste, Norte e Nordeste, responsáveis por 58% da receita. Contudo, a facilidade logística foi definitiva para instalar a unidade em São Mateus. “Para se ter uma ideia, pagamos um frete de R$ 8 mil em um veículo que sai de Caxias do Sul para a Paraíba. Para este mesmo local, saindo do Espírito Santo, este valor cai para R$ 1 mil ou R$ 1,5 mil, dependendo do veículo”, argumenta.

Além disso, a proximidade com o Porto de Vitória, na capital capixaba, a 215 quilômetros dali, facilitará o escoamento da produção para os mercados externos.

“Nossa intenção é adicionar 3,5 mil unidades por ano à nossa produção anual, hoje em 5,6 mil unidades, sem interferir em Caxias do Sul, isso em quatro ou cinco anos. Planejamos um volume para suportar esses mercados que têm grande potencial.”

No Brasil, o executivo aponta que a empresa continuará com estratégia agressiva para a manutenção da liderança do mercado de miniônibus, cujo volume chega a algo entre 7 mil e 8 mil unidades por ano, do qual detém 50% de participação – incluindo o programa Caminho da Escola. Ritzel calcula que só de frota circulante a empresa mantém 52 mil unidades em todo o País: “Desses, podemos dizer que 32 mil estão sujeitos à renovação de frota e este é um trabalho complexo, porque é baseado no varejo”.

Para alcançar esse público, a fabricante planeja aumentar sua atuação por meio da rede de concessionárias exclusivas (exceto as revendas parceiras com a Agrale), passando das atuais 95 para 110 até o início de 2015.



Tags: Volare, fábrica, investimento, exportações, miniônibus, ônibus, Marcopolo.

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