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Legislação | 20/05/2014 | 12h37

Competitividade em xeque na indústria automotiva

Leis trabalhistas obsoletas e falta de mão de obra qualificada ameaçam o setor

LUCIANA DUARTE, PARA AB

O crescimento demográfico reduzindo o ritmo, a falta de mão de obra e os salários altos ameaçam a competitividade na indústria automobilística. A opinião é do sociólogo e especialista em relações de trabalho José Pastore, que participou do II Fórum RH na Indústria Automobilística, promovido por Automotive Business na segunda-feira, 19, em São Paulo (SP). “Implantar a automação para reduzir custos, elevar a produtividade, diminuir tempo e melhorar a qualidade seria o caminho para vencer esse desafio”, avalia.

O impacto da demografia está refletindo hoje, mas durante muito tempo o Brasil cresceu simplesmente adicionando pessoas no mercado. Agora a ideia é preparar os jovens para o País de amanhã, com melhor qualificação. “A educação é o caminho que permitirá uma adaptação e readaptação desse mercado no futuro”, analisou.

Na opinião do especialista, atualmente as empresas brasileiras são forçadas a elevar salários para reter mão de obra qualificada. “A redução na oferta de pessoas ou de profissionais mais experientes, acima de 60 anos de idade, que deixam a cada ano os postos de trabalhos contribuíram para essa decisão nas organizações”, destacou.

É preciso se preparar para a retomada do crescimento e a tecnologia será crucial para suprir a falta de mão de obra no País. “A entrada de novas tecnologias provoca uma polarização dos empregos e renda, mas por outro lado, ganha quem chega no topo e perde quem fica na base da pirâmide”, analisou.

A MODERNIZAÇÃO DA CLT

Para Alexandre Furlan, presidente do conselho de relações do trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o sistema trabalhista do País está bem longe de atender às necessidades da sociedade brasileira contemporânea. “Além de obsoleto ele está estruturado sobre um regime legalista rígido e com pouco espaço para negociação. A regulação tem pouca conexão com a realidade produtiva”, pondera.

Às vésperas de completar 70 anos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o dirigente e também empresário apresentou como solução 101 propostas, preparadas pelos representantes de federações ligadas à CNI para modernizar a CLT. “A indústria precisa reagir apenas novas demandas que surgem do governo e começar a propor alternativas que possam melhorar o futuro das relações trabalhistas”, disse.

A proposta é resultado da análise de uma série de problemas relacionados às leis trabalhistas e que precisam ser enfrentadas para garantir competitividade às empresas. Segundo ele, desde 2000 a produtividade brasileira estagnou enquanto os salários para manter um trabalhador brasileiro aumentaram em dólares 101,7% . "Compilamos mais de 600 propostas, mas decidimos selecionar apenas 101 para apresentar ao governo em breve”.



Tags: trabalho, legislação, leis trabalhistas, mão de obra, II Fórum RH na Indústria Automobilística.

Comentários

  • Anderson Almeida

    Vi recentemente uma foto no Linkedin com a frase que "85% dos funcionários deixam os seus chefes e não as empresas" e esse fato é tão verídico que isso tem sua parcela de colaboração na competição das empresas por profissionais capacitados, na tentativa de reter esse profissional insatisfeito, com o chefe dele diga-se de passagem, a empresa "1" lhe oferece um salário melhor, até que a empresa "2" que também perdeu seu capacitado profissional, por causa do chefe, oferece um salário ainda maior para aquele profissional insatisfeito da empresa "1" que por mais que ele tivesse um bom salário, não estava satisfeito com o chefe que tinha e aceita mudar para esse novo desafio e passa a engordar a estatística daquele frase que está no início desse comentário.

  • Anderson Almeida

    Portanto, a incapacidade das empresas de prepararem melhor seus líderes ou até mesmo a incapacidade de escolhê-los, tem sua forte participação em toda essa competitividade. Então é muito fácil culpar o profissional, culpar as leis trabalhistas vigentes ou até mesmo a situação atual do país, sendo que o que falta mesmo, é começar a fazer bem o trabalho dentro de casa, arrumar o próprio jardim, antes de olhar o do vizinho.

  • Djair Lovato

    Mais uma vez aquela boa e conveniente "mesmice": vamos "flexibilizar" as regras para que a "rigidez" legal dê espaço à negociação entre empregadores e empregados! É a velha máxima: dança com gorila (é do jeito que ele quiser) Mesmo com toda a alegada carga que, ao final, chega a pesar 101,7% esse não é o fator preponderante! Poderia custar 300% se isso se refletisse em ganho de competitividade. O que, de fato, emperra a vida dos brasileiros e dos empresários é a abundância de dinheiro saindo do lado produtivo da economia e indo parar nos cofres públicos. Há uma centena de causas prejudiciais à competitividade decorrentes da excessiva ânsia arrecadatória aliada ao mal uso do dinheiro público: burocracia, corrupção, criminalidade (que encarece o frete), ineficiente qualificação (haja vista o lugar que vergonhosamente ocupamos no ranking em proficiência da língua inglesa, matemática e outras matérias). Está na hora de uma mudança de foco e, sobretudo, de atitude!!!

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