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Aftermarket | 02/06/2014 | 17h55

Sem inspeção, cai a venda de componentes

Passa de 30% retração do comércio de catalisadores de reposição

PEDRO KUTNEY, AB

A suspensão da inspeção veicular na cidade de São Paulo já causou estragos no mercado de reposição, que registra queda de vendas superior a 30% dos componentes ligados ao controle de poluentes emitidos na atmosfera. Interrompido no início deste ano, o exame era feito antes do licenciamento anual, só liberado pelo Detran após os testes de conformidade com os limites de emissões previstos na legislação – e quem não passava era obrigado a reparar o veículo para atualizar a documentação. Com o fim da exigência, o recuo do comércio de itens como escapamentos e catalisadores é uma evidência de que carros com índices acima do permitido estão rodando livremente na capital paulista e região.

“Da parte de nossas associadas, aquelas que atuam no aftermarket informaram redução significativa nas vendas”, afirma Elcio Luiz Farah, diretor executivo da Associação dos Fabricantes de Equipamentos para Controle de Emissões Veiculares da América do Sul (Afeevas). Farah descreve que, especificamente no município de São Paulo, dependendo da atuação de cada marca no mercado de reposição, no primeiro trimestre de 2014 as vendas de catalisadores caíram de 30% a até 75% com relação ao mesmo período de 2013. O catalisador é o principal componente para redução de emissões de gases tóxicos, por meio de reação termoquímica dentro de uma cápsula instalada logo na saída do escapamento do motor.

Segundo a Umicore, um dos maiores fornecedores de catalisadores, em 2013 já havia sido verificada queda nas vendas no mercado de reposição, em todo o País, em torno de 15% em relação a 2012. “Os números do primeiro trimestre de 2014 mantiveram essa mesma tendência de queda, explicada pela suspensão da inspeção veicular em São Paulo. Por essa razão, espera-se uma queda semelhante à do ano passado”, avalia Stephan Blumrich, diretor geral da Umicore Automotive Catalysts no Brasil.

Outros itens ligados ao controle de emissões dos veículos também experimentaram retração este ano. No primeiro trimestre, a Afeevas recebeu reportes de recuos de 30% a 35% no comércio de escapamentos de reposição, e de 11% a 17% nas vendas de válvulas termostáticas. “Observando os números acima, que incluem um componente não tão óbvio como válvula termostática, vemos ressaltada a importância e a influência do programa de inspeção na manutenção dos veículos”, afirma Farah.

Em outras palavras, para além do prejuízo econômico, fica claro que a suspensão da inspeção colabora para o aumento das emissões veiculares de poluentes. Após encerrar o contrato com a empresa Controlar no fim de 2013, passados cinco meses a Prefeitura de São Paulo ainda não tinha definido as novas empresas para executar a tarefa no município. Também não está no horizonte nenhum programa federal de inspeção.



Tags: Reposição, aftermarket, catalisador, escapamento, emissão, poluição, inspeção veicular, Afeevas, Umicore.

Comentários

  • ROGÉRIO SOUZA ZIM

    Situação que é vivida por cidades menores de atém 500.000 habitantes. A COBRANÇA nas inpeções do GNV por segurança estão desistimulando a sua utilização e deixando livres de inspeção os veículos a gasolina que é mais poluente que o gás natural. Sob o tílo de risco do gás esquecem da gasolina. Faltam NORMAS CRITERIÓSAS e de ação continuada de inspeções com conciência do que é de risco e o que é de pouca significância envolvendo todos os tipos de veícuilos e não façam do GNV o vilão dos acidentes. O GNV precisa ser inentivado para redução de poluentes da gasolina que é danoso, MAS PRECISA DE PARCERIAS E COMPROMETIMENTOS DOS GOVERNANTES.

  • Flavio Fernandes

    Brilhante reportagem do colega Kutney, não deixando dúvidas da seriedade dos assuntos abordados por Automotive Business. Nesse texto, fica evidente a falta de comprometimento da nossa sociedade (como um todo, envolvendo institutos, políticos e especialistas em automobilística). Nossos veículos vão se transformando em armadilhas, por conta da falta de manutenção adequada, tanto nos itens ambientais quanto de segurança: nossos veículos acabam resultando em ameaças poluentes para nossa saúde e de nossas famílias, sem contar com os acidentes resultantes de pneus ruins, freios ineficientes e suspensões totalmente descalibradas. Falta vontade política, cobrança da nossa população e dos nossos especialistas. De que vale o título de melhor futebol do mundo se saúde e segurança de uma sociedade vão para o lixo. Queremos o hexa, mas também temos que jogar pesado, com garra de campeões, pelo futuro de nossa população.

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