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Brasil na rota da globalização da Lifan

Negócios | 04/06/2014 | 10h11

Brasil na rota da globalização da Lifan

País pode receber fábrica da marca chinesa no futuro

GIOVANNA RIATO, AB | De Jiuzhai, China

A globalização dos negócios será um dos pontos centrais da estratégia da Lifan Motors para os próximos anos. O recado foi dado pela companhia durante a sua 3ª Convenção de Distribuidores, realizada no dia 4 de junho. Nesse contexto o Brasil surge como um mercado que precisa ser melhor trabalhado.

A Lifan assumiu a operação local em 2012, tomando as rédeas do negócio até então comandado pelo Grupo Effa. Depois de arrumar a casa, a empresa concentra esforços agora em se firmar no País, tornando a marca mais forte. “É muito importante que o Brasil conheça melhor a Lifan”, enfatiza Yin Mingshaw, CEO e fundador da companhia.

Passos importantes deste processo serão dados em 2014, quando a empresa vai lançar dois produtos. O primeiro deles é o sedã 530, que vai brigar no segmento com modelos como Chevrolet Classic e Volkswagen Voyage. A outra novidade é a picape Foison, que busca conquistar parte dos clientes órfãos da Kombi e atender a demandas comerciais (leia aqui).

Os modelos darão força à rede de 40 concessionárias, que hoje enfrenta desafio de vender apenas um modelo, o utilitário compacto X60. Todos os veículos vendidos no mercado nacional são montados na planta da Lifan em San José, no Uruguai, em regime CKD a partir de kits importados da China. Essa é a porta para que os modelos cheguem ao mercado brasileiro sem pagar imposto de importação de 35% ou o adicional de 30 pontos no IPI, o que é essencial para garantir a oferta de carros com nível elevado de equipamentos por preço competitivo.

A operação segue o Protocolo 70, acordo comercial entre Brasil e Uruguai que impõe metas de aumento do conteúdo regional dos veículos até o índice de 60%. Para alcançar este nível a companhia pretende localizar a produção de motores.

PRODUÇÃO NACIONAL

A planta uruguaia foi comprada do Grupo Effa e passou por uma série de adaptações. Inicialmente o objetivo era concentrar ali investimentos e fazer da unidade o principal centro de produção da Lifan na América do Sul. Os planos, no entanto, parecem ter mudado.

Mingshaw já admite a possibilidade de fabricar veículos no Brasil. “Assim que alcançarmos plena capacidade produtiva no Uruguai certamente vamos considerar esta opção.” Apesar do interesse da companhia, o plano de uma fábrica nacional só poderá ter alguma evolução no médio prazo. Por enquanto a empresa tem montado em torno de 10 mil veículos por ano no Uruguai, cerca de metade do potencial de 20 mil/ano.

Os lançamentos previstos para 2014 vão contribuir fortemente para elevar o aproveitamento da fábrica. A operação tem a montagem destinada predominantemente ao Brasil, mas atende também o mercado doméstico uruguaio e a Argentina.

PRESENÇA GLOBAL

Paralelamente ao desenvolvimento dos negócios no Brasil, a Lifan conduz uma forte investida global em países da África e Leste Europeu. Estes mercados são abastecidos por 16 fábricas da companhia na China e outras seis operações internacionais aos moldes da que a empresa tem na América do Sul. Em 2013 o faturamento com a exportação de veículos montados cresceu 53%. As vendas internacionais somaram 60 mil unidades e chegaram a mais de 50 países.

A empresa está entre as maiores exportadoras da China, considerando as montadoras independentes. Segundo Mingshaw, a Lifan emprega 20 mil pessoas e alcançou faturamento de cerca de US$ 4,1 bilhões no ano passado. O montante pode ser pouco expressivo se comparado a montadoras já estabelecidas globalmente, como Volkswagen, Toyota e General Motors, mas é bastante significativo se for levado em conta de que é resultado de uma empresa com menos de 10 anos de experiência como fabricante de automóveis.

Além da globalização, o CEO da companhia considera a inovação e o esforço para conquistar boa reputação ingredientes importantes para acelerar o crescimento dos negócios nos próximos anos. “Este tripé é o nosso DNA. É ele que vai garantir a nossa competitividade”, defende.

Recentemente o grupo chinês concluiu investimento próximo de US$ 100 milhões na construção de centro de pesquisa e desenvolvimento em sua sede em Chongqing. O espaço conta com estrutura completa de testes de ruídos e vibrações, emissões, temperatura, entre outros. A ideia é garantir ali os avanços tecnológicos e a qualidade das próximas gerações de carros da marca.

Entre 2014 e 2017 a organização planeja, a partir de três plataformas, lançar modelos para atender a todos os principais segmentos, como utilitários esportivos, sedãs e crossovers. Para acompanhar as ambições de crescimento da fabricante chinesa, a capacidade produtiva global vai saltar de 360 mil unidades por ano para 500 mil veículos/ano neste período.



Tags: Lifan, globalização, negócios, vendas.

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