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29/07/2014 | 17h11

Aftermarket

Canal da Peça quer trazer varejo de componentes para o mundo digital

Plataforma aposta em crescimento de 60% para o setor na internet


GIOVANNA RIATO, AB

Facilitar as vendas de autopeças no mercado de reposição e trazer a cadeia de fabricantes, atacadistas e vendedores para o mundo digital. Essa é a missão do Canal da Peça, plataforma online para a venda de componentes. O jovem empreendimento – a primeira versão do site entrou no ar em julho de 2013 – já realizou um grande feito: conseguiu oferecer ao consumidor o catálogo de peças de 70 fabricantes, com informações técnicas e fotos de boa parte do total de 360 mil itens cadastrados.

Este material serve de base para que varejistas de autopeças se cadastrem no portal. A partir disso as empresas selecionam os itens disponíveis para venda e abrem o nível de estoque para cada um deles. A base de dados funciona de maneira similar ao Buscapé, ferramenta que localiza itens e compara preços. O mecânico ou consumidor final pode encontrar um componente ali e escolher a opção mais barata ou até mesmo fazer a busca por fabricante ou modelo do carro.

A ferramenta é focada no canal independente do mercado de reposição, mas tem potencial para afetar a relação entre empresas e consumidores nas redes de concessionárias. Mais do que facilitar a venda e compra de autopeças na internet, a plataforma inova ao ser o primeiro espaço online que permite ao cliente comparar preços. “Uma pessoa que recebe um orçamento para o conserto do seu carro, por exemplo, pode buscar informações ali para saber se o preço é justo”, explica Vinicius Dias, diretor e um dos fundadores do Canal da Peça.

OPORTUNIDADE DE MERCADO

Ao lado do sócio, Fernando Cymrot, o empresário estudou oito setores da economia para descobrir qual deles precisava de uma ferramenta para destravar as vendas. Ele aponta que a reparação automotiva se destacou na análise de mercado. “É um setor que cresce quando a economia vai bem e também quando vai mal por depender da nossa frota de veículos, que já chega a 40 milhões de unidades. A expansão média do aftermarket no Brasil deve ser de 12% ao ano até 2018”, avalia Dias. Na opnião dele, as vendas online do segmento avançarão ainda mais no médio prazo, ao ritmo de 60% ao ano.

Depois de definir foco do negócio os empreendedores buscaram informações em outros mercados e confirmaram o forte potencial da plataforma digital: nos Estados Unidos os varejistas de autopeças cresceram três vezes entre 2008 e 2012 enquanto as montadoras viam as vendas minguarem como reflexo da crise. Na Alemanha os componentes para veículos já representam 11% do comércio online.

Dias destaca ainda um dado nacional que comprova o potencial da venda online de componentes no Brasil. Segundo ele, a empresa que mais vende autopeças no País não é nenhuma varejista do setor, mas sim o gigante digital MercadoLivre, que negocia 400 mil componentes por mês. Pesquisa do Google revela ainda que 70% dos proprietários de veículos pesquisam na internet antes de comprar autopeças.

Ainda assim, Dias estima que apenas 2% do consumo de componentes automotivos no mercado brasileiro de reposição seja feito na internet. “Vimos que este setor tinha grande demanda online dos clientes, mas que eles não tinham nenhuma resposta.” O investimento inicial na empresa foi feito pelos sócios, que depois levantaram mais de R$ 4 milhões com investidores.

O empresário admite que atrair fabricantes e varejistas de autopeças para a internet foi desafiador, mas defende que esta é a única opção para as empresas que não querem perder mercado no futuro. Hoje a plataforma acumula 400 mil visitas mensais e busca a meta de alcançar 2 milhões de itens disponíveis para compra. “Queremos que o consumidor nunca saia dali sem encontrar o que precisa.”

A receita da companhia vem de uma taxa paga pelas empresas cadastradas na plataforma cada vez que uma venda é concretizada. Há ainda soluções customizadas oferecidas às empresas, segmento em que o Canal da Peça quer ampliar a atuação. A companhia pretende aumentar a gama de produtos e serviços. Em breve oferecerá a criação de aplicativos para substituir o catálogo impresso das marcas e outras soluções digitais.

INTERNACIONALIZAÇÃO

A empresa de tecnologia programa um passo importante para 2015, a internacionalização. A plataforma estará disponível em outros idiomas além do português com o objetivo de atrair compradores de outros mercados. “O Brasil é um centro produtor de veículos da América Latina. O varejo de componentes tem forte potencial de vender no exterior que não está sendo explorado”, analisa, lembrando que muitos veículos nacionais antigos acabam sendo vendidos nos países vizinhos.

Dias defende que a plataforma online pode garantir mais eficiência ao varejo de autopeças. Segundo ele, a alta margem do segmento é neutralizada pelo elevado custo de manter grandes estoques com que as varejistas têm de arcar. “É preciso necessário uma gama muito ampla de componentes para atender a diversidade de modelos e versões. Na internet estas empresas não precisam vender apenas no bairro em que estão e podem alcançar volumes maiores atendendo pedidos de outras regiões”, explica.

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