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Distribuição | 14/08/2014 | 16h29

Fenabrave quer reduzir peso dos estoques na operação das concessionárias

Entidade negocia IOF em empréstimos para compra de veículos pela rede

GIOVANNA RIATO, AB | De Curitiba (PR)

A redução do ritmo de vendas nos últimos meses chamou a atenção para um problema tradicional da indústria automotiva em períodos de retração: a rápida evolução dos estoques. A Fenabrave enfatizou a necessidade de resolver o problema durante o Congresso Fenabrave, realizado em Curitiba (PR) nos dias 13 e 14. Flávio Meneghetti, presidente da entidade dos distribuidores de veículos, aponta que o nível de carros armazenados nas concessionárias chegou ao pico de 54 dias em junho deste ano e vem caindo desde então. Em agosto este nível diminuiu para 44 dias.

O executivo avalia que este volume deve continuar em queda, já que as montadoras têm adotado medidas para reduzir a produção como férias coletivas e layoffs, há também a expectativa de crescimento de 5% das vendas no segundo semestre na comparação com o primeiro. Ainda assim, Meneghetti lembra que os distribuidores de veículos sustentam estoques elevados há bastante tempo. “Faz quase um ano que administramos volume de carros armazenados superior ao normal, que seria de 20 a 30 dias.”

O presidente da Fenabrave conta que a organização trabalha também para reduzir o custo de movimentar estoques. Ele conta que a compra de veículos para pelas concessionárias é feita por meio de contratos de empréstimo floor plan, em que o banco oferece crédito, com a cobrança de uma taxa de juros e IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Segundo a entidade, o recolhimento do tributo acontece de forma excessiva, já que cada vez que o distribuidor movimenta o estoque tem de pagar a alíquota. “O empresário deveria pagar o IOF apenas sobre o limite total oferecido pelo banco. Dessa forma acabamos sendo cobrados várias vezes. É um custo injusto, uma operação comercial travestida de operação financeira”, argumenta Meneghetti.

Segundo ele, nos Estados Unidos o custo dos estoques é de apenas 1% ao ano, enquanto no Brasil, considerando apenas o IOF, sem a taxa de juros, o concessionário paga 0,38% a cada operação. “Na minha empresa posso ter 250 carros armazenados com movimentação diária.”

FINANCIAMENTO

A Fenabrave também trabalha para ampliar a oferta de crédito no mercado. A entidade negocia com o governo uma alteração na legislação com o objetivo de permitir que a retomada do veículo pelo banco no caso de contratos inadimplentes seja feita de forma mais simples. Meneghetti conta que atualmente as instituições financeiras conseguem localizar apenas 15% dos carros com financiamentos sem pagamento. Depois de encontrados ainda é preciso tempo e investimento para retomar o bem. “No Brasil o processo leva, em média, 210 dias. Nos Estados Unidos isso é feito em meia hora”, compara.

O executivo tem expectativa de que a mudança seja feita ainda este ano. Se isso acontecer, o banco seria capaz de recuperar o veículo em cerca de 60 dias. Meneghetti estima que a mudança estimularia os bancos a ampliar a oferta de crédito, com redução dos juros e condições mais acessíveis a grade parcela dos consumidores. “Hoje as instituições têm medo de colocar recursos na carteira por falta de garantias. Em 2012 eram fechados 200 mil contratos por mês. Este volume caiu para 150 mil por mês este ano”, analisa.

No cálculo do presidente da Fenabrave, a mudança na legislação seria capaz de ampliar em 20% o número atual de concessão de financiamentos. Em volume esse aumento representa cerca de 360 mil carros por ano, o equivalente a um mês adicional de vendas. Meneghetti acredita que a facilidade da retomada do veículo tem potencial para mudar o panorama atual de vendas e trazer resultados positivos até mesmo para 2015.



Tags: Fenabrave, estoque, financiamento, mercado, vendas, Flávio Meneghetti.

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