Automotive Business
Siga-nos em:
AB Inteligência

Notícias

Ver todas as notícias
Governo estimula financiamento de carro
Mantega: medidas para estimular o crédito e beneficiar os bons pagadores

Crédito | 20/08/2014 | 18h50

Governo estimula financiamento de carro

BC libera mais recursos e Fazenda simplifica retomada de veículos

PEDRO KUTNEY, AB, COM AGÊNCIA BRASIL

Banco Central e Ministério da Fazenda vão adotar medidas para estimular a concessão de crédito para compra de veículos nos próximos meses. Na quarta-feira, 20, pela manhã o BC anunciou a liberação de mais R$ 10 bilhões do depósito compulsório dos bancos e reduziu em R$ 15 bilhões as provisões de risco, somando R$ 25 bilhões que devem ser injetados no mercado de financiamentos já a partir da segunda-feira, 25. Em julho a autoridade monetária já havia liberado R$ 45 bilhões das mesmas fontes. À tarde, foi a vez de Guido Mantega, ministro da Fazenda, anunciar mais incentivos, incluindo uma velha demanda dos fabricantes de veículos e concessionários: mudanças na legislação para facilitar a retomada de carros em caso de inadimplência, considerada um dos principais entraves para o aumento das concessões.

“As medidas anunciadas pelo ministro Mantega trazem melhoria significativa no regulamento dos créditos ao aprimorar a segurança jurídica, simplificar as operações de crédito e, em última análise, premiar o adimplente, ao contrário do marco regulatório anterior, que beneficia o inadimplente”, avaliou em nota Luiz Moan, presidente da associação dos fabricantes de veículos, a Anfavea. “Com relação às medidas anunciadas pelo Banco Central, apoiamos e entendemos que o aumento da liquidez é positivo, pois terá efeitos diretos e indiretos na economia como um todo e, consequentemente, no setor automotivo”, acrescentou.

MAIS RECURSOS PARA O CRÉDITO

Na prática, o BC desmontou o pacote de medidas conservadoras do fim de 2010, que desestimulava financiamentos longos para compra de veículos com aumento de depósito compulsório e provisões para esses tipos de empréstimos. Agora foi feito o contrário: o BC permitirá que até 60% do recolhimento compulsório relativo a depósitos a prazo sejam usados para contratações de novas operações de crédito ou compra de carteiras de outras instituições. Em julho, esse porcentual havia sido definido em 50% e os 10% a mais liberados desta vez significam R$ 10 bilhões adicionais injetados no mercado, que vão se somar aos R$ 30 bilhões flexibilizados anteriormente. A medida estimula o crédito porque se o banco não fizer novas concessões ou comprar carteiras, esse dinheiro será retido pelo BC sem remuneração.

Especificamente para novos financiamentos de veículos, o BC criou um estímulo extra: definiu que, para dedução de 60% do recolhimento compulsório com esta modalidade, os bancos deverão elevar em 20% o saldo de suas carteiras de automóveis na comparação com a média do primeiro semestre de 2014. Quem não fizer isso não poderá deduzir o valor do depósito compulsório sem remuneração. Ou seja, os bancos vão ter de aumentar em 20% o valor de seus financiamentos de carros para obter a dedução. “Para ter ganho com a medida, tem de fazer mais do que fazia antes”, confirmou o chefe do Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos do BC, Daso Coimbra.

Ao mesmo tempo em que elevou a parcela dos depósitos compulsórios que podem ser direcionada a nova operações de crédito, o BC voltou a reduzir o requerimento mínimo de capital para risco. Com essa medida, foram liberados cerca de R$ 15 bilhões, com potencial de geração de novas concessões de até R$ 140 bilhões, segundo calcula o chefe do Departamento de Regulação Prudencial e Cambial do BC, Caio Ferreira. Esses recursos também se somam aos R$ 15 bilhões liberados em julho, totalizando R$ 30 bilhões.

O BC reestabeleceu em 75% o fator de ponderação de risco para todas as operações de crédito de varejo, independentemente do prazo. Antes esse fator chegava a até 300% em alguns casos. Ferreira lembrou que em 2010 havia a necessidade definir regras mais rigorosas, principalmente porque as concessões estavam com prazos muito longos e garantias inadequadas. Atualmente, segundo Ferreira, os bancos estão mais criteriosos e por isso não há risco à estabilidade do sistema financeiro.

Somando tudo, entre julho e agora o BC injetou R$ 70 bilhões (R$ 40 bilhões em compulsórios mais R$ 30 bilhões em provisões) no mercado de crédito. A modalidade de financiamento de veículos é uma das principais beneficiadas pela medida, pois vinha reduzindo o saldo com a maior seletividade dos bancos na aprovação de novas operações, por causa do aumento da inadimplência. Contudo, ainda é incerta a propensão dos bancos em emprestar mais, bem como a dos clientes em tomar empréstimos em momento de turbulência econômica.

RETOMADA FACILITADA

O governo também decidiu atacar o principal problema apontado pelos bancos para reduzir a inadimplência e a consequente resistência em emprestar. O Ministério da Fazenda anunciou que deverá ser editada medida provisória para facilitar a retomada de veículos de clientes inadimplentes. Essa era uma das principais dificuldades para se aumentar a concessão de crédito no setor. Segundo Flávio Meneghetti, presidente da federação dos concessionários, a Fenabrave, no Brasil são localizados apenas 15% dos veículos com atraso nos pagamentos e o processo de retomada leva 210 dias, em média. Esse era um custo não coberto pela própria garantia da operação: o carro.

Isso ocorria porque a instituição financeira credora precisava entrar com uma ação judicial para retomar o veículo. Pela proposta a ser encaminhada ao Congresso, o governo retira essa obrigação e assim facilita a retomada de bens móveis (carros, caminhonetes, caminhões, ônibus, tratores e máquinas agrícolas) em caso de inadimplência. O tomador do empréstimo poderá autorizar diretamente a recuperação do bem financiado em caso de atraso nos pagamentos, dispensando ações na Justiça. A medida beneficiará operações sem garantia de até R$ 100 mil e operações com garantia de até R$ 50 mil. Acima desses valores, continua a necessidade de cobrança judicial.

Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a mudança será feita por meio de emenda a projetos de lei em tramitação no Congresso e permitirá que os bons pagadores consigam financiamentos com juros mais baixos e maior segurança jurídica.

Os atrasos nos pagamentos dos financiamentos de veículos mostraram-se bastante danosos aos bancos nos últimos anos. Os valores devidos com atrasos superiores a 90 dias fecharam junho em 4,9% dos contratos ativos, ou R$ 9,1 bilhões, contra 5,2% no início de 2014, R$ 10 bilhões, e 5,9% nos 12 meses anteriores, somando R$ 11,4 bilhões. Com a dificuldade da retomada das garantias para mitigar as perdas, as instituições financeiras precisavam jogar a conta na coluna do prejuízo e formar altas provisões para cobrir o rombo.



Tags: Banco Central, BC, Fazenda, crédito, financiamento, inadimplência, mercado, vendas.

Comentários

  • lincoln bacelar

    o Governo Federal, tem, a obrigação de criar meios e acima de tudo, políticas públicas que garantam o bem estar da economia do país ., e acima de tudo proteger aquele faz bem suas riquezas aumentarem.O BRASIL não deve ficar a merce de pressões individualistas e sim lutar em favor da coletividade, preservando zelar pela Dignidade da Pessoa Humana,no qual estabelece o nosso texto constituinte no artigo 5 DA CRFB,entretanto,torço para que logo entre em vigor estas novas medidas e que nosso país consiga sair,ou seja, não entrar em colapso economico.

  • claudairton

    achei correto, muito bom

  • João

    A um tempo fiz um financiamento em 60 parcelas quando estava na parcela de Numero 44 eu não consegui pagar pois passei por dificuldades financeiras e meu nome foi pro espaço. No próximo mês fiz um esforço e paguei a atrasada e a do mês colocando meu contrato em dia...passou o tempo e quitei o veiculo. Fui financiar outro carro dando o meu de entrada e não foi aceito e segundo a financeira foi porque ouve atraso em alguma das parcelas. estou a mais de um ano com o carro quitado e não consigo financiar sendo que minha renda hoje está em torno de R$6.500,00 todas as minhas contas pagas em dia, etc... Resumindo, acho que uma grande parte da população já passou por dificuldades deixando de pagar uma conta pra pagar outra isso é fato! agora quando vou poder fazer um financiamento??? O governo facilita as coisas para um ladrão, um presidiário, um corrupto, menos para um cidadão de bem!!! #REVOLTADO

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência